Junipampa na Escola: Oficinas em Escolas Públicas Pelo Laboratório de Leitura e Produção Textual

Autores

  • Willians Jardim Barbosa
  • Nathalia Peralta Reis
  • Franco Flores de Etcheverry
  • Flávia Alves Azambuja
  • Clara Dornelles

Palavras-chave:

Oficina, Extensão, Expressão, artística

Resumo

A atividade de oficinas pode ser uma forma de estimular os participantes (alunos) em práticas que não lhes são costumeiras. Como práxis, a pessoa que conduz tal atividade, o oficineiro, apresenta a teoria que subsidia a prática em questão, os conceitos relacionados, além de oferecer o ferramental necessário aos alunos para a prática proposta. Em seguida, incentiva-os a experimentar esses conhecimentos na prática, possibilitando a descoberta de novos hobbies, paixões ou até mesmo uma nova profissão. Dessa forma, na etapa do ensino médio e anos finais do ensino fundamental, uma fase em que os jovens estão se questionando sobre quais caminhos profissionais trilhar, a atividade de oficinas ganha contornos específicos. São esses contornos, cheios de descobertas, que o Laboratório de Leitura e Produção Textual (LAB), com fomento da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEC), observou ao desenvolver três oficinas em diferentes escolas públicas na cidade de Bagé/RS - EEEM José Gomes Filho, EMEF Dr. João Severiano da Fonseca e EMEF Peri Coronel, realizadas no segundo semestre de 2024. O LAB se filia a uma concepção ampla de texto e produção textual, compreendendo-os não somente como palavra escrita, mas também imagem, tanto estática quanto em movimento, quando ambas as instâncias - escrita e imagem - se inserem em um processo de interlocução que produz efeitos de sentido entre sujeitos. Fruto de uma oficina do LAB em 2012, o Jornal Universitário do Pampa (Junipampa) é um webjornal inter/transdisciplinar que, em articulação com a comunidade externa à universidade, busca estimular a escrita colaborativa, experimental e a expressão por textos multimodais. Em 2024, a ação Junipampa na Escola busca uma relação de troca de conhecimentos com as escolas públicas por meio da parceria com oficineiros da comunidade não-acadêmica. Seguindo essa perspectiva, as três oficinas foram momentos de partilha de conhecimentos técnicos e práticos com alunos dessas escolas. As três partilharam também a questão das diversas possibilidades de se posicionar no mundo através da expressão artística, contudo utilizando diferentes linguagens, conforme o gênero que intencionaram mobilizar. As oficinas, por meio do Edital Profext/2024, foram: 1) Cinema e memórias: narrativas, olhares e práticas audiovisuais, com o gênero vídeo-minuto; 2) Vídeo-poemas, com o gênero vídeo-poemas; e 3) Tentativas de habitar Bagé, com o gênero videoarte experimental. Sendo os gêneros tipos relativamente estáveis de enunciados (Bakhitn, 1997), os três oficineiros/artistas apresentaram aos alunos não somente a textos teóricos e a técnicas de se expressar em dado gênero, mas também propuseram possibilidades de transpor os limites de categorização, colocando o sujeito fazedor no centro do processo de sua própria expressão. Como produtos de práticas sociais que são, os gêneros podem ser adaptados à finalidade da comunicação em uso e às intenções do enunciador. As oficinas possibilitaram aos alunos a apropriação de práticas de linguagem às quais talvez eles não tenham acesso em seu cotidiano, efetivando letramentos multimidiáticos e/ou literários/criativos, que evidenciam o caráter fluído e polissêmico dos gêneros trabalhados. Observou-se que esses momentos trouxeram aos alunos impactos positivos, que se traduziram desde uma reinterpretação do que é arte, até mesmo a uma ressignificação ao ambiente que os cercam. Aos bolsistas cadastrados no projeto, essa ocasião serve para a sua formação, como experiência em extensão, participando de todos os trâmites envolvidos, desde a negociação com os oficineiros até questões de logística, registros e a elaboração das oficinas em si. Na página junipampa.info, iniciativas como oficinas em escolas públicas são documentadas, em textos em que se encontram os depoimentos dos próprios estudantes que participaram das ações. É nas palavras desses adolescentes que se ratifica que a bateria de oficinas de 2024 atingiu os seus objetivos de mostrar a possibilidade de ter a arte como ofício, mas também como expressão humana.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Junipampa na Escola: Oficinas em Escolas Públicas Pelo Laboratório de Leitura e Produção Textual. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121173. Acesso em: 16 abr. 2026.