Aprendizado Inicial do Handebol no 6º Ano: Desafios e Conquistas nas Aulas de Educação Física

Autores

  • Fernando Brasil Oliveira
  • Miriam Raquel de Freitas Monteiro
  • Marta Íris Camargo Messias da Silveira
  • Diego de Matos Noronha

Palavras-chave:

Handebol, Educação, Física, Desafios

Resumo

A formação integral dos alunos, que envolve aspectos motores, cognitivos, sociais e emocionais, constitui-se como um dos eixos centrais da Educação Física escolar, visto que a disciplina ultrapassa a dimensão do movimento corporal e possibilita aprendizagens significativas para a vida cotidiana. Além de contribuir para o desenvolvimento físico, a área também favorece a valorização cultural, a socialização, o respeito às diferenças e a criação de vínculos entre os estudantes, tornando o ambiente escolar mais dinâmico, atrativo e menos restrito a uma lógica exclusivamente formal. Nesse contexto, a introdução de modalidades esportivas diversas torna-se fundamental para ampliar o repertório dos alunos e romper com a centralidade de práticas já consolidadas, como o futebol. O presente relato descreve a experiência pedagógica de ensino do handebol para estudantes do 6º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Alceu Wamosy, sendo a única escola de tempo integral do município de Uruguaiana (RS) que fica na zona rural, destacando as conquistas alcançadas, os desafios enfrentados e as estratégias utilizadas pela professora para promover uma participação efetiva de toda a turma. Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, do tipo relato de experiência. O objetivo principal foi refletir sobre como uma abordagem flexível, inclusiva e pautada no incentivo e na paciência pode contribuir para o engajamento dos alunos, mesmo diante de dificuldades iniciais de coordenação, timidez ou pouca familiaridade com a modalidade. As aulas foram organizadas em dois momentos complementares. No primeiro, realizado em sala de aula, a professora apresentou os conteúdos teóricos do handebol, abordando as regras básicas, o número de jogadores, as técnicas fundamentais (passe, recepção, arremesso e dribles), bem como as marcações da quadra e noções estratégicas gerais da modalidade. Essa etapa possibilitou que os estudantes compreendessem as bases conceituais do jogo e participassem ativamente das discussões, mesmo que muitos mantivessem preferência declarada pelo futebol, esporte de maior presença em seu cotidiano. No segundo momento, já na quadra, ocorreram as práticas corporais. A professora organizou atividades que envolviam a execução de movimentos básicos do handebol, permitindo observar as diferenças individuais entre os alunos. Enquanto alguns apresentaram maior desenvoltura devido a experiências prévias em esportes coletivos, outros evidenciaram dificuldades relacionadas à coordenação motora, à timidez diante do grupo ou à assimilação das regras. A postura da professora, entretanto, foi determinante para o progresso da turma, pois circulava entre os grupos oferecendo correções individualizadas, reforço positivo e estímulos constantes, valorizando cada tentativa de execução, mesmo quando os gestos técnicos não estavam perfeitos. Os resultados demonstraram que o ambiente encorajador favoreceu o envolvimento dos alunos. Aqueles que inicialmente demonstravam resistência ou insegurança começaram a se arriscar e a participar com mais entusiasmo, reforçando a ideia de que a confiança construída por meio do incentivo é essencial para o aprendizado esportivo. Outro aspecto relevante foi a semelhança estrutural entre o handebol e o futebol, já que ambos são jogos invasivos cujo objetivo é avançar em direção à meta adversária. Essa familiaridade ajudou na compreensão das estratégias coletivas e facilitou o engajamento da turma, embora o uso predominante das mãos tenha representado um desafio inicial para alguns. Ao longo da prática, foi possível observar que mesmo os alunos com maiores dificuldades passaram a se soltar, tentar os movimentos e experimentar progressos, o que reforça a importância de respeitar os ritmos individuais e de criar um espaço descontraído para a aprendizagem. Conclui-se que o ensino do handebol no 6º ano da EMEF Alceu Wamosy evidenciou a relevância da Educação Física escolar não apenas para o desenvolvimento técnico, mas também como promotora da socialização, do trabalho em equipe, do respeito às diferenças e do fortalecimento da autoestima dos estudantes. A experiência mostra que práticas pedagógicas flexíveis, inclusivas e lúdicas são capazes de superar barreiras e motivar todos os alunos a participarem ativamente, independentemente de suas dificuldades iniciais. Assim, o handebol revelou-se uma ferramenta pedagógica potente, capaz de ampliar habilidades motoras, favorecer a integração social e contribuir para a construção de valores importantes na formação cidadã. Recomenda-se que futuras intervenções explorem estratégias ainda mais criativas e lúdicas, visando facilitar a assimilação de conceitos por parte dos alunos menos familiarizados com a modalidade e consolidar a prática esportiva como espaço de inclusão, respeito e aprendizado coletivo dentro da escola.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Aprendizado Inicial do Handebol no 6º Ano: Desafios e Conquistas nas Aulas de Educação Física. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121119. Acesso em: 17 abr. 2026.