Educação Alimentar e Nutricional: Vivências Lúdicas e Reflexivas em Contextos Escolares e Universitários

Autores

  • Cristiano Vieira Junior
  • Eduarda Santos dos Reis
  • Julia Beier Guedes
  • Nathaly Fuenzalida de Lemos
  • Lana Carneiro Almeida

Palavras-chave:

Guia, alimentar, Atenção, plena, Práticas, pedagógicas

Resumo

A Educação Alimentar e Nutricional (EAN) configura-se como uma estratégia fundamental para a promoção da saúde e prevenção de doenças, uma vez que os hábitos alimentares são construídos ao longo da vida e sofrem forte influência de fatores sociais, culturais e midiáticos. A adolescência e o ingresso na universidade são períodos críticos para a formação de comportamentos alimentares, pois os indivíduos se deparam com maior autonomia de escolha, mas também com a exposição a informações contraditórias, muitas vezes sem respaldo científico, difundidas especialmente pelas redes sociais. Nesse contexto, emergem desafios como a valorização de alimentos ultraprocessados, a prática de refeições rápidas e distraídas e a desinformação nutricional. Com o intuito de ampliar o conhecimento e estimular escolhas mais conscientes, foram desenvolvidas três intervenções educativas: Saúde no Prato, Desvendando o Prato e Comer, sentir e Nutrir, que objetivam, a partir dos princípios do Guia Alimentar para a População Brasileira e da pedagogia libertadora de Paulo Freire, buscam desmistificar informações equivocadas, incentivar a reflexão crítica e promover práticas como a atenção plena e a comensalidade. As atividades foram realizadas no âmbito do projeto de extensão, intitulado: SimplificaNutri Aprendendo com o Guia Alimentar na Escola e vinculadas ao componente curricular Educação Alimentar e Nutricional do curso de Nutrição da UNIPAMPA Campus Itaqui, entre os meses de março e junho de 2025. Contando com a participação de 24 adolescentes do 8º ano do ensino fundamental (13-14 anos) e do 9º ano (14-15 anos), além de 24 estudantes ingressantes do curso de Nutrição (18-19 anos). As etapas das intervenções, ocorreram da seguinte maneira: primeiramente com a ativação dos saberes prévios, com perguntas que problematizaram sobre a alimentação saudável, mitos alimentares, hábitos cotidianos e conceitos de comensalidade e atenção plena. Posteriormente com a construção do conhecimento, por meio de metodologias ativas e lúdicas, como: dinâmicas de Mitos e Verdades, jogo de classificação de alimentos conforme o grau de processamento, exposição dialogada com slides interativos, prática de atenção plena ao comer, adaptada do exercício de Kabat-Zinn. E finalizando com a validação participativa, realizada através do jogo competitivo e colaborativo Desafio Saudável: Você topa?, e de formulários digitais de satisfação e aprendizagem. As intervenções apresentaram elevada participação e receptividade dos diferentes públicos, no caso dos adolescentes do ensino fundamental, observou-se entusiasmo nas dinâmicas e debates, além de significativa correção de equívocos sobre mitos alimentares. No jogo avaliativo, aproximadamente 80% acertaram as questões propostas. Entre os universitários, a prática da atenção plena e da comensalidade foi amplamente aceita, resultando em 100% de acertos nas avaliações conceituais. A avaliação de satisfação indicou boa aceitação em todos os grupos, onde mais de 70% classificou as atividades como excelentes e os demais como boas. Os depoimentos espontâneos evidenciaram que os participantes se sentiram motivados a repensar seus hábitos alimentares, destacando a relevância de incorporar momentos de maior consciência e criticidade em suas escolhas diárias. As experiências demonstraram que estratégias pedagógicas participativas e interativas são eficazes para o ensino de nutrição em diferentes contextos, tanto escolares quanto universitários. O uso de jogos, dinâmicas e práticas vivenciais favoreceu a construção coletiva de saberes, a valorização dos conhecimentos prévios e a ampliação do pensamento crítico sobre a alimentação. Além disso, ressaltou-se o papel do nutricionista como educador e agente de transformação social, contribuindo para aproximar o conhecimento científico da realidade cotidiana. Como desafios, destacam-se a necessidade de aperfeiçoar a explicação sobre a classificação dos alimentos para evitar interpretações equivocadas e de adotar estratégias de mobilização mais eficazes para ampliar a adesão dos participantes. Em síntese, as intervenções não apenas transmitiram conteúdos, mas promoveram reflexões e mudanças de percepção, constituindo-se em ferramentas potentes para a formação de hábitos alimentares mais saudáveis e sustentáveis.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Educação Alimentar e Nutricional: Vivências Lúdicas e Reflexivas em Contextos Escolares e Universitários. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121126. Acesso em: 16 abr. 2026.