Jovens em Ação: Transformação Social e Desenvolvimento Humano nas Práticas Extensionistas em Cachoeira do Sul

Autores

  • Carlos Idelfonso Cardoso Machado
  • Laiany Fagundes Mota
  • Mara Elisangela Jappe Goi

Palavras-chave:

Adolescentes, institucionalizados, Extensão, Inclusão, social, Desenvolvimento, humano, Empatia

Resumo

Há mais de uma década, jovens do Curso de Liderança Juvenil (CLJ) da Diocese de Cachoeira do Sul desenvolvem projetos sociais em instituições de acolhimento, hospital, Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), escolas e demais espaços comunitários, com foco na promoção da cidadania e no fortalecimento da dimensão espiritual integral. Essa dimensão, entendida de forma distinta da religiosidade, constitui-se como campo essencial do desenvolvimento humano, contemplando valores universais como empatia, resiliência, solidariedade e propósito de vida, reconhecidos pela Ciência como determinantes do equilíbrio físico, emocional e social. Respeitando a individualidade e as crenças de cada pessoa, essas ações vêm favorecendo o protagonismo juvenil, a formação ética e a construção de vínculos comunitários significativos. Nos últimos três anos, a iniciativa foi ampliada por meio de parceria formal com o Lar Transitório Bem Me Quer, autorizada pelo Poder Judiciário, integrando adolescentes institucionalizados, às atividades extensionistas. Esse público apresenta vulnerabilidades específicas, como isolamento social, estigmatização e dependência estrutural, que limitam a autonomia e comprometem a elaboração de projetos de vida. São frequentes sentimentos de abandono, insegurança em relação ao futuro e angústia diante da saída compulsória ao atingir a maioridade, o que evidencia a necessidade urgente de estratégias de cuidado integral que incluam suporte educacional, afetivo, ético e espiritual. A integração entre jovens institucionalizados e jovens que residem com suas famílias gerou experiências de troca profundamente significativas: enquanto uns aprendem sobre superação e valorização da vida, os outros encontram referências positivas, desenvolvem autoestima e ressignificam suas trajetórias. Entre as atividades realizadas destacam-se rodas de conversa, reforço escolar, oficinas, sessões de cinema com debates e viagens, sempre acompanhadas por equipe multiprofissional composta pelo Serviço Social e tutores legais da instituição. A participação desses jovens em espaços como asilos, hospital e APAE amplia a experiência extensionista, promovendo o diálogo intergeracional e a partilha de saberes; nessa convivência, desaparecem rótulos e pertencimentos institucionais, pois não se trata mais de jovens do Lar Transitório ou de um movimento juvenil, mas de jovens, integrados em um mesmo processo de transformação social e humana. Ressalta-se que, embora o Estado brasileiro seja laico, conforme prevê a Constituição Federal, experiências desse tipo não apenas são compatíveis com o princípio da laicidade, como também têm sido autorizadas e estimuladas pelo poder público, uma vez que promovem valores universais, fortalecem políticas de direitos humanos e contribuem para a construção da cidadania. Os resultados alcançados evidenciam avanços concretos: jovens institucionalizados apresentam melhora expressiva na autoestima, no autocuidado, na capacidade de projetar o futuro e no engajamento em atividades coletivas; por sua vez, os extensionistas ampliam habilidades socioemocionais, desenvolvem senso crítico, rompem estereótipos e aprendem a conviver com a diversidade, fortalecendo atitudes de respeito e não discriminação. A experiência confirma o potencial das práticas extensionistas como processos educativos, culturais e sociais que transcendem o assistencialismo e se constituem como modelo eficaz de inclusão e transformação comunitária. Essa prática está em consonância com o Estatuto da Juventude (Lei 12.852/2013) e alinha-se, ainda, às demais políticas públicas de juventude e de direitos humanos, pois fomenta a participação social, fortalece vínculos comunitários e promove uma cultura de paz e solidariedade. Além do impacto direto na comunidade, a experiência também se consolida como prática extensionista ao aproximar-se do espaço universitário. A atuação de uma mestranda em Ensino de Ciências, vinculada à UNIPAMPA, possibilita articular a vivência comunitária com reflexões acadêmicas, produzindo registros, análises e relatos de experiência que retornam à universidade como fonte de estudo e formação. Essa relação entre jovens, instituição de acolhimento e universidade amplia o alcance do projeto, reforçando a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão e pode garantir que o conhecimento produzido na prática social seja compartilhado em espaços científicos e educativos. Conforme relato da direção do Lar Transitório, a parceria trouxe mudanças perceptíveis: adolescentes mais responsáveis, colaborativos e atentos ao bem-estar coletivo, refletindo a importância do convívio com pares que se tornaram referências positivas. Tal evolução tem sido confirmada por registros sistemáticos da equipe técnica da instituição, demonstrando que a extensão, articulada ao protagonismo juvenil, pode impactar profundamente o desenvolvimento humano e a reinserção social digna de adolescentes em situação de vulnerabilidade.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Downloads

Publicado

2025-10-26

Como Citar

Jovens em Ação: Transformação Social e Desenvolvimento Humano nas Práticas Extensionistas em Cachoeira do Sul. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121074. Acesso em: 16 abr. 2026.