Divulgação Científica e Sensibilização Social Sobre Animais Peçonhentos em São Gabriel, Rio Grande do Sul

Autores

  • Laura Epp Hubert
  • Bianca Figueiredo de Sousa
  • Marcia Regina Spies

Palavras-chave:

Aranhas, Escorpiões, Extensão

Resumo

A divulgação científica é essencial para reduzir o medo exagerado e, ao mesmo tempo, reforçar a importância ecológica desses animais, muitas vezes vistos apenas como uma ameaça. O projeto de extensão Prevenção de Acidentes por Animais Peçonhentos, desenvolvido pelo Laboratório de Estudos em Biodiversidade Pampeana (LEBIP), da UNIPAMPA Campus São Gabriel teve como objetivo aproximar a comunidade do conhecimento científico sobre animais de importância médica, promovendo a sensibilização e a ressignificação de mitos frequentemente associados a esses organismos. No segundo semestre de 2024 e primeiro semestre de 2025, alunos de Ensino Fundamental e Médio participaram de visitas ao laboratório, em parceria com o projeto Trilha Interpretativa Campus Verde do Laboratório GIDANE (Grupo Interdisciplinar de Desenvolvimento Ambiental), bem como em ações de extensão na Feira de Profissões promovida pela UNIPAMPA São Gabriel. Os estudantes foram convidados a conhecer de perto espécies fixadas e vivas de aranhas, escorpiões e serpentes, observando suas características e hábitos. Entre as aranhas, destacaram-se a aranha-marrom (Loxosceles gaucho), armadeira (Phoneutria nigriventer) e viúva-negra (Latrodectus mirabilis e Latrodectus geometricus), todas de importância médica por estarem envolvidas em acidentes que podem necessitar de atendimento especializado. No grupo dos escorpiões, foi apresentada a espécie Tityus uruguayensis com distribuição no sul do Brasil, Uruguai e Argentina. Já entre as serpentes, estiveram presentes representantes dos gêneros Bothrops (jararaca e cruzeira) e Micrurus (corais-verdadeiras), responsáveis por grande parte dos acidentes ofídicos registrados anualmente no país e cuja correta identificação é fundamental para orientar o tratamento médico adequado. Além das espécies de interesse médico, também foram apresentadas espécies inofensivas, como as serpentes Dipsas ventrimaculata (dormideira), Oxyrhopus rhombifer (falsa coral), caranguejeiras, aranhas da família Lycosidae (aranha-de-jardim) e o escorpião Bothriurus bonariensis. Essa diferenciação entre as espécies de interesse médico e as sem gravidade foi fundamental para que os estudantes aprendessem a distinguir diferenças morfológicas e comportamentais, reduzindo medos infundados, desfazendo estigmas e reforçando a importância da preservação de animais que, embora inofensivos, são frequentemente mortos por falta de conhecimento. Ao vivenciar o contato com os animais, os alunos foram incentivados a desenvolver pensamento crítico, maior segurança na identificação de espécies e maior respeito à biodiversidade local, reconhecendo o papel essencial desses animais nos ecossistemas. A exposição na Feira de Profissões ampliou o alcance do projeto para um público diversificado, incluindo crianças, jovens, adultos e idosos. Neste espaço, o projeto despertou grande interesse e envolvimento, favorecendo a integração social e o diálogo entre diferentes gerações. A oportunidade de contato direto com os animais chamou a atenção dos visitantes, estimulando perguntas, comentários e reflexões sobre acidentes, primeiros socorros, conservação e a importância de não matar indiscriminadamente espécies que desempenham funções ecológicas relevantes. A divulgação científica em espaço público contribuiu para desconstruir crenças populares, combater informações equivocadas, fortalecer a educação em saúde e valorizar o papel da ciência no cotidiano da população. Ao despertar curiosidade, ressignificar os mitos e incentivar a conservação, o projeto reafirmou sua função extensionista ao unir ensino, pesquisa e sociedade em um processo contínuo de troca de saberes e experiências. Dessa forma, consolidou-se como uma ferramenta eficaz de educação ambiental e científica, reforçando a importância das universidades no desenvolvimento local, na formação cidadã e na construção de uma cultura de respeito, preservação e coexistência entre seres humanos e animais peçonhentos.

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Publicado

2025-10-26

Como Citar

Divulgação Científica e Sensibilização Social Sobre Animais Peçonhentos em São Gabriel, Rio Grande do Sul. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 3, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120940. Acesso em: 16 abr. 2026.