Esporte inclusivo e voluntariado: vivência de acadêmicos da Unipampa nos Jogos Pan-Americanos de Surdos

Autores

  • Caroline Pacifico
  • Susane Graup
  • Luiz Henrique Krejci de Albuquerque

Palavras-chave:

Educação, Física, Esporte, inclusivo, Voluntariado, acadêmico

Resumo

O paradesporto constitui-se como um fenômeno sociocultural global, permitindo a participação de pessoas com deficiência em condições de igualdade, promovendo saúde, aptidão física e inclusão social. Entre suas manifestações, destacam-se os eventos voltados a atletas surdos, organizados por membros da própria comunidade e pautados na identidade cultural específica e na utilização de línguas de sinais nacionais e internacionais, a realização de grandes eventos paradesportivos demanda a participação de um número significativo de voluntários, sendo o trabalho voluntário essencial para o sucesso e a logística dessas competições. Sendo assim, o presente trabalho apresenta um relato de experiência vivenciado como acadêmica do curso de Educação Física da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) durante a participação voluntária nos Jogos Pan-Americanos de Surdos, realizados no município de Canoas no Rio Grande do Sul. A experiência ocorreu ao longo de uma semana de atividades, em que diferentes demandas foram atribuídas aos voluntários, proporcionando uma vivência ampla do funcionamento de um evento esportivo internacional e inclusivo. Essa participação fez parte de um projeto de extensão da Unipampa, registrado sob o número 2025.EX.UR.3884, que busca estimular o engajamento de estudantes em eventos paradesportivos e ampliar a formação integral por meio da experiência prática. O evento reuniu delegações de diversos países da América e contou com a realização de modalidades esportivas variadas, como atletismo, natação, futebol, vôlei e basquete, além de provas individuais e coletivas que evidenciaram o alto nível técnico dos participantes. As competições ocorreram em diferentes espaços esportivos da cidade de Canoas, adaptados para atender às necessidades de acessibilidade dos atletas surdos e oferecer condições adequadas para a realização dos jogos. Entre as principais atribuições, esteve o apoio aos atletas da modalidade de atletismo, por meio da entrega de água durante as provas, bem como a colaboração junto à equipe de natação, acompanhando os procedimentos de controle antidoping e, posteriormente, exercendo a função de locutora da modalidade. Essa última tarefa representou um grande desafio inicial, marcado pelo nervosismo e pela dificuldade em anunciar raias e nomes de atletas, especialmente estrangeiros, cujas pronúncias exigiam maior atenção. Com o decorrer da atividade, foi possível superar a insegurança e desempenhar a função com maior desenvoltura, reforçando a importância da adaptação e do enfrentamento de novas situações para o crescimento acadêmico e profissional. Além dessas funções, houve também a participação como gandula nos jogos de futebol, bem como o auxílio à arbitragem em momentos que exigiam comunicação com atletas surdos, utilizando sinais básicos aprendidos na formação acadêmica, desempenhando um papel semelhante ao de intérprete em situações pontuais. Essa vivência evidenciou a relevância da comunicação acessível no contexto esportivo e a contribuição da Educação Física para a promoção da inclusão. O esporte inclusivo, nesse sentido, mostrou-se não apenas como espaço de competição, mas também como ferramenta de transformação social, capaz de romper barreiras comunicativas e valorizar a diversidade humana. A atuação voluntária dos acadêmicos representou um elo entre universidade e comunidade, reforçando o compromisso da formação em Educação Física com a cidadania e com o fortalecimento de práticas pedagógicas alinhadas à inclusão. A presença de voluntários em eventos dessa natureza contribui para a democratização do esporte, ao mesmo tempo em que sensibiliza os futuros profissionais para o papel social de sua atuação. Um dos aspectos mais marcantes observados durante os jogos foi a dedicação e profissionalismo dos atletas, mesmo diante das dificuldades estruturais enfrentadas por algumas delegações estrangeiras, que relataram carência de equipamentos adequados, uso de uniformes antigos e até a devolução de materiais ao término da competição para reutilização em edições futuras. Essa realidade evidenciou desigualdades no cenário esportivo internacional, mas também ressaltou a força, a resiliência e o foco dos atletas surdos, que, mesmo diante de limitações, demonstraram alto nível de preparação e desempenho. A experiência como voluntária revelou-se extremamente enriquecedora, pois possibilitou vivenciar a organização de um evento esportivo internacional, refletir sobre a inclusão e o papel social do esporte, além de valorizar a atuação do acadêmico de Educação Física em contextos diversos. Conclui-se que a participação em atividades como os Jogos Pan-Americanos de Surdos contribui de forma significativa para a formação integral, ao promover aprendizado técnico, vivência prática, desenvolvimento humano e compreensão ampliada da responsabilidade ética e social do futuro profissional da área.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2025-10-26

Como Citar

Esporte inclusivo e voluntariado: vivência de acadêmicos da Unipampa nos Jogos Pan-Americanos de Surdos. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121189. Acesso em: 17 abr. 2026.