Trilha Urbana do Marduque: Observação dos Impactos da Cheia e Valorização Cultural na Extensão Universitária

Autores

  • Rafaelly Barbosa
  • Nadine Severe Mengue
  • Patrick Natã da Silva Anhaia
  • Alvaro Cunha

Palavras-chave:

Trilha, Urbana, Enchente, Cultura, local

Resumo

A emergência climática experimentada por tod@s exige que nossas práticas pedagógicas possam, de alguma forma, abarcar a dimensão ambiental do ato educativo. Todas as áreas do conhecimento estão sendo chamadas a pensar novas possibilidades de modelos econômicos e sociais que não ameacem a sobrevivência de 20% dos humanos e o restante dos seres habitantes da Terra. O Grupo de Estudos e Extensão Movimento e Ambiente atua nesta direção há quinze anos na Universidade Federal do Pampa. O Grupo de Estudos e Extensão Movimento e Ambiente dedica-se a investigar as realidades socioambientais das comunidades escolares, no qual está inserido através de caminhadas com professoras e estudantes; além de realizar práticas ambientais com extensionistas através de trilhas urbanas, expedições de estudo e acampamentos. Este trabalho é um pequeno recorte das ações do GEEMA Trata-se de uma Trilha Urbana, ocorrida no final do semestre de 2025 com o objetivo de sensibilizar estudantes e comunidade sobre as relações entre ambiente urbano, desigualdade social e cultura, por meio da vivência direta no bairro Mascarenhas (Ilha do Marduque) e áreas ribeirinhas adjacentes; embora o plano inicial fosse percorrer até a foz do Salso de Cima, a cheia do rio Uruguai inviabilizou a rota original, o que levou à adaptação do percurso para observação e reflexão sobre os efeitos da inundação. A caminhada teve início em frente ao Hotel River, na rua Sete de Setembro, onde foram identificados acúmulos de lixo irregular e moradores em situação de rua ocupando calçadas como moradia improvisada, instigando debates sobre falhas nas políticas públicas habitacionais e sociais. No percurso, diversas áreas se encontravam alagadas, obstruindo a circulação e evidenciando a vulnerabilidade da ocupação urbana nas margens do rio; o grupo realizou paradas em pontos estratégicos para discutir, com apoio do professor, a história do bairro, suas dinâmicas sociais, peculiaridades culturais e conhecer o arroio Salso de Cima completamente cheio sendo impossível perceber seu leito e que junto com o arroio Salso de Baixo praticamente abraçam/delimitam a parte urbana do município. Foi destacada a escola de samba Ilha do Marduque como símbolo de identidade comunitária e resistência, atuando para fortalecer práticas culturais e sociabilidade local além do carnaval. Também foi realizada visita ao museu do bairro, cuja estrutura precária e falta de manutenção apontaram descaso institucional e ausência de envolvimento comunitário na preservação do patrimônio cultural, provocando reflexões sobre o papel da coletividade na salvaguarda da memória local; apesar da péssima conservação o museu do rio Uruguai nos permitiu um contato com a identidade geográfica do município desde antigas embarcações que cruzavam o rio até a cultura esquecida dos balseiros em um tempo onde a navegação pelas águas do Uruguai eram a principal forma de transporte entre as cidades ribeirinhas Itaqui, São Borja, Barra do Quaraí e da própria Argentina. A experiência se consolidou como oportunidade rica de aprendizagem, permitindo compreender os desafios urbanísticos enfrentados por áreas vulneráveis, marcada pelo abandono físico e social e, simultaneamente, reconhecer a potência cultural presente. Ao promover o encontro entre teoria e prática, a Trilha Urbana reafirma a importância das ações extensionistas para fomentar uma consciência social crítica, comprometida e engajada, essencial à formação de profissionais capazes de contribuir para cidades mais justas e sustentáveis.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Trilha Urbana do Marduque: Observação dos Impactos da Cheia e Valorização Cultural na Extensão Universitária. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121108. Acesso em: 16 abr. 2026.