Corpo, Puberdade e Sexualidade: Experiência de Acadêmicos de Medicina no Programa Saúde na Escola
Palavras-chave:
Sexualidade, saúde, escolar, promoçãoResumo
A adolescência e a pré-adolescência constituem fases marcadas por intensas transformações físicas, psicológicas e sociais, exigindo ações educativas que promovam o conhecimento adequado acerca do corpo, da puberdade e da sexualidade. Nesse sentido, a educação sexual, quando desenvolvida de forma estruturada e dialógica, configura-se como estratégia fundamental de promoção da saúde, prevenção de riscos e fortalecimento da autonomia dos indivíduos. A ausência de informação adequada pode expor crianças e adolescentes a contextos de vulnerabilidade, como erotização precoce, pornografia, assédio e abuso sexual, com repercussões importantes para a saúde física e mental. O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência de acadêmicos de Medicina em uma atividade de educação em saúde realizada no âmbito do Programa Saúde na Escola (PSE), a partir de solicitação de uma escola no território de uma Estratégia de Saúde da Família (ESF), no município de Uruguaiana, em junho de 2025. A atividade foi direcionada a alunos entre 9 e 11 anos, do quinto ano do ensino fundamental, faixa etária caracterizada pela vivência das primeiras mudanças corporais da puberdade e pela necessidade de orientação compreensível e segura. O objetivo da atividade foi construir um espaço de diálogo que possibilitasse às crianças compartilhar suas percepções e dúvidas sobre o corpo, sexualidade e adolescência, ao mesmo tempo em que lhes eram fornecidas informações científicas, acessíveis e compatíveis com seu nível de maturidade, visando desmistificar o tema e promover proteção frente a situações de risco. No que se refere à metodologia, trata-se de um relato de experiência vinculado ao componente curricular de Saúde Coletiva IV, do curso de Medicina da Universidade Federal do Pampa da região da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, em consonância com os pelos princípios da Política Nacional de Promoção da Saúde. Para a construção da ação, inicialmente, foi realizada uma roda de conversa entre os membros do grupo e a escola em questão, para definir o tema e o público-alvo. Optou-se por abordar educação sexual, direcionando a ação aos alunos do quinto ano do ensino fundamental. A dinâmica proposta incluiu a entrega de folhas em branco para que os estudantes registrassem livremente suas dúvidas e comentários, sem necessidade de identificação, de modo a proporcionar maior conforto e espontaneidade. As perguntas serviram como disparadores de diálogo, permitindo mensurar os conhecimentos prévios e orientar a abordagem dos acadêmicos. Questões como como se faz um bebê?, por que eu tenho pelos?, por que minha voz está mudando? e o que é menstruação? exemplificam a curiosidade natural do público grupo e revelam o quanto o tema desperta dúvidas genuínas que, se não respondidas de forma adequada, podem levar à busca de informações em fontes inadequadas. As respostas foram construídas de maneira participativa, com linguagem acessível e sem exposição constrangedora, respeitando os limites da faixa etária. Quanto às dificuldades vivenciadas, constatou-se uma baixa adesão inicial dos alunos à proposta de escrita anônima de dúvidas, possivelmente relacionada à timidez ou à falta de hábito em tratar do tema no espaço escolar ou ainda ao tabu social envolto neste temário. Entretanto, entre aqueles que participaram, observou-se engajamento expressivo, curiosidade e disposição para dialogar, o que possibilitou reflexões valiosas e um processo de aprendizagem mútuo. A experiência evidenciou a relevância da inserção de práticas de educação sexual no contexto escolar, não apenas como meio de transmissão de informação, mas também como estratégia de empoderamento infantil, contribuindo para que as crianças reconheçam as mudanças fisiológicas da puberdade, compreendam seus direitos e saibam identificar situações de assédio e violência. Conclui-se que a ação alcançou seus objetivos, promovendo um espaço seguro de aprendizagem e desconstruindo tabus que historicamente dificultam a abordagem da sexualidade em idade precoce. Ações semelhantes podem contribuir para o fortalecimento do Programa Saúde na Escola, reforçando a integração entre ensino, serviço e comunidade, além de atuarem na prevenção de agravos e construção de uma sociedade mais consciente e protegida em relação à sexualidade infantil e adolescente.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Corpo, Puberdade e Sexualidade: Experiência de Acadêmicos de Medicina no Programa Saúde na Escola. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120977. Acesso em: 18 abr. 2026.