Horta na Escola: Sementes do Futuro
Palavras-chave:
Horta, Escolar, Botânica, Metodologias, AtivasResumo
O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) tem por objetivo inserir o licenciando no contexto escolar, oportunizando experiências que favoreçam a aproximação entre teoria e prática e a construção de práticas pedagógicas inovadoras. A partir da inserção de um grupo de licenciandos atuantes no PIBID no contexto escolar e do estudo da Matriz Curricular da SEDUC/RS verificou-se que o ensino de botânica vem sendo gradativamente suprimido da matriz curricular do ensino fundamental. Esse fato pode ocasionar um distanciamento dos estudantes em relação ao estudo das plantas, à compreensão de sua relevância para a vida humana e para o equilíbrio ambiental. Diante do exposto, esse trabalho apresenta uma proposta pedagógica integradora, elaborada por licenciandos do PIBID e professora responsável pela disciplina de Ciências, acerca da criação de uma horta escolar como estratégia para inserção da botânica no contexto escolar. A metodologia contemplou a pesquisa-ação com a criação de uma proposta desenvolvida em uma escola pública situada em região periférica da cidade, caracterizada por uma comunidade de baixa renda, frequentemente afetada por enchentes decorrentes do rio Uruguai, situação que obriga famílias a se deslocarem para ginásios ou barracas provisórias. O projeto envolveu em média 140 educandos dos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental. Para minimizar riscos de contaminação e zoonoses, considerando a significativa população de gatos da região, optou-se pela construção de uma horta vertical. O espaço foi inicialmente revitalizado pelos licenciandos do PIBID, que prepararam o local e organizaram os materiais necessários, como paletes, garrafas pet, ferramentas, sementes, mudas, adubos, vasos e pedrinhas decorativas. Após a etapa de preparação, ocorreu uma problematização com as turmas para definição dos canteiros e das espécies a serem cultivadas, ficando estabelecidas quatro subdivisões principais: hortaliças, plantas medicinais, leguminosas e temperos. A organização das atividades contemplou a participação de todas as turmas: os anos iniciais ficaram responsáveis pela horta de hortaliças, o 6º ano pela horta de temperos, o 7º ano pelo cultivo e cuidado das plantas medicinais, o 8º ano pelas leguminosas e o 9º ano pela manutenção geral e apoio no revezamento das demais tarefas. Para garantir o cuidado contínuo, elaborou-se uma tabela de organização das responsabilidades, incluindo irrigação, limpeza, adubação e replantio. A metodologia adotada buscou integrar todos os anos do Ensino Fundamental em etapas sequenciais e colaborativas, de forma que cada turma tivesse uma função específica dentro da horta escolar, orientando pesquisas sobre as espécies utilizadas, maneira correta de semeadura e irrigação, principais substratos indicados, tempo de crescimento das plantas escolhidas, luminosidade e melhor período do ano para plantio. Os resultados indicaram o despertar da curiosidade dos educandos dos anos iniciais no primeiro contato com a terra, na identificação das hortaliças, de seus benefícios para a saúde. Nos anos finais verificou-se a compreensão de como o cultivo desses vegetais se conecta à alimentação, ao uso cotidiano das famílias e aos processos de ciclos na natureza. A partir de discussões e construção de material didático observou-se o resgate cultural e a valorização dos saberes populares advinda de familiares, favorecendo a relação entre o cultivo e a função terapêutica de plantas medicinais. A prática agrícola, com a exigência de maior atenção e preparação para plantio das leguminosas, contribui para melhor compreensão da parte teórica que trata sobre a fixação de nitrogênio no solo e da presença de nutrientes necessários para o ser humano. A etapa de manutenção geral da horta, que exigiu maior organização e dedicação, despertou nos educandos, de maneira perceptível aos promotores da atividade, o senso de responsabilidade e a valorização do trabalho coletivo em prol de todos os sujeitos da escola. Conclui-se que, ao articular teoria e prática, a horta escolar configura-se como um recurso pedagógico capaz de enriquecer o processo de ensino-aprendizagem, promovendo a interdisciplinaridade e o desenvolvimento de competências socioemocionais. A promoção da atividade cooperou de maneira fundamental no processo formativo e reflexivo dos licenciandos integrantes do PIBID, através de vivências de planejamento, organização e da elaboração de propostas metodológicas. Assim, mais do que um espaço de cultivo, a horta torna-se um laboratório vivo de aprendizagem, que contribui para a formação de cidadãos críticos, colaborativos e comprometidos com a sustentabilidade, permitindo que se tornem as sementes do futuro na preservação dos recursos naturais.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Downloads
Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Horta na Escola: Sementes do Futuro. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120916. Acesso em: 14 maio. 2026.