Teatro de Sombras e Sensibilização Sociopolítica: Arte, Ciência e Saberes Indígenas na Educação Ambiental
Palavras-chave:
intertextualidade, justiça, socioambiental, saberes, indígenasResumo
O Teatro de Sombras Ecos do Mundo: Sombras que Sonham e Transformam a Terra, foi concebido como uma proposta artística e pedagógica que visa proporcionar a sensibilização ambiental e cultural a partir de uma perspectiva indígena, ancorada na obra Ideias para Adiar o Fim do Mundo, de Ailton Krenak. A iniciativa integra práticas interdisciplinares de extensão e arte-educação no âmbito do projeto INSPIRA e buscou proporcionar um espaço de reflexão crítica sobre a interdependência entre humanidade, natureza e ancestralidade. A peça contou com a participação de nove integrantes, entre os quais: professora coordenadora do projeto, narradora, manipuladoras de sombras, desenhistas de projeções visuais, operador de trilha sonora e colaboradoras responsáveis pelos elementos estéticos da montagem. A narrativa dramatúrgica foi organizada em seis cenas e combinou literatura indígena, dados ambientais, recursos poéticos e elementos da arte das sombras para criar uma experiência estética e cognitiva que estimulasse o envolvimento afetivo do público. As cenas dialogaram diretamente com temas centrais da obra de Krenak, como a degradação ambiental, o consumismo, os impactos do capitalismo sobre os modos de vida tradicionais, a valorização dos saberes ancestrais e a importância dos sonhos como forma de resistência coletiva. A metodologia do projeto incluiu oficinas preparatórias, ensaios semanais, elaboração de roteiro intertextual, construção de personagens e cenários com materiais recicláveis, experimentações com iluminação e sonoplastia, além de estratégias para mobilização e escuta do público. Durante a apresentação, foram utilizados recursos visuais e sonoros como varal com frases do autor, projeções com sombras simbólicas e trilhas compostas por sons naturais, urbanos e musicais que compuseram a ambientação imersiva. A abordagem metodológica também incorporou aspectos de educação ambiental crítica e arte engajada, estimulando um olhar ampliado sobre os modos de vida e suas consequências ecológicas. Ao final da encenação, foi disponibilizado um formulário com questões ao público, com o intuito de avaliar a recepção e os impactos da atividade. Entre os principais resultados, destacaram-se proposições coletivas voltadas à transformação social e ambiental, como incentivo à educação ambiental em escolas, preservação de biomas, valorização de comunidades tradicionais e estímulo ao plantio de árvores. Muitos participantes relacionaram a experiência a situações concretas de ruptura entre humanidade e natureza, como poluição, desmatamento e outras tragédias climáticas, que acentuou a percepção da crise socioambiental. Os números e dados apresentados na peça como as toneladas de lixo produzidas, o desperdício de água e alimentos, e as ameaças aos povos originários despertaram desconforto e incitaram o debate, reforçando a necessidade de repensar a relação entre os seres humanos e o planeta. Além disso, os relatos indicaram o reconhecimento de práticas ancestrais de cuidado com a terra, como o manejo sustentável dos recursos naturais, o respeito aos ciclos ecológicos e o valor da agricultura tradicional indígena. Um dos principais resultados observados foi a manifestação espontânea de sonhos e desejos voltados para um mundo socialmente mais justo e equilibrado, com destaque para propostas como o incentivo à educação ambiental em escolas, plantio de árvores, preservação de biomas e valorização das comunidades tradicionais. Os participantes apontaram a importância de resgatar a conexão afetiva com a natureza como forma de enfrentar os desafios socioambientais contemporâneos. A ação extensionista extrapolou a esfera da sensibilização estética, consolidando-se como experiência de engajamento comunitário e político. A articulação entre arte, ciência e saberes indígenas favoreceu aprendizagens que apontam para a formação de uma consciência coletiva e de um protagonismo social comprometido com a justiça ambiental e a sustentabilidade. A experiência contribuiu para consolidar a relevância de práticas inovadoras que unem estética, reflexão e ação, fortalecendo a formação de uma consciência crítica e ambientalmente responsável entre os participantes. O projeto demonstrou que a arte, quando mobilizada como ferramenta de expressão e diálogo, pode ressignificar vivências e fomentar o desenvolvimento de sujeitos mais conscientes, sensíveis e atuantes em suas comunidades.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Downloads
Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Teatro de Sombras e Sensibilização Sociopolítica: Arte, Ciência e Saberes Indígenas na Educação Ambiental. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121070. Acesso em: 16 abr. 2026.