A Importância da Educação em Saúde nas Escolas: Novos Desafios no Contemporâneo
Palavras-chave:
Promoção, saúde, Educação, popular, Saúde, ColetivaResumo
O cenário epidemiológico brasileiro evidencia de forma contundente a urgência de intervenções em saúde voltadas ao ambiente escolar, especialmente quando se analisam os dados relacionados à obesidade infantil, que afeta cerca de 3,1 milhões de crianças menores de 10 anos, sendo mais de 340 mil já diagnosticadas no Sistema Único de Saúde em 2024. As projeções do Atlas Mundial da Obesidade 2024, elaboradas pela Federação Mundial da Obesidade, alertam que até 2035 metade das crianças e adolescentes brasileiros poderá apresentar sobrepeso ou obesidade, cenário que se soma aos preocupantes indicadores de saúde mental da população infantojuvenil, com crescimento de casos de transtornos depressivos, ansiedade e tentativas de suicídio, o que reforça a necessidade de intervenções educativas amplas, interdisciplinares e contínuas no espaço escolar. Nesse contexto, a educação em saúde nas escolas emerge não apenas como uma estratégia preventiva, mas como verdadeiro imperativo médico-social, fundamental para o enfrentamento das múltiplas vulnerabilidades que comprometem o desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social das novas gerações. O Programa Saúde na Escola (PSE), instituído em 2007 por meio do Decreto nº 6.286, já representava uma resposta intersetorial a essa demanda ao integrar os setores de Saúde e Educação, promovendo a articulação de saberes e a prevenção de agravos no ambiente escolar. É nesse marco que se insere o projeto de extensão Unipampa nas Escolas: Educação em saúde nas escolas municipais e estaduais no município de Uruguaiana, iniciado em 2023, que busca articular universidade, serviços de saúde e comunidade de forma a potencializar a cidadania e contribuir para a transformação social. O projeto tem como objetivo geral cooperar com a educação em saúde nas escolas municipais e estaduais do município, articulando promoção da saúde e processo formativo, e como objetivos específicos identificar demandas e vulnerabilidades da comunidade escolar, desenvolver campanhas de prevenção, incentivar hábitos de vida saudáveis, vacinação e práticas de autocuidado, fomentar o protagonismo estudantil e fortalecer a integração entre escolas, Estratégias de Saúde da Família (ESFs) e a universidade. Sua metodologia se caracteriza pela atuação da Liga Acadêmica de Saúde da Família (LASF) da UNIPAMPA, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, a 10ª Coordenadoria Regional de Educação e escolas locais, envolvendo estudantes de Medicina, Enfermagem e Fisioterapia sob supervisão docente. As atividades são pactuadas com a comunidade e planejadas de modo intersetorial, incluindo rodas de conversa, oficinas e palestras sobre alimentação saudável, saúde mental, higiene, gênero, sexualidade, prevenção de violências e imunização, além de triagens de visão e audição e elaboração de materiais educativos impressos e digitais. A metodologia ancora-se na educação popular em saúde, adaptada à faixa etária e ao contexto de cada público, buscando sempre a construção coletiva do conhecimento, a valorização dos saberes locais e a criação de espaços de diálogo e acolhimento. Os resultados observados desde 2023 demonstram que o projeto tem fortalecido a integração entre universidade, escolas e serviços de saúde, gerando impactos positivos tanto na formação acadêmica dos estudantes, que desenvolvem competências comunicacionais, empáticas e interdisciplinares ao atuar em territórios marcados por vulnerabilidades sociais, quanto na comunidade escolar, que se beneficia com maior conscientização sobre saúde física e mental, estímulo à vacinação e adoção de hábitos saudáveis. O caráter participativo das ações, que envolve famílias, docentes e gestores, amplia a adesão, potencializa soluções coletivas e favorece a sustentabilidade do projeto, embora permaneçam como desafios as disparidades estruturais entre escolas públicas e privadas, especialmente no acesso a alimentação de qualidade e infraestrutura de higiene, o que evidencia a necessidade de políticas públicas permanentes e consistentes. Dessa forma, confirma-se que a educação em saúde deve transcender a simples transmissão de informações, incorporando a intervenção sobre determinantes sociais e ambientais da saúde e integrando dimensões biológicas, psicológicas, sociais e culturais, de modo a favorecer a autonomia dos sujeitos e a equidade no cuidado. A experiência do projeto Unipampa nas Escolas reafirma a escola como espaço privilegiado de promoção da saúde, prevenção de agravos e enfrentamento das vulnerabilidades sociais, ao mesmo tempo em que reforça a extensão universitária como pilar da formação crítica e cidadã. Considerando que o futuro da humanidade está intrinsecamente relacionado à forma como educamos nossas crianças, a educação em saúde deve ser entendida como prática emancipatória, capaz de formar indivíduos críticos, conscientes e comprometidos com sua saúde e com a transformação da sociedade em consonância com a perspectiva de educação como prática libertadora.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A Importância da Educação em Saúde nas Escolas: Novos Desafios no Contemporâneo. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121148. Acesso em: 16 abr. 2026.