Projeto Faixa Branca: o Jiu-jítsu na Formação Integral de Estudantes da Educação Básica
Palavras-chave:
Educação, Física, Práticas, Corporais, Formação, integralResumo
A Educação Física escolar tem papel fundamental na formação integral dos estudantes, pois desenvolve não apenas aspectos motores, mas também dimensões cognitivas, sociais e emocionais. Nesse campo, as lutas ocupam destaque ao proporcionar experiências que envolvem disciplina, autocontrole e respeito mútuo, superando a visão reducionista que as associa apenas à violência. Inseridas no ambiente escolar, tornam-se oportunidade de ampliar horizontes formativos e promover aprendizagens significativas. O jiu-jítsu, em especial, possui filosofia baseada em respeito, cooperação e autoconsciência, apresentando grande potencial como ferramenta pedagógica de transformação. O presente trabalho busca relatar a experiência do Projeto Faixa Branca, desenvolvido na Escola Municipal de Ensino Fundamental Moacyr Ramos Martins, situada na região da União das Vilas, em Uruguaiana (RS), no qual o jiu-jítsu foi implementado como estratégia de desenvolvimento pessoal e social. Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, do tipo relato de experiência. A instituição, que atende turmas diurnas e de Educação de Jovens e Adultos à noite, possui boa infraestrutura e oferta diversificada de práticas (dança, balé, vôlei, corrida, futebol e robótica), favorecendo ações voltadas à formação integral. A proposta surgiu após visitas diagnósticas e diálogo com a equipe pedagógica, de modo a compreender demandas e recursos da comunidade. A intervenção foi planejada para apresentar a luta não como violência, mas como prática de autoconhecimento, disciplina e respeito. As aulas, com duração aproximada de 50 minutos, foram organizadas em fases: sensibilização (conversa sobre ética e objetivos), iniciação corporal (aquecimento, alongamento e jogos cooperativos), aprendizagem técnica básica (rolamentos, quedas, deslocamentos, defesas e imobilizações simples) e integração dos conteúdos (situações de cooperação e resolução de conflitos). Quando disponíveis, usaram-se kimonos e tatames; na ausência, recorreram-se a alternativas, sempre assegurando protocolos de segurança. A mediação buscou linguagem acessível, incentivo à participação de todos e estímulo à autorregulação emocional. O acompanhamento ocorreu por meio de observação participante, diário de bordo, registros fotográficos institucionais e conversas com docentes e gestores, definindo rubricas formativas voltadas a atitudes, participação e compreensão conceitual. Os resultados demonstraram maior engajamento dos alunos, fortalecimento da compreensão do papel educativo das lutas e ressignificação de comportamentos, com mais disposição para ouvir instruções, respeitar regras e negociar limites. Professores relataram diminuição de conflitos em sala e transferência de princípios de autorregulação para outras situações escolares. Houve, ainda, fortalecimento dos vínculos entre estudantes, equipe docente e coordenação, abrindo espaço para diálogo sobre respeito, cuidado mútuo e diversidade. Entre os fatores que contribuíram para o êxito destacam-se o diagnóstico inicial, a escuta ativa da comunidade e a progressão pedagógica pautada na segurança e no sentido educativo das práticas, em sintonia com o repertório corporal já existente na escola. Como limitações, apontam-se o tempo de acompanhamento restrito e a ausência de indicadores quantitativos mais sistemáticos, o que evidencia a necessidade de continuidade com instrumentos avaliativos robustos. Ainda assim, a experiência revelou a viabilidade de inserir o jiu-jítsu no ambiente escolar com baixo custo e elevado potencial formativo, desde que sustentado em princípios de convivência e cooperação. Conclui-se que o Projeto Faixa Branca contribuiu para o desenvolvimento integral dos estudantes ao articular dimensões motoras, cognitivas e socioemocionais, consolidando a escola como espaço de criação de sentido e práticas que estimulam autonomia, empatia e respeito às diferenças. Recomenda-se a manutenção e ampliação da iniciativa, com formação continuada para docentes, inserção no Projeto Político-Pedagógico, parcerias comunitárias e aquisição gradual de materiais, além do desenvolvimento de indicadores de acompanhamento que contemplem presença, participação e convivência. A experiência reafirma que propostas construídas em diálogo com a comunidade, atentas às especificidades locais e fundamentadas em valores humanizadores, têm potencial de transformar o cotidiano escolar e consolidar o esporte/luta como recurso educativo e social.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Projeto Faixa Branca: o Jiu-jítsu na Formação Integral de Estudantes da Educação Básica. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121066. Acesso em: 16 abr. 2026.