Abordagem de Corpo, Gênero e Sexualidade no Ensino de Ciências para Adolescentes
Palavras-chave:
Educação, Sexual, Adolescência, Metodologias, Ativas, Vulnerabilidade, SocialResumo
Discussões acerca de corpo, gênero e sexualidade na escola ainda enfrentam tabus e resistências, mas se mostram essenciais no combate a desinformação e promoção do respeito à diversidade. A temática Educação Sexual, que anteriormente se destacava entre os eixos nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), foi reduzida na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e nos Temas Contemporâneos Transversais na BNCC assumiram um viés de abordagem da saúde na perspectiva biológica. Diante da importância de inserir essa temática dentro do contexto escolar, esse trabalho apresenta uma proposta sobre corpo, gênero, sexualidade e gravidez na adolescência, visando fornecer informações científicas e éticas para combater desinformação e preconceitos e, acolher as vivências e dúvidas dos adolescentes, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. A atividade foi desenvolvida por licenciandas do curso de Ciências da Natureza da Unipampa, bolsistas no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), mediado pela docente de Ciências. Teve como cenário uma escola pública de periferia, participaram 26 educandos do 8º ano, sendo 10 do sexo feminino e 16 do sexo masculino, com idade média de 14 a 15 anos. A organização contemplou cinco etapas, sendo: i. Organização de uma roda de conversa para introdução e discussão inicial do tema; ii. Construção anônima pelos educandos de questionamentos que apresentassem possíveis dúvidas sobre tema, com tempo estipulado em cerca de 15 minutos; iii. Coleta das perguntas elaboradas em uma caixinha mantendo o anonimato; iv. Roda de conversa com leitura de forma aleatória dos questionamentos construídos e apresentação de respostas corretas com discussão e problematização sobre a percepção deles; v. Sistematização das atividades para sanar possíveis dúvidas e momento dos participantes expressarem dúvidas e curiosidades sobre sexualidade, corpo, relações afetivas e identidade. Após finalização da atividade os questionamentos foram recolhidos pelo grupo do PIBID e professora para leitura, análise e categorização. Os resultados indicaram quatro categorias, sendo elas: 1. Corpo, Puberdade e Desenvolvimento Físico: Essa categoria demonstrou que os adolescentes sentem curiosidade e insegurança sobre as mudanças corporais típicas da puberdade, como alterações hormonais e novas sensações físicas. Questões como por que o corpo muda tanto nessa fase? mostrou a necessidade de compreender que essas transformações são naturais, mas podem gerar estranhamento. É fundamental oferecer informações claras sobre o processo biológico, aliado a um olhar acolhedor para os impactos emocionais dessa fase de transição. 2. Sexualidade e Comportamento Sexual: As dúvidas mais comuns envolvem práticas sexuais, métodos contraceptivos, limites e idade para iniciar a vida sexual. Também surgiram questões sobre orientação sexual e comportamentos aceitos socialmente. Isso evidenciou que a educação sexual precisa ir além da anatomia, abordando respeito, consentimento e prevenção. 3. Gravidez e Saúde Reprodutiva: os dados dessa categoria demonstram preocupação com a possibilidade de gravidez, métodos contraceptivos, riscos e consequências, além de aspectos como a depressão na gestação e apoio à adolescente grávida. Também apareceram perguntas sobre aborto e cuidados com a saúde reprodutiva. Esse eixo reforçou a importância de orientar sobre planejamento familiar, funcionamento do sistema reprodutivo e direitos sexuais e reprodutivos. 4. Gênero, Orientação Sexual e Relações Afetivas: Dúvidas como diferença entre identidade de gênero e orientação sexual, bem como sobre vivências que fogem ao padrão heteronormativo. Questões como sou bissexual? ou é normal não ter interesse por ninguém? demonstraram que os jovens buscam compreender e validar seus sentimentos, além de identificar onde se encaixam socialmente. Esses questionamentos reforçam a importância de uma abordagem educativa, respeito e empatia. Os resultados revelaram diversidade de inquietações que permeiam a vivência adolescente, perpassando por aspectos biológicos da puberdade até questões sensíveis envolvendo abuso, consentimento e identidade de gênero. Conclui-se que a experiência reforçou a importância de tratar corpo, gênero e sexualidade no ensino de Ciências de forma contextualizada e respeitosa. A escola, especialmente em contextos periféricos e muitas vezes com educandos em situação de vulnerabilidade, é um espaço vital para oferecer informações seguras e combater preconceitos. A metodologia utilizada evidenciou que os adolescentes estão ávidos por conhecimento e acolhimento, e que a educação sexual deve transcender o aspecto biológico para incluir dimensões sociais e emocionais. Ressalta-se ainda, que a proposta contribuiu na reflexão crítica dos bolsistas PIBID sobre a relevância de abordagens acerca da temática educação sexual no contexto escolar, contribuindo assim no processo formativo dos futuros docentes.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Abordagem de Corpo, Gênero e Sexualidade no Ensino de Ciências para Adolescentes. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120918. Acesso em: 14 maio. 2026.