Avaliação da Atividade Inseticida do Óleo Essencial de Melaleuca alternifolia em Drosophila melanogaster

Autores

  • Julia Molinari
  • Luan da Rosa Silva
  • Maria Vitória Takemura Mariano
  • Mauro Eugênio Medina Nunes
  • Thaís Posser
  • Jeferson Luis Franco

Palavras-chave:

Óleo, essencial, Melaleuca, alternifolia, Drosophila, melanogaster, Acetilcolinesterase, Inseticidas, naturais

Resumo

O uso extensivo de inseticidas sintéticos,ainda que eficaz no controle imediato de pragas agrícolas e vetores urbanos, tem gerado crescente preocupação em virtude dos impactos ambientais associados à sua persistência, acúmulo em cadeias tróficas e efeitos adversos à saúde humana, como intoxicações e distúrbios neurológicos. Esses fatores incentivam a busca por alternativas naturais biodegradáveis com menor impacto ecológico. Entre as opções estudadas, destacam-se os óleos essenciais, e o de Melaleuca alternifolia reúne compostos bioativos, como: terpinen-4-ol, γ-terpineno e α-terpineno, com atividades antimicrobiana e antifúngica. Nesse contexto, avaliou-se a atividade inseticida do óleo de melaleuca em Drosophila melanogaster, um organismo amplamente utilizado em pesquisas biomédicas e toxicológicas devido ao seu curto ciclo de vida, facilidade de manutenção em laboratório, genoma conhecido e elevada sensibilidade a compostos voláteis, tornando-se um modelo adequado à investigação de efeitos comportamentais, neuromusculares e de mortalidade frente a compostos naturais. O objetivo deste estudo foi investigar, após inalação, possíveis efeitos comportamentais e mortalidade e, em especial, a inibição da acetilcolinesterase (AChE), alvo de diversos inseticidas neurotóxicos. O experimento foi conduzido com a aplicação de 1µL de óleo essencial em frascos Erlenmeyer de 500 mL , onde as moscas permaneceram expostas por 1 hora, seguida de um período de recuperação de 3 horas. A organização experimental incluiu 20 moscas por réplica, distribuídas em grupos tratados (20x6) e controle (20x3). Para a análise da atividade enzimática, utilizou-se o método de Ellman (1959), leitura a 412 nm por 2 minutos com intervalos de 20 segundos, a 30 °C, empregando mistura reacional composta por tampão fosfato de potássio (KPi 0,25 M, pH 8, sem EDTA), água destilada e DTNB 5 mM; a amostra foi acrescentada ao mix reacional seguida do substrato (acetiltiocolina), com volumes indicados (amostra 20 µL; mix 455 µL; substrato 25 µL). Os tecidos foram homogeneizados em HEPES pH 7 (200 µL). A concentração total de proteína foi determinada pelo método de Bradford, em triplicata com curva, utilizando os volumes de 2 µL (amostra), 18 µL (solvente) e 180 µL (reagente). Nos resultados obtidos, todas as moscas sobreviveram ao período de exposição, permitindo avaliação comportamental e bioquímica subsequente. Não houve diferença significativa em relação à atividade da AChE entre os grupos controle e tratado. As concentrações médias de proteína foram semelhantes entre os grupos (4,4 vs. 4,3 mg/mL), confirmando que a discreta diferença observada não foi consequência da variação na quantidade total de proteína. Considerando o grupo controle como 100% de atividade enzimática, os tratados apresentaram média de 96%, diferença discreta e estatisticamente não significativa. Assim, a exposição à melaleuca não produziu inibição significativa da AChE nem sinal claro de toxicidade neuromuscular, sendo insuficiente para caracterizar efeito inseticida nas condições avaliadas. Conclui-se que, no modelo experimental testado, o óleo essencial de M. alternifolia não se mostra eficaz como substituto de inseticidas sintéticos. No entanto, abre caminho para a investigação das suas propriedades. O estudo pode contribuir metodologicamente para a compreensão do comportamento da AChE frente a potenciais inibidores e aponta a necessidade de réplicas com variação de dose, tempo de exposição e condições experimentais para esclarecer limites e possibilidades de uso do composto.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Avaliação da Atividade Inseticida do Óleo Essencial de Melaleuca alternifolia em Drosophila melanogaster. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121326. Acesso em: 14 maio. 2026.