Laser de baixa intensidade e corrente Aussie na cicatrização de úlcera venosa: relato de caso
Palavras-chave:
Cicatrização, feridas, Fisioterapia, Qualidade, vidaResumo
As úlceras venosas (UV) representam um problema relevante de saúde pública, principalmente no Brasil, onde o envelhecimento populacional tem aumentado a prevalência de doenças crônicas. Estima-se que cerca de 1% da população geral apresente UV, índice que pode aumentar para até 4% em idosos acima de 80 anos e 10% em pessoas com diabetes mellitus, evidenciado a gravidade da condição. Além do impacto físico, a presença de UV está associada a dor crônica, risco de infecção, limitações funcionais e consequentemente prejuízo na qualidade de vida. Estudos mais recentes mostraram que o uso do laser de baixa intensidade (Low Level Laser Therapy - LLLT) se mostrou promissor no tratamento de feridas como a UV devido aos seus efeitos fisiológicos, que incluem ação anti-inflamatória, estímulo a microcirculação, modulação do estresse oxidativo e aumento da produção de adenosina trifosfato (ATP), favorecendo assim, a regeneração tecidual. A corrente Aussie, por sua vez, caracteriza-se como uma corrente alternada de média frequência modulada em bursts, possuindo a capacidade de induzir contrações musculares confortáveis e eficazes, estimulando o retorno venoso e o fluxo sanguíneo local. A combinação dessas duas modalidades pode potencializar os mecanismos envolvidos no reparo tecidual, especialmente em pacientes que apresentam limitação funcional para a realização de exercício ativos. Este trabalho tem como objetivo relatar a evolução clínica de uma paciente portadora de UV crônica submetida a protocolo fisioterapêutico associando a LLLT e a corrente Aussie. Trata-se de um relato de caso proveniente de uma ação extensionista, a qual promove atendimentos fisioterapêuticos à comunidade de Uruguaiana, vinculada ao projeto de extensão O uso dos recursos físicos no tratamento das disfunções dos sistemas musculoesquelético e tegumentar. Paciente do sexo feminino, 59 anos, com diagnóstico de UV crônica em membro inferior direito, cerca de três anos, foi acompanhada durante cinco meses no laboratório do Grupo de Estudos e Pesquisa em Eletrotermofototerapia (GEPEletro) da Universidade Federal do Pampa. As sessões ocorreram duas vezes por semana, totalizando assim 20 atendimentos. O protocolo consistiu na aplicação de LLLT vermelho, modelo DMC E-light-8 (100mW) com comprimento de onda de 660nm, aplicado em 8 pontos com 4J por ponto, associado à corrente Aussie, com parâmetros de frequência de 8hz, frequência portadora de 1Khz, duração de burst de 4ms, tempo de tratamento de 30min, com posicionamento de eletrodos em overlap abrangendo a região da lesão. O acompanhamento da evolução foi realizado por registro fotográficos padronizados em três vistas (anterior, medial e lateral), e as imagens foram analisadas através do software ImageJ para a mensuração da área da úlcera. Por tratar-se de relato de caso, a análise foi descritiva (%), considerando evolução clínica da lesão ao longo do tempo, comparações fotográficas e registros de melhora sintomática. Na avaliação inicial, a área da da UV correspondia à 87,75cm², 149,3 cm² e 52,5 cm², vistas anterior, medial e lateral, respectivamente. Após cinco meses de intervenção, observou-se uma redução de 57,5%, 44,4% e 51,24%, representando uma diminuição de 48,1% da área total da lesão. Esse resultado indica um efeito positivo da terapia combinada na aceleração da cicatrização. Observou-se uma redução mensurável da área da UV, acompanhada da melhora da dor e da tolerância às atividades funcionais, aspectos que reforçam a efetividade do protocolo não apenas na cicatrização, mas também no alívio dos sintomas e na melhoria da condição clínica geral, e consequentemente, a um efeito benéfico para a realização de atividades diárias. Portanto, o presente relato de caso demonstra que ações que promovam tratamento fisioterapêutico com a associação do LLLT com a corrente Aussie, tem um efeito positivo, contribuindo para o processo de cicatrização da úlcera venosa crônica, promovendo uma redução importante da área da lesão e melhora clínica da paciente. Este trabalho destaca a aplicabilidade clínica da combinação de fototerapia e eletroterapia como estratégia complementar no tratamento de UV, indicando que pode ser uma alternativa segura e promissora, além de evidenciar a importância da fisioterapia no que tange a reabilitação de condições crônicas que possam comprometer a qualidade de vida.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Laser de baixa intensidade e corrente Aussie na cicatrização de úlcera venosa: relato de caso. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121136. Acesso em: 16 abr. 2026.