Arduino na Escola: Um Estudo Empírico com Meninas do Ensino Médio

Autores

  • Simony Silva
  • Sara Vitoria Henssler
  • Márcia Lucchese

Palavras-chave:

Arduino, BNCC, Computação, STEM

Resumo

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento normativo brasileiro que contém os conhecimentos fundamentais que todos os estudantes devem desenvolver ao longo da Educação Básica. Complementar a ela, foi elaborado o referencial de Computação da BNCC, que promove a inclusão da computação na área de matemática e suas tecnologias. Este, prevê habilidades e competências que os jovens do ensino médio devem ter de forma a aplicar o pensamento computacional na solução de problemas, usando diversos artefatos computacionais. Apesar da BNCC Computação reforçar a importância desse contato no cotidiano dos jovens, a realidade da programação, robótica e sistemas computacionais se limitam a projetos extracurriculares ou iniciativas particulares, fora do âmbito escolar. É importante reconhecer que o conhecimento nas áreas de tecnologia e computação são um complemento para todo o trabalho executado em sala de aula, tornando-se relevante investigar a inserção dessas práticas para aumentar a confiança na aprendizagem dos(as) alunos(as) no ensino médio, principalmente quando se trata de incentivar maior presença feminina na área de Science, Technology, Engineering and Mathematics (STEM, sigla para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Para artefato de estudo, o Arduino, uma plataforma de prototipagem de software e hardware livre, foi a ferramenta utilizada. Portanto, esse projeto propõe uma análise da funcionalidade das atividades propostas pela BNCC da computação para meninas do Ensino Médio e a influência disso na perspectiva delas em relação à carreira e estudos futuros, utilizando o Arduino como ferramenta didática para a aplicação das atividades. Com isso, uma pesquisa foi realizada com cinco alunas do ensino médio de escolas públicas, bolsistas do projeto Tecendo Redes, que participaram de uma iniciativa executada pela equipe do Gurias do Pampa nas Exatas, na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), na cidade de Bagé RS, que tinha como objetivo trabalhar bases do pensamento computacional a fim de que elas estivessem prontas para criar soluções, aplicando conceitos básicos de programação e Arduino. Um questionário foi aplicado após a execução de atividades experimentais, utilizando uma abordagem qualitativa, considerando tanto as respostas ao questionário quanto às percepções espontâneas que obteve-se em sala de aula. O projeto alcançou alunas sem experiência prévia e por isso, apesar da curiosidade, algumas inseguranças por essas lacunas escolares surgiram. Foram observadas falas que evidenciam os pontos a serem trabalhados diante de assuntos como programação e robótica, por exemplo, quando as atividades eram denominadas como impossíveis, mostrando a falta de autonomia e engajamento para realizar tarefas consideradas complexas por elas. Nos resultados obtidos pelo questionário aplicado, todas as meninas afirmaram que se sentiram confortáveis e acolhidas para aprenderem. No quesito do que mais as instigou, foi a curiosidade quanto às atividades práticas realizadas. A maior dificuldade apontada no uso do Arduino foram questões de conexão dos conceitos e detalhes técnicos durante o decorrer das aulas. Algumas alunas afirmaram que o projeto foi essencial para a vida profissional e mostrou novas possibilidades de carreira, mesmo as que não demonstram interesse pela carreira reconheceram a oportunidade como uma experiência valiosa. Quando questionadas sobre o que diriam a outras meninas que desejassem aprender programação ou robótica elas colocaram frases encorajadoras. Por exemplo, nada é impossível e tentar mesmo que pareça difícil revelam o impacto das oficinas, pois mostram que as alunas passaram a se enxergar como capazes de aprender. Esses registros possibilitaram identificar transformações na autoconfiança e na relação das alunas com a computação. Portanto, conclui-se que o projeto proporcionou, de forma prática e acessível, conhecimentos em programação e uso do Arduino, criando um ambiente seguro para o desenvolvimento do pensamento computacional. As atividades favoreceram a autonomia das alunas, diminuíram barreiras iniciais relacionadas ao interesse por carreiras tecnológicas e estimularam maior autoconfiança diante de desafios considerados complexos. Ao final das oficinas, as estudantes passaram a reconhecer suas próprias capacidades de aprendizagem e aplicação de conceitos da área, superando inseguranças e ressignificando sua relação com a computação. Esses resultados reforçam a relevância de integrar experiências semelhantes ao currículo do ensino médio, especialmente no contexto feminino, como estratégia para incentivar a presença de meninas nas áreas STEM e ampliar suas perspectivas acadêmicas e profissionais.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Arduino na Escola: Um Estudo Empírico com Meninas do Ensino Médio. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121510. Acesso em: 13 abr. 2026.