entre Saberes e Territórios: a Experiência do Escuta Viva na Promoção da Saúde Indígena e Quilombola Dentro da Universidade Federal do Pampa
Palavras-chave:
Cuidado, desigualdades, diversidade, cultural, valorização, ensino, superior, saúde, interculturalResumo
O projeto de extensão A Grande Saúde dos Povos tem como base os princípios da troca e contato da educação intercultural, considerando como pauta principal a promoção de encontros que reverberem aquilo que os povos quilombolas e indígenas estudantes da UNIPAMPA - Campus Uruguaiana e as comunidades tradicionais da região compreendem e produzem como saúde, unindo, dessa forma, saberes ancestrais e acadêmicos. A iniciativa tem como base a ideia de grande saúde, conceituada por Nietzsche e Spinoza, a qual propõe a transmutação de saberes e experiências negativas em estímulos que fortaleçam e possibilitem a construção de uma vida melhor, subvertendo algumas noções eurocentradas de saúde, dor, pobreza, progresso. Busca-se assim maximizar a adesão de estudantes indígenas e quilombolas da UNIPAMPA, buscando contribuir para a redução da evasão e para o aumento da permanência destes povos no meio acadêmico, bem como para o ensino superior em saúde dos povos tradicionais. A ação de extensão Escuta Viva: Saúde nas Vozes Indígenas e Quilombolas, desenvolvida no âmbito do referido projeto, constitui um espaço de diálogo e valorização da diversidade cultural no campo da saúde. Para isso, baseia-se em uma série de encontros e ações que visam promover experiências onde estudantes indígenas e quilombolas e comunidades tradicionais de diferentes regiões possam articular maneiras de experienciar e divulgar como a saúde é vivenciada, transmitida e preservada por esses povos. Realizado em encontros virtuais mensais, a ação busca trazer para a universidade discussões sobre a saúde das populações tradicionais, dos povos originários e do povo negro, reconhecendo a importância de ouvir suas vozes e perspectivas. A proposta nasce da compreensão de que esses grupos enfrentam desigualdades históricas e estruturais, que impactam diretamente seu acesso ao cuidado em saúde e sua qualidade de vida. A Escuta Viva privilegia rodas de conversa, palestras e oficinas em que o protagonismo é dado às próprias comunidades, fortalecendo a ideia de que a saúde deve ser compreendida de maneira ampliada, em diálogo com a cultura, o território e a identidade coletiva. Ao unir saberes acadêmicos e tradicionais, o evento desmistifica preconceitos e amplia a compreensão sobre práticas de cuidado, espiritualidade, saúde mental e corporal, além de denunciar barreiras impostas pelo racismo estrutural, pela pobreza e pela exclusão social. Para estudantes e profissionais da saúde, a participação no Escuta Viva representa uma experiência de formação ampliada, que os sensibiliza para práticas de cuidado culturalmente adequadas. Como destaca Crenshaw (2018), a compreensão de desigualdades exige uma perspectiva interseccional, que leve em conta a sobreposição de marcadores como raça, gênero, classe e território. Assim, o evento fortalece a construção de práticas de saúde críticas e humanizadas. A aproximação com a realidade das comunidades quilombolas e indígenas contribui para a construção de práticas de saúde culturalmente sensíveis, alinhadas com os princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e das políticas públicas específicas, como a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. Nesse sentido, os eventos reafirmam a universidade como espaço de resistência e transformação social. Além disso, o evento se insere nas diretrizes das políticas públicas brasileiras. O Ministério da Saúde (2002, p. 12) destaca que a atenção à saúde indígena deve considerar as práticas tradicionais de cuidado e a participação ativa das comunidades nos processos de decisão. De forma semelhante, a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (BRASIL, 2017) reforça a necessidade de enfrentar o racismo institucional e estrutural que perpetua desigualdades em saúde. A ação Escuta Viva: Saúde nas Vozes Indígenas e Quilombolas reafirma a importância da escuta ativa e do reconhecimento dos saberes de povos historicamente silenciados. Para Lopes (2012), a superação das desigualdades em saúde depende da valorização da identidade e da história desses grupos. Ao promover encontros mensais que articulam universidade e comunidades, o evento reforça o papel social da universidade pública como promotora de equidade e justiça social. Mais do que um projeto de extensão, o Escuta Viva se constitui como um movimento de resistência cultural e de defesa de um SUS inclusivo, plural e verdadeiramente universal. Com início em julho de 2025, até o momento foram realizados dois encontros: com a médica indígena Maria Fernanda Novaes (Povo Atikum/PE) e com o antropólogo indígena Dr. João Paulo Barreto (Povo Yepamahsã-Ukano/AM), ambos tiveram ampla adesão de docentes e discentes de diferentes campus da Unipampa, bem como de representantes de outras universidades.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
entre Saberes e Territórios: a Experiência do Escuta Viva na Promoção da Saúde Indígena e Quilombola Dentro da Universidade Federal do Pampa. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121131. Acesso em: 17 abr. 2026.