Jovens em Ação: Transformação Social e Desenvolvimento Humano nas Práticas Extensionistas em Cachoeira do Sul
Palavras-chave:
Adolescentes, institucionalizados, Extensão, Inclusão, social, Desenvolvimento, humano, EmpatiaResumo
Há mais de uma década, jovens do Curso de Liderança Juvenil (CLJ) da Diocese de Cachoeira do Sul desenvolvem projetos sociais em instituições de acolhimento, hospital, Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), escolas e demais espaços comunitários, com foco na promoção da cidadania e no fortalecimento da dimensão espiritual integral. Essa dimensão, entendida de forma distinta da religiosidade, constitui-se como campo essencial do desenvolvimento humano, contemplando valores universais como empatia, resiliência, solidariedade e propósito de vida, reconhecidos pela Ciência como determinantes do equilíbrio físico, emocional e social. Respeitando a individualidade e as crenças de cada pessoa, essas ações vêm favorecendo o protagonismo juvenil, a formação ética e a construção de vínculos comunitários significativos. Nos últimos três anos, a iniciativa foi ampliada por meio de parceria formal com o Lar Transitório Bem Me Quer, autorizada pelo Poder Judiciário, integrando adolescentes institucionalizados, às atividades extensionistas. Esse público apresenta vulnerabilidades específicas, como isolamento social, estigmatização e dependência estrutural, que limitam a autonomia e comprometem a elaboração de projetos de vida. São frequentes sentimentos de abandono, insegurança em relação ao futuro e angústia diante da saída compulsória ao atingir a maioridade, o que evidencia a necessidade urgente de estratégias de cuidado integral que incluam suporte educacional, afetivo, ético e espiritual. A integração entre jovens institucionalizados e jovens que residem com suas famílias gerou experiências de troca profundamente significativas: enquanto uns aprendem sobre superação e valorização da vida, os outros encontram referências positivas, desenvolvem autoestima e ressignificam suas trajetórias. Entre as atividades realizadas destacam-se rodas de conversa, reforço escolar, oficinas, sessões de cinema com debates e viagens, sempre acompanhadas por equipe multiprofissional composta pelo Serviço Social e tutores legais da instituição. A participação desses jovens em espaços como asilos, hospital e APAE amplia a experiência extensionista, promovendo o diálogo intergeracional e a partilha de saberes; nessa convivência, desaparecem rótulos e pertencimentos institucionais, pois não se trata mais de jovens do Lar Transitório ou de um movimento juvenil, mas de jovens, integrados em um mesmo processo de transformação social e humana. Ressalta-se que, embora o Estado brasileiro seja laico, conforme prevê a Constituição Federal, experiências desse tipo não apenas são compatíveis com o princípio da laicidade, como também têm sido autorizadas e estimuladas pelo poder público, uma vez que promovem valores universais, fortalecem políticas de direitos humanos e contribuem para a construção da cidadania. Os resultados alcançados evidenciam avanços concretos: jovens institucionalizados apresentam melhora expressiva na autoestima, no autocuidado, na capacidade de projetar o futuro e no engajamento em atividades coletivas; por sua vez, os extensionistas ampliam habilidades socioemocionais, desenvolvem senso crítico, rompem estereótipos e aprendem a conviver com a diversidade, fortalecendo atitudes de respeito e não discriminação. A experiência confirma o potencial das práticas extensionistas como processos educativos, culturais e sociais que transcendem o assistencialismo e se constituem como modelo eficaz de inclusão e transformação comunitária. Essa prática está em consonância com o Estatuto da Juventude (Lei 12.852/2013) e alinha-se, ainda, às demais políticas públicas de juventude e de direitos humanos, pois fomenta a participação social, fortalece vínculos comunitários e promove uma cultura de paz e solidariedade. Além do impacto direto na comunidade, a experiência também se consolida como prática extensionista ao aproximar-se do espaço universitário. A atuação de uma mestranda em Ensino de Ciências, vinculada à UNIPAMPA, possibilita articular a vivência comunitária com reflexões acadêmicas, produzindo registros, análises e relatos de experiência que retornam à universidade como fonte de estudo e formação. Essa relação entre jovens, instituição de acolhimento e universidade amplia o alcance do projeto, reforçando a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão e pode garantir que o conhecimento produzido na prática social seja compartilhado em espaços científicos e educativos. Conforme relato da direção do Lar Transitório, a parceria trouxe mudanças perceptíveis: adolescentes mais responsáveis, colaborativos e atentos ao bem-estar coletivo, refletindo a importância do convívio com pares que se tornaram referências positivas. Tal evolução tem sido confirmada por registros sistemáticos da equipe técnica da instituição, demonstrando que a extensão, articulada ao protagonismo juvenil, pode impactar profundamente o desenvolvimento humano e a reinserção social digna de adolescentes em situação de vulnerabilidade.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Jovens em Ação: Transformação Social e Desenvolvimento Humano nas Práticas Extensionistas em Cachoeira do Sul. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121074. Acesso em: 16 abr. 2026.