Auxílio de Desenvolvimento Acadêmico Indígena e Quilombola: Um Relato de Experiência no Campus Unipampa Uruguaiana

Autores

  • Kaliza Reis
  • Antonio Gustavo Alves Vieira
  • Camila Antunes

Palavras-chave:

Indígenas, Quilombolas, ADAIQ, Educação, Superior, UNIPAMPA, Ações, Afirmativas

Resumo

O presente trabalho traz um relato em construção, vinculado ao Auxílio de Desenvolvimento Acadêmico Indígena e Quilombola (ADAIQ), no campus Uruguaiana da Universidade Federal do Pampa. O projeto, intitulado Grupo de Estudos, Integração e Apoio aos Discentes Indígenas e Quilombolas, está nascendo como um espaço coletivo de escuta, acolhimento e partilha de saberes. Ele surge do desejo de criar um lugar em que estudantes indígenas e quilombolas possam se reconhecer, se apoiar e fortalecer sua caminhada acadêmica. A iniciativa vem sendo conduzida por uma estudante bolsista do ADAIQ, em parceria com um discente bolsista do MONIQ e uma docente tutora, alinhando-se às ações afirmativas da Unipampa, que buscam não apenas abrir as portas da universidade, mas também garantir que esses estudantes possam permanecer e se sentir pertencentes a esse espaço. A proposta central do projeto é simples, mas profundamente necessária: criar condições para que os discentes indígenas e quilombolas se sintam acolhidos e apoiados em sua trajetória. Para isso, estão sendo planejadas rodas de conversa, encontros periódicos e atividades coletivas que possibilitem a troca de experiências e a construção de estratégias conjuntas para enfrentar os desafios que surgem no dia a dia. Ainda que, inicialmente, a ideia fosse atender prioritariamente os ingressantes, a ausência de novas entradas pelo processo seletivo específico fez com que o projeto fosse ampliado, alcançando todos os estudantes indígenas e quilombolas do campus. Esse ajuste, longe de ser um obstáculo, se tornou uma oportunidade de ampliar o diálogo e fortalecer ainda mais a rede de apoio. O desenvolvimento do projeto acontece em etapas. O primeiro movimento tem sido mapear e identificar quem são esses estudantes no campus. Esse mapeamento não é apenas uma tarefa burocrática: ele significa reconhecer existências, evitar que essas presenças sejam invisibilizadas e, sobretudo, reunir pessoas que compartilham histórias e desafios semelhantes. A cada estudante identificado, abre-se a possibilidade de criar vínculos de confiança, de troca e de construção coletiva. A partir do mapeamento o foco se voltará para os encontros, que serão organizados como rodas de conversa, onde a voz de cada estudante encontrará espaço para ser ouvida. Acreditamos que nesses momentos, irão emergir relatos de dificuldades semelhantes às que já identificamos, como o impacto da mudança de cidade, a adaptação ao clima e à rotina acadêmica, as limitações financeiras e, infelizmente, as situações de preconceito e racismo que ainda atravessam a vida universitária. Ao partilhar essas vivências amparados pelo grupo, se transforma o que antes era um fardo individual em uma luta e um aprendizado coletivos. O papel do ADAIQ se revela essencial nesse processo. Mais do que garantir apoio financeiro, o auxílio representa reconhecimento e afirmação: sinaliza que a universidade entende a importância da presença indígena e quilombola e que esses estudantes não estão sozinhos em sua caminhada. Esse valor simbólico é poderoso, porque rompe com a lógica da invisibilidade e reforça a ideia de pertencimento, tão necessária para que a permanência se torne possível. Embora ainda em desenvolvimento, o projeto já mostra sinais de que está se tornando um espaço de fortalecimento e integração. As rodas de conversa têm se configurado como momentos de acolhimento e troca, nos quais ideias circulam, laços se estreitam e novas estratégias surgem. Mais do que melhorar o desempenho acadêmico, essas ações começam a fortalecer a autoconfiança, a identidade e a convicção de que cada um desses estudantes tem lugar legítimo dentro da universidade. Assim, o Grupo de Estudos, Integração e Apoio aos Discentes Indígenas e Quilombolas segue sendo construído coletivamente, passo a passo. Ele não se limita a uma atividade acadêmica, mas se apresenta como uma vivência transformadora, que articula acolhimento, resistência e pertencimento. Ao apostar no diálogo e na valorização da diversidade, o projeto reafirma o papel do ADAIQ como um instrumento essencial de promoção da equidade, ajudando a fazer da universidade um espaço verdadeiramente plural e inclusivo.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Auxílio de Desenvolvimento Acadêmico Indígena e Quilombola: Um Relato de Experiência no Campus Unipampa Uruguaiana. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121175. Acesso em: 16 abr. 2026.