O Programa Pic-impa em Bagé: Um Relato de Experiência na Formação de Talentos Matemáticos

Autores

  • Jose Wilson Machado Junior
  • Guilherme Goergen
  • Anderson Luís Jeske Bihain

Palavras-chave:

MATEMÁTICA, OBMEP, OLIMPIADAS, EXTENSÃO, PIC

Resumo

O Programa de Iniciação Científica Jr. (PIC-IMPA), implementado como um projeto de extensão na Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), campus Bagé, visa identificar e desenvolver talentos em matemática entre alunos da Educação Básica. A iniciativa surge como resposta à carência de programas de aprofundamento na região, o que se reflete em resultados historicamente modestos na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). O programa tem o objetivo central de aprofundar os conhecimentos matemáticos dos participantes, capacitando-os a resolver problemas complexos e a interpretar textos da área com maior rigor. Também, visa o desenvolvimento da sistematização de ideias, a generalização de conceitos e a autonomia nos estudos, seja de forma individual ou em grupo, utilizando a OBMEP como porta de entrada para fomentar uma cultura de valorização da matemática. A metodologia deste trabalho se baseia em um relato de experiência, combinando análises qualitativas e quantitativas. A primeira edição do programa em Bagé, analisada neste estudo, foi estruturada como um projeto piloto. Por essa razão, a seleção de participantes foi intencionalmente mais abrangente do que o padrão para programas de alto rendimento, buscando adaptar a proposta à realidade local. A análise quantitativa focou no desempenho dos alunos ao longo dos três primeiros ciclos de estudo, ocorridos entre 10 de abril e 26 de junho de 2025. Os dados de notas, obtidos em atividades presenciais e tarefas online, foram compilados e visualizados através de gráficos de boxplot para comparar a distribuição de desempenho. A detecção de valores atípicos (outliers) foi realizada por meio do método estatístico do intervalo interquartil (IQR), permitindo uma análise mais aprofundada de casos específicos. Os resultados indicam que o programa iniciou com 41 alunos e, ao final do terceiro ciclo, contava com 16 participantes. Esta evasão era um resultado esperado, uma vez que a crescente complexidade dos conteúdos funciona como um filtro natural, selecionando os estudantes com maior engajamento e resiliência. A análise dos gráficos de boxplot revelou que, nos Ciclos 1 e 2, o desempenho nos encontros presenciais foi consistentemente superior ao das atividades online, sugerindo que o ambiente colaborativo e a mediação direta dos professores foram cruciais para a construção dos conhecimentos iniciais. O Ciclo 3 apresenta resultados diferentes, validando a ideia do programa de expor os alunos a desafios de alta complexidade. Neste período, houve uma queda acentuada na mediana das notas presenciais, acompanhada por um expressivo aumento na dispersão dos dados. A análise de outliers foi particularmente reveladora, identificando uma forte polarização na turma: um pequeno grupo de alunos alcançou a nota máxima 10, enquanto um grupo maior obteve a nota mínima 0. Este resultado quantitativo confirma que o conteúdo do ciclo dividiu a turma entre aqueles que dominaram o desafio e aqueles que sentiram uma dificuldade extrema ou não compareceram ao encontro, evidenciando o rigor do aprofundamento proposto. Conclui-se que o projeto de extensão está cumprindo seus objetivos de forma efetiva. Ao confrontar os alunos com um nível crescente de dificuldade, o programa de fato aprofunda os conhecimentos matemáticos e capacita os participantes a lidar com problemas complexos. A metodologia de trabalho em grupo se mostrou eficaz para promover a sistematização de ideias, embora a conquista da autonomia para o estudo online permaneça como um desafio. Portanto, os resultados deste projeto piloto, não apenas validam o modelo como um ambiente que fomenta as habilidades propostas nos estudantes persistentes, mas também fornecem dados valiosos que servirão como base para aprimorar as estratégias pedagógicas e os critérios de seleção nas futuras edições do programa.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

O Programa Pic-impa em Bagé: Um Relato de Experiência na Formação de Talentos Matemáticos. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120991. Acesso em: 17 abr. 2026.