Neuroeducação e Inovação Pedagógica: Um Relato Acerca das Múltiplas Representações no Processo de Ensino-aprendizagem
Palavras-chave:
Neuroeducação, Estratégias, ensino, Três, momentos, pedagógicosResumo
O avanço das pesquisas em neurociência tem possibilitado novas formas de compreender os processos de ensino-aprendizagem, oferecendo fundamentos para a inovação pedagógica e para a elaboração de práticas que contemplem diferentes formas de representação do conhecimento. Nesse sentido, a articulação entre neurociência e educação busca ampliar as estratégias utilizadas em sala de aula, favorecendo a plasticidade neural, a consolidação da memória e o engajamento dos estudantes. O presente trabalho objetiva relatar e refletir acerca da realização da oficina Inovação pedagógica, currículo e neurociência realizada pelos autores junto ao V Simpósio de Fisiologia & XV Curso de Neurociência Aplicada à Educação realizados na Universidade Federal do Pampa Campus Uruguaiana. Essa oficina contou com a participação de dezesseis participantes, entre eles, profissionais da educação, a maioria professores da Educação Básica, e acadêmicos de cursos das licenciaturas, além dos três docentes mediadores/as e da equipe de apoio. Ela foi planejada com o intuito de aproximar esses campos, explorando múltiplas abordagens e multimodos de ensino como ferramentas para potencializar a aprendizagem e desconstruir neuromitos ainda presentes no ambiente escolar. A oficina objetivou construir, coletivamente, possibilidades de integração entre neurociência aplicada à educação e o processo de ensino-aprendizagem, promovendo práticas de inovação pedagógica a partir de múltiplas representações. Além disso, buscou-se problematizar os estilos de aprendizagem enquanto neuromito, provocando reflexões e reconfigurações teóricas que possam sustentar mudanças reais na prática docente nas instituições escolares. O encontro foi organizado dentro da metodologia dos três momentos pedagógicos, desenvolvidos ao longo de três horas. No primeiro momento, os participantes vivenciaram a estratégia de rotação por estações, explorando o tema anatomia do encéfalo por meio de quatro abordagens distintas: simulação computacional em plataforma digital, leitura e resolução de questões em abordagem textual, atividade de gamificação com jogo da memória e construção de modelos didáticos em massa de modelar. Essas atividades permitiram experimentar diferentes modos de representação de um mesmo objeto do conhecimento. O segundo momento constituiu em uma discussão coletiva sobre as semelhanças e diferenças das abordagens experimentadas, seguida da representação da obra Relativity (1953), de Maurits Cornelis Escher (1898-1972), como metáfora das múltiplas representações. A fundamentação teórica foi apresentada com base nos princípios da plasticidade neural e da novidade em sala de aula, destacando como essas práticas diversificadas favorecem a aprendizagem. Também foi abordada a questão dos estilos de aprendizagem, estimulando o debate sobre sua inconsistência científica e a necessidade de superação desse neuromito. No terceiro momento, os participantes foram convidados a construir um painel artístico coletivo, o qual foi inspirado nas obras de Charles McGee (1924-2021), utilizando tiras de papel colorido entrelaçadas com registros de práticas pedagógicas inovadoras baseadas em evidências neurocientíficas. As atividades proporcionaram um espaço de experimentação que evidenciou como diferentes representações de um mesmo conteúdo podem favorecer a aprendizagem e estimular a participação dos envolvidos. A diversidade de estratégias gerou reflexões sobre a importância de contemplar múltiplos modos de ensino, reconhecendo que cada abordagem ativa processos cognitivos distintos e contribuiu para a consolidação da memória. A discussão crítica sobre os estilos de aprendizagem possibilitou desconstruir crenças equivocadas ainda presentes entre educadores/as, ao mesmo tempo em que ressaltou a importância da adoção de práticas fundamentadas em pesquisas científicas. O painel final representou, simbolicamente, a construção coletiva de intervenções pedagógicas, reforçando a ideia de inovação como processo colaborativo contínuo. A oficina demonstrou que a integração entre neurociência e educação pode gerar práticas pedagógicas mais dinâmicas, significativas e baseadas em evidências. A utilização de múltiplas representações não apenas diversifica os modos de ensinar, mas também amplia as possibilidades de aprendizagem ao estimular diferentes vias cognitivas, fortalecendo a plasticidade neural. A reflexão sobre neuromitos destacou a necessidade de reconfiguração dos saberes docentes e institucionais, de modo a sustentar inovações pedagógicas consistentes. Em síntese, a experiência reafirmou a relevância de promover espaços coletivos de estudo, vivência e criação, capazes de aproximar a ciência e a prática pedagógica, orientando a construção de ambientes educativos mais criativos, inclusivos e eficazes.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Neuroeducação e Inovação Pedagógica: Um Relato Acerca das Múltiplas Representações no Processo de Ensino-aprendizagem. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120999. Acesso em: 17 abr. 2026.