A Vídeo-otoscopia Como Uma Ferramenta Fundamental no Diagnóstico de Otite Subclínica
Palavras-chave:
Otite, Cães, Vídeo-otoscopiaResumo
Condições otológicas são uma manifestação comum na medicina veterinária e a vídeo-otoscopia é uma ferramenta que pode ser empregada para o diagnóstico, tratamento e manejo dessas doenças. Essa ferramenta permite uma visualização amplificada e detalhada do conduto auditivo, sem sombreamentos, permite a identificação de alguns parasitas e a possibilidade de coleta de materiais e lavagem otológica, além do mais pode-se categorizar o grau de otite do paciente, bem como emitir laudos para posterior comparação dos exames e averiguar a evolução do paciente. O presente estudo tem por objetivo analisar a contribuição da vídeo-otoscopia para a detecção de otite em cães, avaliando a sanidade das orelhas examinadas e a qualidade da otite podendo dessa forma estadear o grau de doença nos pacientes. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética no Uso de Animais da Universidade Federal do Pampa sob número de protocolo 9519270225. Foram incluídos 26 cães machos e fêmeas que residiam em um canil municipal, sem raça definida, dóceis, entre 5 e 20 quilos, com idades entre 1 e 7 anos, com ouvidos clinicamente saudáveis e animais que apresentaram pelo menos três dos seguintes sinais clínicos compatíveis com otite canina: eritema, exsudato, prurido, otalgia, edema, odor e erosão/úlcera, para serem classificados como pacientes portadores de otite. O cálculo de número amostral foi realizado por meio do software G-POWER® (versão 3.1; Trier, Alemanha), determinando a população de 52 orelhas. Todos os animais foram submetidos ao mesmo protocolo de sedação para o exame de vídeo-otoscopia e foram distribuídos em dois grupos, contendo 13 animais em cada, sendo estes: Grupo Controle (GC) classificados, por meio de avaliação física, com orelhas saudáveis e Grupo Otite (GO), cães classificados por meio de avaliação física, portadores de otite. A vídeo-otoscopia bilateral foi realizada em todos os cães. Primeiramente os pacientes foram submetidos a avaliação clínica onde seus sinais clínicos foram pontuados de acordo com a severidade apresentada. Eram avaliados o grau de dor, prurido, edema, secreção, odor, erosão/úlcera e eritema. No exame de vídeo-otoscopia os parâmetros avaliados foram dor, edema, secreção, odor, erosão/úlcera, eritema e presença de parasitas. Dessa forma foi possível pontuar o grau de severidade da otite em cada orelha para posterior comparação. Das 26 orelhas avaliadas do GC, consideradas sem otite clínica antes da vídeo-otoscopia, demostrou que após o exame 11 (42,3 %) orelhas apresentaram grau compatível com otite, alterando dessa forma o diagnóstico desses animais para otite subclínica e 15 (57,7 %) mantiveram-se como orelhas saudáveis. Do grupo GO, das 26 orelhas avaliadas, em 25 (96,2 %) orelhas o diagnóstico de otite foi mantido e em 1 (3,8 %) orelha houve a mudança da classificação para orelha saudável. A mudança da classificação dos pacientes que não possuíam otite para otite subclínica se deve ao fato desses não apresentarem sinais clínicos suficientes para serem classificados com otite, mas ao exame de vídeo-otoscopia houve a mudança da sua classificação para otite subclínica. A partir da avaliação por vídeo-otoscopia, conclui-se que a otite subclínica pode ser subdiagnosticada com mais frequência na rotina dos atendimentos dermatológicos naqueles pacientes que não apresentam sinais clínicos consistentes com otite canina, reforçando a ideia de que, somente o exame clínico, não é suficiente para um correto diagnóstico e tratamento nesses casos.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Downloads
Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A Vídeo-otoscopia Como Uma Ferramenta Fundamental no Diagnóstico de Otite Subclínica. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121923. Acesso em: 17 maio. 2026.