Da Superfície ao Aquífero: SIMAGAIA como ponte entre sociedade e a gestão de águas/solos
Palavras-chave:
Recurso, Hídrico, Subterrâneo, SWAT, Áreas, Recarga, AquíferosResumo
O projeto de extensão SIMAGAIA (Sistema Integrado de Monitoramento Agroambiental - SAP 4745), sediado no LABii/Unipampa - Campus Itaqui, transcende o conceito de simples transferência de tecnologia ao se posicionar de forma inovadora, utilizando a modelagem hidrológica com as ferramentas SWAT e QSWAT+ integradas ao software livre QGIS como um poderoso e versátil instrumento de mediação, diálogo construtivo e capacitação técnica para a gestão participativa e integrada de bacias hidrográficas na complexa realidade da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. A eficácia e o impacto transformador desta iniciativa extensionista residem precisamente na sua capacidade de adaptar sua metodologia de interação e comunicação para uma gama diversificada de públicos-alvo, traduzindo dados e parâmetros complexos do modelo em informações visualmente intuitivas, palatáveis e acionáveis para o planejamento territorial, fomentando assim uma governança hídrica verdadeiramente participativa e fundamentada. Para os técnicos dos comitês de bacia, gestores públicos municipais e estaduais e profissionais de secretarias de meio ambiente e agricultura, a interação é realizada prioritariamente através de workshops teórico-práticos intensivos e oficinas de capacitação operacional. O foco principal neste grupo é o domínio prático da ferramenta QSWAT+ embarcada no ambiente QGIS, utilizando-se prioritariamente dados geoespaciais de livre acesso (como os disponibilizados pelo IBGE, INMET e MapBiomas). O processo é intencionalmente colaborativo, guiando os participantes desde a etapa crucial de preparação e organização dos dados de entrada essenciais (modelos digitais de elevação SRTM, mapas de uso e cobertura do solo, séries climáticas históricas) até a execução de simulações hidrológicas e a posterior interpretação dos resultados. Esta imersão técnica empodera esses atores-chave para gerarem de forma autônoma diagnósticos espaciais robustos que identificam e mapeiam áreas críticas de geração de escoamento superficial (contribuintes para enchentes urbanas e rurais), zonas suscetíveis à erosão hídrica acelerada e trajetórias potenciais de perda de nutrientes (fósforo e nitrogênio) para os corpos d'água, informações fundamentais para o planejamento territorial, a outorga de direitos de uso de água e a alocação de recursos públicos. Para o público de produtores rurais, lideranças comunitárias, membros de associações e a sociedade civil organizada, a linguagem técnica complexa é substituída por uma comunicação mais acessível, baseada em materiais didáticos visuais especialmente desenvolvidos (infográficos explicativos com índices, mapas temáticos de fácil interpretação, gráficos simplificados) e sessões de discussão coletiva e debate. Neste contexto, a modelagem SWAT é apresentada não como um fim em si mesma, mas como uma poderosa ferramenta de visualização e tradução da realidade que evidencia de forma incontestável as complexas interconexões e as responsabilidades compartilhadas entre os setores urbano e rural dentro de uma mesma bacia hidrográfica. Através de gráficos e mapas simplificados, demonstra-se de forma tangível e concreta como diferentes práticas de manejo e uso do solo (como a substituição de vegetação nativa, a implantação de sistemas de plantio direto, a urbanização de áreas de várzea) impactam diretamente processos hidrológicos cruciais, como a recarga potencial dos aquíferos (o fluxo de água que abastece o lençol freático) e a manutenção do fluxo de base dos rios (vital para a segurança hídrica na estiagem), promovendo assim a conscientização ambiental e estimulando a adoção voluntária de práticas conservacionistas. O projeto também se direciona a estudantes de graduação e pós-graduação e profissionais interessados, oferecendo tutoriais detalhados, documentação técnica e abertura do seu processo de trabalho, ações que democratizam o acesso a uma tecnologia geralmente restrita a círculos acadêmicos especializados. É crucial destacar que o modelo está sendo progressivamente calibrado para atingir um desempenho considerado satisfatório para fins de diagnóstico e planejamento, sendo a total transparência sobre este nível de precisão um pilar fundamental para construir credibilidade e confiança com todos os grupos envolvidos. Conclui-se que as conquistas do projeto SIMAGAIA não residem apenas nos parâmetros hidrológicos quantitativos gerados, mas sim na sua capacidade de atuar como uma ponte metodológica eficiente entre a academia e a sociedade. Ao adaptar estrategicamente sua comunicação, suas ferramentas e suas dinâmicas de interação para cada público específico, o projeto transforma um software complexo em um catalisador social para educação ambiental crítica, planejamento territorial colaborativo e fortalecimento da capacidade técnica e crítica dos atores locais, democratizando o conhecimento científico e tornando-o uma ferramenta viva e acessível para a construção coletiva de bacias hidrográficas mais sustentáveis e resilientes.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Da Superfície ao Aquífero: SIMAGAIA como ponte entre sociedade e a gestão de águas/solos. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121096. Acesso em: 17 abr. 2026.