Boteco Literário: Conectando Literatura, Feminismo e Relações
Palavras-chave:
Popularização, leitura, feminismos, educação, extensão, universitáriaResumo
A literatura promove o autoconhecimento, a criatividade e a consciência crítica, ampliando a compreensão do mundo. Os encontros literários impactam positivamente a vida das pessoas, possibilitando o desenvolvimento de habilidades sociais e cognitivas. A partir do desejo de compartilhar leituras e reflexões coletivas, um grupo de amigas, motivadas pela leitura da autora bell hooks, resolveu criar um espaço de diálogo livre e descontraído para debater a obra Tudo sobre amor: novas perspectivas. O que inicialmente seria um bate papo entre amigas tornou-se o projeto de extensão Boteco Literário que tem como objetivo popularizar a literatura, estimular a leitura em diferentes meios sociais e produzir conhecimentos sobre diversos assuntos que estruturam a sociedade. Ao ler e compartilhar, juntas, a leitura de um livro, se torna algo transformador, que fortalece as amizades, os afetos e as relações, entrelaçando memória com aprendizado coletivo. Os encontros iniciaram no ano de 2024, antes mesmo do cadastro oficial da ação como projeto de extensão. Optou-se pela formalização da ação em decorrência da aprovação pelo público participante. Inicialmente, os encontros foram realizados em parceria com uma empresa do município, a Burger Boss, um espaço aberto e já conhecido por criar conexões com todos os públicos e levar momentos de cultura e arte para o município. A partir da leitura da obra Tudo sobre o amor: novas perspectivas e do conceito de amor de Erich Fromm, citado na obra, entendido como prática ativa de cuidado e responsabilidade com o bem estar próprio, do outro e do ambiente, e o entendimento da própria autora, do amor como força motriz para o engajamento e a transformação social, configurando-se como um ato de compromisso e ação que vai além do sentimentalismo e se traduz em cuidado, confiança, respeito e responsabilidade coletiva. Para hooks, ao cultivar o amor, é possível desmantelar sistemas de dominação como o racismo e o sexismo, promovendo a justiça e a libertação. Amparadas nesta definição e em leituras feministas prévias, outras obras com a mesma temática foram escolhidas, são elas: A gente mira no amor e acerta na solidão, da autora Ana Suy, e A prateleira do amor: sobre mulheres, homens e relações, de autoria de Valeska Zanello. O debate em ambientes informais como bares possibilitou participações mais descontraídas, baseadas na obra ou em vivências próprias, o que incentiva a popularização da literatura e de alguns conceitos acadêmicos. Dialogar em um ambiente casual ou despojado constrói um encontro com a literatura de forma leve, divertida, profunda e conectada com a vivência, sem as formalidades, as pessoas se sentem livre, à vontade para interagir com mais intimidade, espontaneidade e conexão, assim a literatura se torna viva, pulsante como a literatura tem que ser, uma literatura para todas as pessoas. No entanto, com o objetivo de atingir mais pessoas, também foram realizadas edições do Boteco literário nas feiras do livro dos municípios de Pelotas e Dom Pedrito, bem como oficinas no campus Dom Pedrito da Universidade Federal do Pampa e na Escola Estadual Bernardino Ângelo. O primeiro boteco literário trouxe uma obra de uma escritora negra, feminista e internacionalmente conhecida por suas reflexões sobre educação popular, sobre afetividade no ensino e sobre a interseccionalidade na construção de comunidades de aprendizagem. Uma das maiores críticas da obra de Paulo Freire, bell hooks nos mostra o quanto os valores da sociedade contemporânea estão centrados no poder, na dominação, no medo e na morte, além de alertar para aspectos que a racionalidade econômica não consegue resolver na vida das pessoas e refletir sobre o impacto intergeracional, sobre as relações de trabalho e sobre o lugar da infância nesse contexto. Já o debate sobre a obra de Valeska Zanello traz luz sobre questões de gênero, feminismo, dispositivos de gênero que moldam as feminilidades, masculinidades e relações amorosas no contexto hegemônico, demonstrando o lugar desigual ocupado por mulheres e homens dentro da sociedade, especialmente nas relações amorosas. Esta dinâmica desigual da relação amorosa entre homens e mulheres criada pela sociedade, levou a autora a escrever ou pensar nestas relações como uma relação de semelhança com a Prateleira, neste posicionamento em que as mulheres são diariamente avaliadas, julgadas e escolhidas. São temas deste porte que o projeto vem debatendo e deseja ampliar, com linguagem simples, com questões comuns do cotidiano, com criticidade e afeto, em conversas informais, acolhedoras e amorosas. A partir das edições realizadas, procuramos saber de outros interesses, outras leituras, outros encontros, ampliando as possibilidades de alcance de outros públicos, que nos ajudem a seguir construindo e popularizando caminhos para construção de olhares críticos sobre o mundo, as relações e o amor, aqui entendendido como ato revolucionário e de transformação social.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Boteco Literário: Conectando Literatura, Feminismo e Relações. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121017. Acesso em: 16 abr. 2026.