Socialização de Saberes Sobre Plantas Medicinais em Assentamentos em Hulha Negra, Rs

Autores

  • Vanessa Rosseto
  • Franciele Costa Morrudo Ribeiro
  • Diogo Ritta Bianchetti
  • Wilson Zanatta
  • Catarina de Fátima da Silva
  • Adriane Roedel Hirdes

Palavras-chave:

Fitoterápicos, chás, medicinais, xaropes, caseiros

Resumo

O uso de plantas medicinais e o compartilhamento de saberes a respeito de suas propriedades são práticas enraizadas em diversas comunidades tradicionais, incluindo camponeses, indígenas, quilombolas e ribeirinhos. Neste contexto, a sabedoria popular tem sido um pilar para a saúde e o bem-estar dessas populações ao longo de gerações. O trabalho do frei franciscano Wilson Zanatta destaca-se como um exemplo notável de dedicação ao tema. Por décadas, ele se dedicou ao estudo e ao uso dessas plantas, realizando um esforço fundamental de transcrição da tradição oral e convertendo-a em livros, garantindo a preservação desse valioso patrimônio cultural e imaterial. Considerando o papel da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), em especial na região sul do Rio Grande do Sul, foi proposto o projeto de extensão "Do chá de carqueja da Maria aos capões de mato do Antônio: utilização de plantas medicinais e conservação da biodiversidade em assentamentos rurais". As ações do projeto foram desenvolvidas com agricultoras do município de Hulha Negra, RS, e tiveram como objetivo principal promover a interlocução entre o conhecimento popular e o científico, além de colaborar para a melhoria de boas práticas de cultivo, extração e uso seguro de plantas medicinais. A metodologia adotada foi participativa e dialógica. As atividades foram discutidas e planejadas em rodas de conversa na comunidade, permitindo que os próprios moradores expressassem suas experiências e seus interesses em relação às plantas que utilizam. Inicialmente, o projeto focou nas formas de uso mais comuns na comunidade, como chás e xaropes caseiros. As oficinas didáticas foram estruturadas para abordar tanto o saber popular quanto o conhecimento técnico e científico. Para isso, foram utilizados materiais de fácil obtenção, ao mesmo tempo que materiais de laboratório foram levados à comunidade, com o intuito de demonstrar como certas análises são realizadas na universidade. Durante as atividades, a equipe do projeto elucidou a importância de utilizar plantas saudáveis, realizar a lavagem prévia das partes a serem utilizadas e diferenciar as plantas obtidas por cultivo daquelas por extrativismo. Aspectos técnicos da extração de compostos bioativos foram abordados, incluindo a importância da secagem e redução do tamanho das partes vegetais, a temperatura da água e as diferentes formas de preparo de chás (infusão, decocção e maceração). No caso dos xaropes, foram avaliados parâmetros como a relação entre grau brix e a quantidade de açúcar, bem como a densidade, viscosidade e o uso de banho-maria. O projeto seguiu as orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e de manuais de órgãos oficiais para garantir a segurança das práticas. As plantas selecionadas para as oficinas foram aquelas tradicionalmente utilizadas pelos moradores para disfunções dos sistemas digestório e respiratório, como alecrim, guanxuma, oliveira, sálvia, tansagem, malva, manjericão, pitangueira, hortelã, sálvia-da-gripe e guaco. Previamente, os chás e xaropes foram preparados no laboratório da Unipampa para a caracterização dos parâmetros físicos e para a determinação dos teores de alguns compostos bioativos. Durante as oficinas na comunidade, os produtos foram elaborados em conjunto, e o momento de preparo se transformou em uma oportunidade de compartilha de saberes. Os participantes relataram suas experiências e a relação cultural com o uso das plantas, enquanto o conhecimento científico foi socializado por meio das práticas, da distribuição de folders informativos e, principalmente, da conscientização sobre os cuidados no uso dessas plantas, em especial para os grupos de risco. O projeto também buscou que o conhecimento científico não ficasse restrito ao ambiente acadêmico. Com esse intuito, foi criada a página no Instagram Plantas Medicinais: Compartilhando Saberes, que divulga as atividades do projeto e informações sobre o uso e estudos acadêmicos relacionados às espécies em questão. A iniciativa tem propiciado uma interlocução horizontal entre diferentes atores sociais, em que nenhuma forma de conhecimento se sobrepõe à outra. Para os discentes envolvidos, as ações de extensão tem sido uma oportunidade de aplicar na prática os conhecimentos adquiridos em sala de aula e na pesquisa, além de desenvolver produtos e ferramentas tecnológicas que beneficiam o produtor rural. As próximas ações programadas incluem visitas das agricultoras ao campus Bagé da universidade, oficinas para produção de óleos vegetais e essenciais, pomadas caseiras e xampus artesanais com extratos vegetais. Este projeto representa uma aproximação fundamental entre a Universidade e os assentamentos rurais, um setor agrário frequentemente desfavorecido em termos de políticas públicas e acesso a informações qualificadas.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Socialização de Saberes Sobre Plantas Medicinais em Assentamentos em Hulha Negra, Rs. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121081. Acesso em: 17 abr. 2026.