Fontes de Proteína e Eficiência Hídrica: Um Mapeamento Comparativo
Palavras-chave:
pegada, hídrica, sustentabilidade, alimentos, proteicosResumo
Com o aumento populacional, a produção de alimentos tornou-se uma tarefa complexa. A proteína é um dos nutrientes que desempenham funções estruturais, metabólicas e regulatórias essenciais ao organismo. As dietas atuais exigem um elevado fornecimento de proteínas, e tornar essa produção sustentável tem sido um grande desafio, seja a partir de fontes vegetais ou animais. Entre os diferentes recursos naturais envolvidos nesse processo, a água ocupa papel central, tanto pela sua escassez crescente em várias regiões do mundo quanto pela intensidade com que é utilizada nas cadeias produtivas. Diante deste cenário, torna-se relevante adotar uma abordagem que relacione a quantidade de proteína fornecida por determinado alimento ao volume de água empregado em sua produção. Isso é de especial relevância em uma região como o Pampa Gaúcho, reconhecida como uma das áreas de recarga do Aquífero Guarani, onde rios como o Uruguai e o Ibicuí, bem como lagoas como a Mirim e a Mangueira, desempenham papel crucial para a biodiversidade e para o abastecimento humano e agropecuário. Tal análise permite identificar quais alimentos são mais eficientes sob o ponto de vista da disponibilidade nutricional por unidade de recurso hídrico, oferecendo subsídios para políticas públicas, recomendações dietéticas e escolhas de consumo mais sustentáveis, que auxiliem na conservação dos nossos rios, lagos e mananciais. Neste sentido, este trabalho tem como objetivo mapear a eficiência hídrica de alimentos considerados fonte de proteína. Este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa aplicada, de natureza quantitativa, com objetivos exploratórios e descritivos. A abordagem metodológica adotada combina procedimentos manuais e automatizados para coleta, tratamento e análise de dados, de modo a possibilitar o mapeamento da eficiência hídrica de alimentos fonte de proteína. Os dados nutricionais foram obtidos a partir da tabela TACO. No que se refere à pegada hídrica, foram utilizadas duas estratégias de coleta: (i) para cereais e leguminosas, os dados foram extraídos da base FAOSTAT, escolhida por sua ampla utilização e metodologia consolidada; (ii) para carnes e ovos, as informações foram obtidas por meio de uma revisão da literatura científica. A revisão da literatura foi realizada na plataforma Periódicos da CAPES, restringindo-se a trabalhos publicados nos últimos dez anos que continham o termo pegada hídrica no título, sem limitação quanto ao tipo de publicação. A busca inicial resultou em 61 trabalhos, dos quais 21 foram considerados pertinentes após avaliação de escopo. O mapeamento entre as fontes nutricionais e os dados de pegada hídrica foi realizado por meio de uma abordagem semiautomática, utilizando um script em Python com a biblioteca Rapidfuzz para aferição de similaridade textual, seguido de uma avaliação manual. Foram testados diferentes limiares de similaridade (50% a 100%), tendo sido adotado o valor de 50% por apresentar o maior número de correspondências identificadas. As correspondências equivocadas foram excluídas manualmente, e matrizes de grande relevância que não foram identificadas automaticamente foram adicionadas manualmente, como a carne de frango, por exemplo. De acordo com a RDC nº 54/2012, um alimento é classificado como fonte de proteína quando contém ao menos 6 g por porção de 100 g, critério adotado neste estudo para a seleção dos alimentos. A análise integrada dos dados permitiu identificar diferenças significativas na eficiência hídrica da proteína entre os alimentos avaliados. Os resultados mostram que alimentos de origem vegetal apresentam, em geral, melhor desempenho quanto à eficiência hídrica da proteína. Embora a carne bovina apresente elevado teor de proteína, sua pegada hídrica extremamente alta compromete sua eficiência, posicionando-a como o alimento com pior desempenho hídrico entre os 17 analisados. Em contrapartida, grãos se destacam pela combinação de bom teor proteico com menor demanda hídrica relativa. O amendoim, a lentilha, e o grão-de-bico em particular, apresentaram maior eficiência da amostra, reafirmando o papel das leguminosas como fontes de proteína sustentáveis. De forma geral, os resultados evidenciam o potencial da produção de grãos como fonte proteica eficiente, contribuindo para a sustentabilidade hídrica sem substituir, mas complementando, as fontes de proteína animal. Ademais, os resultados indicam a importância de desenvolver métodos que tornem a produção de carne bovina mais eficiente do ponto de vista hídrico.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Fontes de Proteína e Eficiência Hídrica: Um Mapeamento Comparativo. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 2, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121204. Acesso em: 12 maio. 2026.