Efeitos da Gordura Interesterificada e Sinefrina no Peso e Estresse Oxidativo Hepático de Ratos Wistar
Palavras-chave:
Gordura, interesterificada, Sinefrina, estresse, oxidativo, obesidadeResumo
A gordura interesterificada (GI) é produzida industrialmente por meio de rearranjos nas moléculas de ácidos graxos, o que altera as propriedades físico-químicas dos óleos vegetais. Por esse motivo, tem sido amplamente utilizada pela indústria alimentícia como substituta das gorduras trans. Entretanto, a GI está cada vez mais presente em alimentos ultraprocessados, e estudos indicam que seu consumo excessivo está associado à obesidade e a impactos negativos no metabolismo. Nesse sentido, o papel da gordura interesterificada no metabolismo e em fatores relacionados à obesidade tem sido objeto de investigação, embora seus efeitos metabólicos e hepáticos ainda não estejam totalmente esclarecidos. A sinefrina é um composto alcaloide extraído de frutas cítricas, estudado por seus potenciais efeitos na oxidação de gorduras e amplamente utilizado em suplementos dietéticos. Seus efeitos estão relacionados, principalmente, à atuação como agonista de receptores adrenérgicos. A estimulação dos receptores beta-adrenérgicos, por sua vez, está associada ao aumento da termogênese, à lipólise, ao metabolismo da glicose e do colesterol e, possivelmente, à redução da ingestão alimentar. Tendo em vista a necessidade de pesquisas in vivo que avaliem os efeitos da GI no organismo e considerando o potencial da sinefrina em modular o metabolismo energético, escolhemos o modelo de ratos Wistar para a realização deste trabalho. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar os efeitos da administração de gordura interesterificada e sinefrina sobre o ganho de peso e os marcadores hepáticos de estresse oxidativo em ratos Wistar. Para essa pesquisa, foram utilizados 30 ratos machos Wistar, com 60 dias de vida, no qual foram randomicamente separados em quatro grupos experimentais : G1- óleo de soja; G2 - óleo de soja + sinefrina; G3 - Gordura interesterificada; G4- Gordura interesterificada + sinefrina. Os grupos controles (G1) e G2 receberam por gavagem 3g/kg de óleo de soja; e os grupos G3 e G4 receberam a mesma dose de gordura interesterificada e esse protocolo se estendeu por 90 dias, após a suplementação, foi administrado pela mesma via a sinefrina 1,5 mg/kg por 19 dias. Todos os animais ficaram em temperatura e umidade padrão, com água e ração ad libitum e foram mantidos em ciclo claro/escuro de 12 horas. Durante o experimento, a ração e o peso corporal foram registrados diariamente em todos os grupos. Ao final do protocolo, todos os ratos foram eutanasiados e efetuou-se a dissecação do tecido hepático para a realização das análises de estresse oxidativo. Foram realizadas as análises de quantificação de espécies reativas (RS), atividade da catalase (CAT) e a avaliação da atividade da superóxido dismutase (SOD). A dieta com GI levou a um maior aumento de peso comparado aos grupos G3 e G4, possivelmente por alterações na digestibilidade ou metabolismo lipídico da gordura. Desse modo, durante o período de gavagem de gorduras a gordura interesterificada apresentou maior ganho de peso em relação ao óleo de soja. Após a administração do composto, os grupos que receberam sinefrina apresentaram maior ganho de peso em comparação aos demais grupos, especialmente no grupo G4, resultado inesperado, entretanto, não significativo. Quanto às análises de estresse oxidativo, as enzimas CAT e SOD, apresentaram redução das suas atividades no grupo G3, possivelmente indicando estresse oxidativo, entretanto, a sinefrina restaurou parcialmente os níveis dessas enzimas nos grupos suplementados com o composto. Os níveis de RS foram elevados nos grupos G3 e G4, hipotetizando uma lesão hepática por estresse oxidativo, porém a sinefrina reduziu significativamente esses marcadores. Dessa forma, a suplementação com GI aumentou o ganho de peso em relação ao óleo de soja e elevou o estresse oxidativo hepático, enquanto a sinefrina melhorou significativamente a atividade antioxidante hepática e reduziu os danos celulares causados pela suplementação crônica de GI, embora tenha promovido aumento não significativo de peso. Esses achados sugerem que a sinefrina atuou mais como agente antioxidante do que como composto redutor de peso. Ademais, são necessários mais estudos para avaliar os danos no organismo dos ratos.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Downloads
Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Efeitos da Gordura Interesterificada e Sinefrina no Peso e Estresse Oxidativo Hepático de Ratos Wistar. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121285. Acesso em: 14 maio. 2026.