Formação Docente em Inteligência Artificial: o Projeto Piá Como Pioneiro na Educação Básica

Autores

  • Cristian Oliveira Benites
  • Camila da Costa Lacerda Tolio Richardt
  • Nathália Pinheiro Martins
  • Cristiano Galafassi
  • Érico Marcelo Hoff do Amaral

Palavras-chave:

Piauí, Inteligência, Artificial, tutoria, formação, docente

Resumo

O Projeto Piauí Inteligência Artificial (PIÁ), fruto da parceria entre a Universidade Federal do Pampa (Unipampa) e a Secretaria de Educação do Estado do Piauí, configura-se como uma iniciativa inédita no Brasil e pioneira nas Américas ao instituir a Inteligência Artificial (IA) como disciplina obrigatória na educação básica, contemplando o 9.º ano do ensino fundamental e os três anos do ensino médio. Iniciado em 2024 e atualmente em seu segundo ano de execução, o PIÁ busca não apenas capacitar professores da rede estadual, mas também consolidar um currículo formal de IA, construído em consonância com diretrizes nacionais e internacionais que ressaltam a centralidade do letramento digital para a cidadania e para a inserção crítica na sociedade digital. Essa iniciativa vem suprir uma lacuna deixada pela ausência de currículos oficiais sobre IA na BNCC, colocando o estado do Piauí na vanguarda da educação tecnológica. A proposta articula ensino, pesquisa e extensão em um percurso formativo que soma encontros presenciais, atividades síncronas e assíncronas em plataformas digitais como Moodle, Mais Formação e Google Meet, adotando a metodologia de sala de aula invertida. Essa combinação metodológica permite que os professores tenham acesso prévio aos conteúdos e utilizem os encontros para debates, resolução de problemas e planejamento de estratégias didáticas. Os conteúdos trabalhados vão desde noções introdutórias, como conceitos básicos de IA, reconhecimento de padrões e pensamento computacional, até práticas mais avançadas, como curadoria de dados, aprendizado de máquina, processamento de linguagem natural e uso de bibliotecas de programação específicas. Paralelamente, são abordadas reflexões críticas sobre ética, privacidade e impactos sociais das tecnologias, em uma perspectiva que valoriza tanto o pensar com a IA (uso prático das ferramentas) quanto o pensar sobre a IA (compreensão crítica de seu funcionamento e implicações). Nesse processo, os tutores atuam como mediadores entre os professores em formação e a equipe de coordenação. Cada tutor é responsável por acompanhar as turmas, promovendo encontros semanais, esclarecendo dúvidas técnicas e conceituais, incentivando a aplicação dos planos de aula e monitorando a participação dos cursistas. Relatos de professores confirmam que a tutoria foi decisiva para superar inseguranças diante de uma disciplina inédita e para enfrentar desafios de infraestrutura, como conectividade limitada e falta de equipamentos em algumas escolas. Em avaliações diagnósticas e de desempenho, observou-se crescimento estatisticamente relevante no domínio de conceitos de IA, além da implementação de atividades criativas nas escolas, como o uso de árvores de decisão em projetos de ciências, discussões éticas sobre deepfakes em aulas de sociologia e sequências interdisciplinares que integraram IA a temas como meio ambiente e cidadania digital. A experiência mostrou que a inserção da disciplina de IA estimulou tanto o protagonismo dos professores quanto o engajamento dos estudantes, que passaram a associar os conceitos estudados em sala de aula a situações práticas do cotidiano. Na fase atual (20252026), o PIÁ amplia seu alcance, envolvendo mais de 800 profissionais da educação e impactando diretamente mais de 120 mil estudantes da rede estadual. Ao mesmo tempo, fortalece a produção acadêmica na área, permitindo que professores e estudantes da Unipampa participem de ações ligadas ao projeto, consolidando a universidade como referência internacional na temática. Trata-se de um marco histórico não apenas pela dimensão de alcance, mas também por inaugurar um modelo de formação docente em larga escala voltado à Inteligência Artificial, com potencial de inspirar políticas públicas em outras regiões do país e do mundo. Assim, a experiência evidencia que a tutoria é um dos pilares do sucesso do projeto, ao assegurar acompanhamento próximo, suporte pedagógico e motivação contínua, os tutores tornam-se elementos importantes para a consolidação de uma formação ética, inovadora e inclusiva, capaz de preparar os professores para ensinar Inteligência Artificial de maneira crítica e contextualizada. Mais do que um curso, o PIÁ se apresenta como uma política educacional transformadora, que fortalece a escola pública como espaço de protagonismo digital, inovação curricular e construção de cidadania em uma sociedade marcada pelas tecnologias emergentes.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Formação Docente em Inteligência Artificial: o Projeto Piá Como Pioneiro na Educação Básica. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/121009. Acesso em: 17 abr. 2026.