Avaliação Físico-química de Méis de Abelhas Apis Mellifera e Meliponini no Rio Grande do Sul

Autores

  • Ariadine Elesbão de Godoi
  • Thiago Guedes de Godoi
  • Cassiano Prates Medeiros
  • Douglas Wilson Herte Da Silva
  • Roberta Erdmann Rodrigues
  • Andres Canedo

Palavras-chave:

mel, Apis, mellifera, Meliponini, avaliação, físico-química

Resumo

O mel é um produto natural elaborado pelas abelhas a partir do néctar das flores ou de exsudatos vegetais. Esse recurso acompanha a alimentação humana desde a antiguidade e se destaca tanto pelo seu valor energético quanto por suas propriedades. Embora seja tradicionalmente associado à Apis mellifera, também é produzido por abelhas sem ferrão (Meliponini). O processo de formação do mel envolve a coleta do néctar, sua modificação enzimática pelas abelhas e posterior armazenamento nos favos, onde ocorre a maturação até alcançar altas concentrações de açúcares, principalmente glicose e frutose. A composição final do mel sofre influência de fatores ambientais, como a flora disponível e as condições climáticas, além de aspectos relacionados ao manejo e à extração, que afetam diretamente sua qualidade. Atualmente, além do consumo in natura, o mel tem despertado interesse da indústria alimentícia, farmacêutica e cosmética, em razão de suas propriedades terapêuticas, antimicrobianas e antioxidantes. Nesse contexto, torna-se fundamental assegurar que o produto atenda aos padrões de identidade e qualidade estabelecidos por legislações específicas, como a Instrução Normativa nº 11/2000 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. No presente estudo, foram analisadas 17 amostras de méis provenientes de diferentes municípios do Rio Grande do Sul, incluindo produções de A. mellifera e de Meliponini. Entre os parâmetros avaliados estavam: umidade, pH, acidez, sólidos insolúveis, atividade diastásica, açúcares redutores, hidroximetilfurfural (HMF), flavonoides, fenóis e prolina. Os teores de umidade dos méis de apis variaram entre 19% e 20,50%, com média de 19,59%. Esse resultado está, em sua maioria, em conformidade com o limite máximo de 20% estipulado para méis de A. mellifera, embora algumas amostras tenham superado esse valor. Já no caso dos méis de abelhas sem ferrão, para as quais não existe legislação específica, a umidade foi esperadamente mais alta, isso se deve ao fato de as abelhas sem ferrão produzirem naturalmente mais úmidos. A acidez apresentou diferenças expressivas entre espécies: enquanto os méis de A. mellifera registraram média de 23,30 meq/kg, compatível com os padrões normativos, os de Meliponini apresentaram média de 65,72 meq/kg, podendo alcançar até 110 meq/kg. Esse comportamento é consistente com a literatura, sendo associado às particularidades fisiológicas e microbiológicas das abelhas sem ferrão. O pH variou entre 3,35 e 4,20, valores adequados aos encontrados em méis de diferentes origens botânicas. Esse parâmetro tem relevância por sua influência na formação de HMF, indicador de degradação ou aquecimento excessivo. As amostras apresentaram média de 7,609 mg/kg de HMF, com valores individuais muito inferior ao limite de 60 mg/kg estabelecido pela legislação, confirmando boa conservação e ausência de adulteração. Em relação aos açúcares, a sacarose apresentou valores abaixo de 6 g/100 g, demonstrando adequada maturação do produto. Já os açúcares redutores das amostras de A. mellifera atenderam ao critério mínimo exigido de 65 g/100 g de mel. Para a condutividade elétrica, ainda que o MAPA não defina limites, os valores variaram entre 0,0473 e 0,1111 mS/cm, bem abaixo do limite de 0,8 mS/cm sugerido pelo Codex Alimentarius, confirmando o perfil de méis florais com baixo teor de minerais. As cinzas oscilaram entre 0,106% e 0,72%, com média de 0,48%, variações que podem refletir a influência da flora local e das condições edafoclimáticas. Além disso, os teores de compostos bioativos, como prolina, flavonoides e fenóis, confirmaram a maturação adequada e indicaram potencial antioxidante, atribuindo ao mel propriedades benéficas à saúde. De modo geral, os resultados confirmam que os méis de A. mellifera produzidos no Rio Grande do Sul se enquadram na legislação brasileira vigente, enquanto os de Meliponini, embora ainda não regulamentados, exibem características próprias, como maior acidez e maior diversidade de compostos bioativos. Esses resultados reforçam a importância de políticas de valorização e normatização específicas para méis de abelhas sem ferrão, reconhecendo sua singularidade e relevância para a apicultura e meliponicultura no Brasil.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Avaliação Físico-química de Méis de Abelhas Apis Mellifera e Meliponini no Rio Grande do Sul. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120943. Acesso em: 17 abr. 2026.