A Atuação Como Bolsista Pibid na Eja: Reflexões Sobre Projeto de Vida e Formação Docente

Autores

  • Amanda Linhares
  • Talyta de Freitas Soares
  • Daniele Seixas Lopes
  • Rafhael Brum Werlang
  • Sabrina Gonçalves Marques

Palavras-chave:

Educação, básica, Iniciação, docência, Jovens, Adultos

Resumo

O presente resumo justifica-se pela relevância do tema e pela recente incorporação do Projeto de Vida na legislação educacional brasileira. A Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Brasil é historicamente marcada por ações descontínuas e marginalização nas políticas educativas (MARQUEZ; GODOY, 2020). Seus sujeitos não se definem apenas pela idade, mas pela condição de exclusão e abandono escolar. A escolarização contribui para superar preconceitos, desenvolver autonomia e melhorar a qualidade de vida, sendo direito garantido pela Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988). O Projeto de Vida já vinha sendo trabalhado em diferentes países e, recentemente, foi incorporado ao sistema educacional brasileiro. Nos últimos anos, sua incorporação ao Novo Ensino Médio como componente curricular obrigatório demandou também a preparação dos professores, visto que essa dimensão deve integrar seu próprio percurso formativo. No contexto da EJA, torna-se fundamental considerar que as vivências dos estudantes atribuem a essa modalidade uma identidade distinta da educação regular, marcada por necessidades pedagógicas específicas, metodologias adequadas de ensino e percepções diferenciadas sobre idade e tempo escolar (SOARES, 2011). Dessa forma, refletir sobre as especificidades do público-alvo da EJA em relação ao Projeto de Vida dos alunos mostra-se essencial para fortalecer práticas pedagógicas que promovam autonomia, reflexão crítica e novas perspectivas de futuro, já que reúne tanto adultos em busca de escolarização tardia quanto jovens que enfrentaram dificuldades em permanecer no ensino regular. A experiência relatada foi desenvolvida no âmbito do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), durante a formação em Licenciatura do curso ABI em Ciências da Natureza e Matemática da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). A atuação ocorreu junto a turmas da EJA em uma escola pública do município de Caçapava do Sul, especificamente na disciplina de Projeto de Vida. Entre as atividades desenvolvidas, destacaram-se reflexões sobre os motivos que levaram os alunos à escolha da EJA, a identificação de dons e pontos fortes e discussões sobre as possibilidades de ingresso no ensino superior, com ênfase nos cursos ofertados pela UNIPAMPA. Também foi aplicado um teste vocacional, atividade significativa diante da indecisão de muitos estudantes quanto ao futuro profissional, proporcionando maior clareza sobre áreas de interesse e abrindo espaço para diálogos sobre percursos acadêmicos e profissionais. Outra ação de grande relevância consistiu na produção de um podcast pelos próprios estudantes, no qual relataram suas razões para ingressar na EJA e compartilharam suas pretensões futuras após a conclusão da escolarização básica. Esse exercício promoveu protagonismo, valorização da oralidade e registro das vivências individuais e coletivas. Houve ainda a participação na Feira de Profissões, evento escolar que envolveu turmas do Ensino Médio regular noturno e da EJA. Os trabalhos apresentados contemplaram diversas profissões, permitindo aos estudantes ampliar seus horizontes e compreender a relação entre escola, vida social e mundo do trabalho. Durante as atividades, observou-se o desejo dos alunos em alcançar independência, melhores condições de vida, inserção no ensino superior e qualificação profissional. Para alguns, o retorno à escola foi motivado pelo exemplo dos filhos; para outros, representou a possibilidade concreta de transformação pessoal e social. Em todos os casos, a educação se revelou como esperança de um futuro melhor. O PIBID configurou-se, portanto, como experiência fundamental para a formação inicial docente, pois possibilitou compreender a complexidade dessa modalidade, reconhecer seus sujeitos e refletir sobre suas demandas específicas. Evidenciou-se a importância do diálogo, do uso de metodologias diversificadas, mas, principalmente o reconhecimento das histórias de vida dos estudantes como parte do processo pedagógico. Conclui-se, assim, que a EJA deve ser compreendida como um direito fundamental, capaz de oportunizar aos sujeitos a reescrita de suas trajetórias, o desenvolvimento de projetos de vida e a construção de um futuro mais digno. Referências: BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. MARQUEZ, Nakita Ani Guckert; GODOY, Dalva Maria Alves. Políticas públicas para educação de jovens e adultos: em movimento e disputa. Revista de Educação Popular, Uberlândia, v. 19, n. 2, p. 25-42, maio/ago. 2020. SOARES, Leôncio José Gomes. As especificidades na formação do educador de jovens e adultos: um estudo sobre propostas de EJA. Educação em Revista, Belo Horizonte, v.27, n.2, p.303-322, ago 2011.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

A Atuação Como Bolsista Pibid na Eja: Reflexões Sobre Projeto de Vida e Formação Docente. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120910. Acesso em: 9 jun. 2026.