Projeção do Potencial Produtivo e Energético do Biometano no Sudoeste Gaúcho

Autores

  • Renan Cristiano Fontoura da Silva
  • Tulio Augusto Zucareli de Souza

Palavras-chave:

Energia, renovável, Biocombustíveis, Resíduos

Resumo

A crescente demanda por fontes de energia renovável tem impulsionado a pesquisa e o desenvolvimento de novos biocombustíveis no Brasil e no mundo, com o biometano se destacando como uma alternativa promissora. Produzido a partir do aprimoramento do biogás, ele pode ser obtido de diversas fontes, como resíduos agrícolas, dejetos de animais, resíduos agroindustriais e lixo urbano, promovendo uma economia circular ao incorporar valor a materiais que a princípio seriam descartados. Além de sua utilização para o aquecimento em aplicações residenciais e industriais, e uso como combustível em motores de combustão interna, sua compatibilidade com a rede de gás natural facilita a logística de distribuição por meio de gasodutos. Neste sentido, este trabalho de iniciação científica, ainda em andamento, tem como objetivo principal avaliar o potencial de produção de biogás e, principalmente, de biometano na região do Sudoeste do Rio Grande do Sul. Para a metodologia, foi realizada uma projeção de produção a partir de dados secundários e um levantamento de informações sobre diferentes biomassas e suas quantidades na região. O procedimento adotado seguiu o modelo proposto pelo Atlas das biomassas do Rio Grande do Sul para produção de biogás e biometano, desenvolvido pela Secretaria de Minas e Energia do governo do estado. As biomassas foram divididas em cinco grupos principais: pecuária/dejetos, agroindustrial, vinícolas, estações de tratamento de esgoto (ETEs) e aterros sanitários. Dentro de cada grupo, foram pesquisados dados específicos, como o número de cabeças de bovinos, suínos, aves, equinos e ovinos; a quantidade de resíduos de abates (sangue, rúmen, vísceras e lodos de ETEs), resíduos de graxaria e leite condensado; a produção de bagaço, engaço e mosto de vinícolas; a quantidade de lodos aeróbios e anaeróbios de ETEs; e o volume de resíduos sólidos urbanos de aterros. Para os cálculos, foi utilizado um rendimento de biogás de 550m³/tonSV e uma taxa de conversão para biometano de 60% do biogás gerado. A análise dos resultados parciais revelou que o grupo pecuária/dejetos apresenta o maior potencial, com uma capacidade de produção de biogás de 14,3 milhões de m³/dia e biometano de 8,6 milhões de m³/dia. Os principais contribuintes nesse grupo foram os dejetos bovinos, com 12,4 m³/dia de biogás, e ovinos, com 1 milhão de m³/dia de biogás. O segundo grupo com maior potencial foi o agroindustrial, com a produção de 262 mil m³/dia de biogás e 157 mil m³/dia de biometano, com destaque para o subgrupo de abate de aves, com 79,9% de contribuição. A produção do grupo de aterros foi de 27,2 mil m³/dia de biogás e 16,4 m³/dia de biometano. Por fim, o grupo de vinícolas apresentou um potencial desprezível de biogás e biometano quando comparado aos demais grupos. O grupo ETE ainda está em fase de análise e não teve os resultados consolidados. Conclui- se que o setor agropecuários, em especial relacionado aos dejetos de animais, especialmente bovino, oferece a matéria-prima mais promissora para a implementação de uma usina de biogás e biometano na região do Sudoeste Gaúcha, destacando a importância de projetos que buscam dar um destino nobre a resíduos e gerar energia limpa. Como sugestões para trabalhos futuros, pretende-se incluir uma análise de outras fontes não abordadas no escopo do presente estudo, como resíduos da indústria do arroz e da soja, bastante relevantes para a região de interesse. Serão incluídas, também, análises sobre o potencial de aproveitamento do biometano produzido como vetor energético para aplicações diversas, incluindo aquecimento, uso em motores de combustão interna, e venda direta por meio da injeção em redes de gás natural.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Projeção do Potencial Produtivo e Energético do Biometano no Sudoeste Gaúcho. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121707. Acesso em: 14 jun. 2026.