Cigarro Eletrônico Entre Jovens: Relato de Vivência de Acadêmicos de Medicina em Ação Escolar
Palavras-chave:
Adolescência, Prevenção, ao, tabagismo, Dispositivos, eletrônicos, para, fumarResumo
Observa-se uma crescente prevalência do uso de Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) entre jovens, especialmente em idade escolar, mesmo com a proibição da comercialização pela Anvisa desde 2009. Esse cenário é impulsionado pela popularidade desses dispositivos amplamente divulgados de maneira interpessoal, pelos sabores atrativos e pela falsa percepção de que tais dispositivos representam menor risco à saúde. Diversos estudos apontam os impactos negativos do uso dos DEFs, incluindo dependência de nicotina, prejuízos ao desenvolvimento cerebral, doenças respiratórias e cardiovasculares, além de potenciais efeitos cancerígenos. Também estão associados a problemas de saúde mental, como ansiedade e queda no rendimento escolar. Nesse contexto, reforça-se a relevância das práticas de extensão universitária, que constituem um eixo formativo obrigatório desde o início da graduação em medicina, estimulando os acadêmicos a desenvolverem ações que articulem ensino, pesquisa e compromisso social. Assim, destaca-se a importância de atividades educativas com adolescentes, público mais vulnerável a esses efeitos. A ação extensionista teve como objetivo relatar as vivências de acadêmicas a partir de uma intervenção em uma escola pública da Fronteira Oeste, abordando o uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes. Trata-se de um relato de experiência, desenvolvido a partir de uma ação de extensão realizada por acadêmicas do 2º semestre de Medicina da Universidade Federal do Pampa, vinculadas ao componente curricular de Ações Comunitárias Integrativas I. O público-alvo foram estudantes do 3º ano do ensino médio e do 9º ano do Colégio Estadual Romaguera Côrrea. A atividade ocorreu em três momentos: dois encontros com os alunos e uma reunião prévia com a direção da escola, nos dias 5 e 12 de novembro de 2024. O componente curricular busca fomentar a autonomia dos acadêmicos em ações de extensão, permitindo que escolham a temática, o público e o local de realização. Dessa forma, optou-se por trabalhar a conscientização sobre os riscos dos cigarros eletrônicos. O primeiro encontro foi realizado com o diretor da escola, a fim de alinhar a proposta e compreender as necessidades da instituição. A direção considerou a ideia proveitosa e sugeriu priorizar turmas mais expostas ao tema. Nos encontros com os estudantes, as acadêmicas utilizaram inicialmente uma abordagem expositiva para apresentar os riscos do cigarro eletrônico, explicando o funcionamento dos dispositivos e seus prejuízos físicos, mentais e sociais. Realizou-se dinâmica via Kahoot, com prêmios simbólicos para estimular a participação. Durante a execução da atividade, foram observadas tanto potencialidades quanto fragilidades. Entre os desafios, destacaram-se: ajuste do cronograma devido ao feriado, inclusão de nova faixa etária e limitações de recursos tecnológicos. Além disso, a postura impositiva de uma docente dificultou a interação em determinado momento. Para superar os obstáculos, as acadêmicas ajustaram a linguagem, utilizaram recursos próprios e ampliaram suas pesquisas, recorrendo a estudos sobre cigarros tradicionais para suprir lacunas referentes aos efeitos de longo prazo dos DEFs. Ao final, houve avaliação dos jovens sobre a relevância da apresentação. No quiz, 83% das respostas foram corretas, indicando boa absorção; no formulário, 91,1% dos 45 respondentes consideraram o tema muito relevante, e a maioria avaliou a qualidade das informações como muito alta. A atividade foi amplamente elogiada pela interação promovida e pelo caráter gamificado, com solicitações para repetição em outras turmas. O impacto da intervenção ultrapassou a transmissão de informações, permitindo compreender como o uso de cigarros eletrônicos está inserido na cultura juvenil, associado a pressões sociais e à busca por pertencimento. Também se discutiu como o uso pode funcionar como uma forma de fuga emocional em uma fase marcada por mudanças intensas, reforçando a necessidade de fomentar resiliência e alternativas saudáveis. A vivência extensionista promoveu reflexão crítica e estimulou hábitos saudáveis entre adolescentes da rede pública escolar, sensibilizando-os para os riscos do uso de cigarros eletrônicos e reafirmando a escola como espaço de promoção da saúde e cidadania. Conclui-se que ações educativas de caráter participativo são estratégias eficazes para integrar saúde e educação, sensibilizando adolescentes e contribuindo para a formação de jovens mais críticos e conscientes. Isso favorece a prevenção de agravos e a construção de uma sociedade mais responsável. As acadêmicas perceberam, de forma positiva, a importância das ações de extensão em escolas durante a graduação. Trata-se de uma experiência enriquecedora e transformadora, que contribui para a formação e desenvolvimento de empatia dos futuros profissionais de saúde.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Cigarro Eletrônico Entre Jovens: Relato de Vivência de Acadêmicos de Medicina em Ação Escolar. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121125. Acesso em: 16 abr. 2026.