Projeto Adolescer: Educação Sexual e Reprodutiva com Adolescentes do Ensino Médio de Uma Escola Pública
Palavras-chave:
Direitos, Sexuais, Reprodutivos, Saúde, Escola, Formação, MédicaResumo
A IFMSA Brazil (Federação Internacional das Associações dos Estudantes de Medicina do Brasil) é uma organização estudantil presente nas escolas médicas, que visa uma formação humanizada, fortalecendo o debate e a liderança de iniciativas que promovam, essencialmente, a prevenção de doenças e a promoção da saúde para a comunidade. Na Unipampa, atua por meio do trabalho voluntário dos discentes, dividida nos comitês: Educação Médica; Saúde Pública; Direitos Humanos e Paz; e Direitos Sexuais e Reprodutivos (SCORA). Nesse sentido, o comitê SCORA é responsável pela execução do Projeto Adolescer, que busca dialogar com adolescentes sobre educação sexual e mudanças da puberdade, criando um ambiente acolhedor para troca de conhecimentos e sensibilização com um assunto ainda pouco debatido no ambiente escolar. Em suma, essa abordagem possibilita desconstruir tabus, reduzir comportamentos de risco e fortalecer a autonomia dos adolescentes para decisões conscientes, respeitando os direitos sexuais e reprodutivos. O presente trabalho trata-se de um relato de experiência acadêmica dos discentes do curso de Medicina da Universidade Federal do Pampa acerca de uma edição do Projeto Adolescer, realizada em agosto de 2025 com 40 alunos do primeiro ano do ensino médio de uma escola pública estadual da cidade de Uruguaiana-RS. Para a execução, os discentes participaram de capacitação assíncrona com duas docentes da saúde, que abordaram formas de comunicar as informações ao público-alvo, dinâmicas e o fortalecimento do conteúdo técnico sobre mudanças fisiológicas da adolescência, autocuidado, higiene íntima, Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e contracepção. Após a capacitação, a equipe tornou-se apta a produzir o material de apoio (slides), uma dinâmica e os testes pré e pós-intervenção para avaliar a efetividade. A atividade iniciou com o teste pré-intervenção, em que os alunos classificaram seu conhecimento prévio em muito, bastante, pouco, muito pouco e quase nada sobre os temas, seguido por uma roda de conversa conduzida por três estudantes de Medicina, guiada por slides com imagens da anatomia e fisiologia humana, métodos contraceptivos, ISTs e testes rápidos. Por fim, foi proposta uma dinâmica gamificada com premiação, na qual os participantes dividiram-se em três grupos e elegeram um representante. O representante participou de uma corrida, cujo objetivo era chegar primeiro em determinado alvo e garantir a chance do grupo discutir e responder um quiz com perguntas de verdadeiro ou falso sobre os temas abordados. Ao final, os alunos responderam ao questionário pós-intervenção com os mesmos critérios iniciais, a fim de verificar o impacto da ação. Os resultados obtidos refletem o impacto positivo da ação educativa no conhecimento dos adolescentes participantes. No pré-teste, no questionamento o quanto você sabe sobre?, observou-se que os alunos indicaram muito e bastante familiaridade com higiene íntima (39 alunos) e cuidado com a saúde (37 alunos), enquanto tópicos como ISTs (13 alunos), HIV/AIDS (21 alunos) e testes rápidos (22 alunos) demonstraram menor domínio. Após a intervenção, houve melhora expressiva em todos os indicadores, com destaque para o aumento de alunos que referiram alto grau de conhecimento nos temas previamente mais deficitários, como ISTs (37 alunos), HIV/AIDS (37 alunos) e testes rápidos (38 alunos). Verificou-se também crescimento nas respostas sobre prevenção da gravidez e métodos contraceptivos, demonstrando as contribuições do projeto. Além da evolução quantitativa nos testes, notou-se participação ativa durante a dinâmica gamificada, recurso pedagógico que facilitou a aprendizagem. O formato lúdico, com quiz de verdadeiro ou falso associado a prêmios, foi apontado como o momento mais apreciado, favorecendo o engajamento e tornando a experiência significativa. Os estudantes ainda sugeriram a utilização de exemplos práticos, como de todos os métodos contraceptivos, evidenciando interesse e desejo de aprofundar o conhecimento. Desse modo, o Projeto Adolescer demonstrou ser uma ferramenta eficaz na promoção da saúde entre adolescentes do ensino médio, ampliando o conhecimento sobre autocuidado, contracepção, prevenção de ISTs e utilização de serviços de saúde. A comparação entre pré e pós-teste confirmou a relevância da intervenção, que reduziu lacunas de informação e promoveu maior segurança entre os jovens na abordagem de temas ainda pouco abordados no currículo escolar. Conclui-se que as estratégias educativas que combinam linguagem acessível com atividades dinâmicas têm grande potencial de impacto na construção do conhecimento. O feedback dos alunos reforça essa percepção, uma vez que valorizaram a dinâmica interativa e apontaram sugestões de aprimoramento. Assim, evidencia-se que a continuidade e o aperfeiçoamento de iniciativas semelhantes podem fortalecer ainda mais a autonomia dos adolescentes na tomada de decisões relacionadas à saúde sexual e reprodutiva.Downloads
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Publicado
2025-10-26
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Projeto Adolescer: Educação Sexual e Reprodutiva com Adolescentes do Ensino Médio de Uma Escola Pública. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120948. Acesso em: 17 abr. 2026.