A ascensão do conservadorismo entre jovens de 16-25 anos: fatores na adesão à direita
Palavras-chave:
juventude, conservadorismo, antifeminismoResumo
A presente pesquisa busca investigar a ascensão do conservadorismo e do antifeminismo entre jovens brasileiros de 16 a 25 anos, trazendo à tona e problematizando os fatores socioculturais e políticos que explicam a crescente adesão a discursos alinhados à extrema-direita. Esse fenômeno levanta duas questões centrais: por que os jovens parecem inclinados a valores conservadores e fundamentalistas? O que torna princípios tradicionais atrativos em uma sociedade marcada pela pluralidade e pelo avanço dos direitos humanos? Para responder a essas indagações, é necessário retomar um breve percurso histórico, compreendendo que, desde a colonização, o Brasil se estrutura em antagonismos sociais e políticos sustentados pela manutenção de práticas excludentes como forma de exercício de poder. Ao longo da formação da sociedade brasileira, elites políticas e econômicas estabeleceram mecanismos de dominação que reforçaram desigualdades sociais e de gênero, cultivando uma tradição de hierarquização. Esse processo produziu um cenário em que a alternância entre polos opostos conservador e progressista sempre esteve presente, muitas vezes gerando tensões que marcam a vida política do país. A juventude contemporânea, portanto, herda um campo de disputas que combina permanências históricas com novas formas de mobilização. Nesse contexto, os jovens encontram-se expostos a múltiplas influências. Entre elas, destaca-se a centralidade das redes sociais na disseminação de discursos moralistas e antifeministas, que propagam ideais misóginos com grande capilaridade nos últimos anos; o enfraquecimento da formação crítica decorrente da fragilidade das ciências humanas no currículo escolar, em disciplinas como sociologia, filosofia, história e geografia; e o fortalecimento de valores tradicionais que resgatam a hegemonia masculina em tempos de crise política, econômica e cultural. Esses elementos se combinam de forma a criar um terreno fértil para a emergência de lideranças digitais e políticas que utilizam narrativas simplificadas, explorando medos sociais e oferecendo respostas rápidas para problemas complexos. O objetivo geral da pesquisa é compreender os fatores que levam jovens a aderirem a tais discursos, desdobrando-se em metas específicas, como analisar o papel das mídias digitais e dos influenciadores, compreender o impacto das crises sociais e políticas na formação de percepções, examinar as visões da juventude sobre feminismo e diversidade e discutir a influência da desinformação e do revisionismo histórico nesse processo. A metodologia adota uma abordagem qualitativa, inicialmente por meio de revisão bibliográfica nas áreas da sociologia, ciência política e estudos de gênero, que possibilita construir um arcabouço teórico sólido para a análise. Em etapa posterior, está prevista a realização de pesquisa empírica, com aplicação de questionários e entrevistas a jovens dentro da faixa etária delimitada, a fim de captar percepções diretas e experiências cotidianas relacionadas ao tema investigado. Resultados parciais obtidos a partir da análise da literatura e de observações preliminares indicam que a combinação entre precariedade educacional, consumo intenso de conteúdos digitais e ressurgimento de discursos moralistas cria um ambiente propício para a legitimação de valores conservadores e antifeministas. Também foi identificado que tais discursos são frequentemente revestidos de linguagem aparentemente neutra ou técnica, o que aumenta sua aceitabilidade social e dificulta a identificação de seu caráter excludente. Conclui-se, ainda que preliminarmente, que a atração por esses discursos não se resume a uma tendência conjuntural, mas constitui um movimento recorrente na história das sociedades, que, apesar de suas raízes antigas, manifesta-se no presente de forma renovada e com potencial de impactar profundamente o cotidiano político e social brasileiro. Dessa forma, reforça desigualdades históricas e representa um desafio à democracia, à igualdade de gênero e à convivência plural.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A ascensão do conservadorismo entre jovens de 16-25 anos: fatores na adesão à direita. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121584. Acesso em: 23 maio. 2026.