Implementação e Impactos do Clube de Ciências no Ensino Fundamental

Autores

  • Vinicius Bibiano Sauceda
  • Geovana Da Silva Lima Lopes
  • Miguel Ribeiro Pessano
  • Ana Luísa Esteves Toledo
  • Ketelin Monique Cavalheiro Kieling
  • Carla Beatriz Spohr

Palavras-chave:

Experimentação, Educação, Básica, Metodologia, Ativa

Resumo

A educação científica desempenha um papel fundamental no desenvolvimento cognitivo e crítico dos alunos, estimulando a curiosidade, a criatividade e o pensamento lógico. Neste contexto, este texto visa discutir os impactos da implementação do Clube de Ciências (CC) nos anos iniciais do Ensino Fundamental em uma escola de Educação Básica no município de Uruguaiana (RS). Salienta-se que a proposta de criação do CC surgiu do grupo de licenciandos do Curso Ciências da Natureza - Licenciatura ofertado pela Universidade Federal do Pampa, campus Uruguaiana que atuam como bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docências (PIBID). A proposta de criação do CC surgiu quando os bolsistas de iniciação à docência (BIDs) perceberam que muitos estudantes nunca haviam frequentado o laboratório de ciências da escola, e alguns sequer sabiam de sua localização. Com o objetivo de incentivar o contato dos alunos com a experimentação e a divulgação científica, o CC foi planejado para atender apenas turmas do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental II. Porém, durante a apresentação do espaço, os alunos do Ensino Fundamental I (4º e 5º anos) demonstraram muito entusiasmo, e devido a isso os BIDs decidiram estender o projeto para estas turmas também. Para além de despertar o interesse pela ciência, o CC também se tornou uma oportunidade para os BIDs aprimorarem suas práticas pedagógicas, desenvolvendo atividades criativas e adaptadas às diferentes faixas etárias. Sobre a organização, o CC foi implementado no turno da manhã, com encontros quinzenais e as turmas foram divididas em dois grupos devido ao espaço limitado do laboratório. Cada grupo foi organizado pela professora responsável, que selecionou os participantes de forma a garantir a diversidade e a inclusão. No primeiro dia, foi realizada uma apresentação sobre os objetivos do CC e como seriam os encontros. Os alunos foram incentivados a compartilhar suas expectativas e sugestões de temas, o que ajudou a direcionar as atividades seguintes. Além disso, foi solicitado que trouxessem um caderno e um lápis para registrar observações e impressões, incentivando o hábito de anotação e reflexão científica. Ao longo das atividades, foram identificadas algumas dificuldades específicas em cada turma: os alunos do 5º ano apresentaram mais resistência à interação, demonstrando timidez e dificuldade de trabalhar em grupo, enquanto os do 4º ano eram mais desinibidos e participativos, mas tinham dificuldades em atividades manuais, como cortar, colar e montar experimentos. Ambas as turmas mostraram déficit no uso de tecnologias básicas, como realizar buscas no Google ou utilizar teclas simples do computador (ex.: Backspace). Diante desses desafios, a equipe decidiu reformular o planejamento, incluindo mais atividades que incentivassem a interação e comunicação (trabalhos em grupo, apresentações orais), a familiarização com tecnologias (pesquisas orientadas, uso de softwares educativos) e o desenvolvimento de habilidades manuais (montagem de experimentos com materiais acessíveis). Com essa nova abordagem, os alunos do 5º ano começaram a se soltar mais, melhorando sua comunicação e colaboração, enquanto os do 4º ano desenvolveram maior destreza em atividades práticas, embora ainda necessitasse de auxílio em tarefas mais complexas. Dentre as atividades mais marcantes realizadas no CC, destacam-se o filtro de areia (5º ano), onde os alunos construíram um sistema de filtragem de água usando camadas de areia, pedras e carvão, aprendendo sobre processos de purificação e sustentabilidade, e o planetário (4º ano), onde, utilizando materiais recicláveis, criaram um modelo simplificado do sistema solar, que foi exposto na Feira de Ciências da escola. Essas experiências não apenas reforçaram conceitos científicos, mas também estimularam a criatividade e o trabalho em equipe, a inserção do PIBID na escola trouxe benefícios significativos para os alunos, licenciandos e a escola como um todo. Para os alunos, houve inclusão científica, desenvolvimento de habilidades e estímulo à curiosidade. Para os licenciandos, a prática pedagógica, e a criatividade e o planejamento foram aprimorados. Para a escola e comunidade, houve integração e valorização do laboratório de Ciências. O Clube de Ciências mostrou-se uma ferramenta poderosa para democratizar o acesso ao conhecimento científico e desenvolver habilidades essenciais no século XXI. Apesar dos desafios iniciais, a adaptação das atividades e o engajamento dos alunos comprovaram que é possível transformar a educação científica mesmo com recursos limitados. Como próximos passos, pretende-se inserir novas tecnologias, como robótica educacional e programação básica, e fortalecer parcerias com a universidade para enriquecer as atividades. Os resultados positivos das atividades propostas reforçam a importância de investir em educação científica desde os anos iniciais, formando cidadãos mais críticos, criativos e preparados para os desafios do futuro.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Implementação e Impactos do Clube de Ciências no Ensino Fundamental. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121071. Acesso em: 17 abr. 2026.