Entre a Universidade e a Escola: Aprendizagens e Desafios no Pibid com Estudantes Indígenas
Palavras-chave:
PIBID, formação, docente, interculturalResumo
O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) tem se consolidado como um dos principais espaços de formação e aperfeiçoamento para os futuros professores, por articular teoria e prática de forma integrada e significativa. Ele possibilita que os acadêmicos de licenciatura vivenciem desde cedo a realidade da escola básica, o que contribui para a construção de um olhar crítico, reflexivo e comprometido com a educação. Além disso, fortalece o trabalho coletivo, o diálogo com professores supervisores e a valorização da escola como espaço de transformação social. No âmbito do curso de Educação do Campo da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), campus Dom Pedrito, a participação no PIBID tem representado uma experiência transformadora. Por meio do programa, os estudantes têm a oportunidade de articular os conhecimentos adquiridos em sala de aula com práticas desenvolvidas junto às comunidades escolares, o que enriquece sua formação e fortalece sua identidade docente. A cada atividade realizada, torna-se mais evidente a importância do PIBID para a formação inicial, uma vez que ele proporciona o desenvolvimento de competências fundamentais, como a autonomia na ação pedagógica, a segurança no exercício docente e a capacidade de refletir criticamente sobre o próprio trabalho. Um dos diferenciais mais significativos para os acadêmicos indígenas participantes do programa é a possibilidade de relacionar o conhecimento científico aprendido na universidade com os saberes tradicionais de suas comunidades. Tal perspectiva torna a formação ainda mais rica e promove um ensino que respeita a diversidade cultural e reconhece diferentes formas de conceber e interpretar o mundo. Este trabalho tem por objetivo descrever as atividades desenvolvidas sobre o ciclo da água no contexto da cultura indígena. Durante a prática, nós construímos maquetes, explicando a composição molecular da água (H₂O) e detalhando o processo do ciclo hidrológico, desde a evaporação provocada pela energia solar até a condensação e a precipitação. Essas atividades permitiram aos alunos compreenderem o fenômeno em sua dimensão científica. Ao mesmo tempo, que conseguimos levar para o debate a concepção tradicional de seus povos, que entendem a água como um elemento vital, sagrado e espiritual. Na visão indígena, a água não serve apenas para matar a sede ou abastecer plantações, mas é considerada parte de um todo indivisível que sustenta a vida em sua integralidade. Ela é também espaço de ritualidade e comunicação espiritual, o que confere ao ensino uma dimensão mais ampla, integradora e significativa. Outra experiência importante foi o estudo do solo. A partir de experimentos práticos, os estudantes observaram diferentes tipos de solo e analisaram aspectos como fertilidade, permeabilidade, compactação e pH. Essas práticas possibilitaram aos alunos compreenderem melhor a formação e as características do solo, relacionando a teoria à experiência concreta. Nesse contexto, destacou-se também a visão indígena sobre a terra, que vai além da concepção utilitarista de recurso produtivo. Para os povos indígenas, o território é um espaço de memória, identidade, espiritualidade e cultura, onde se organizam as relações sociais e se preservam tradições. Assim, a abordagem do tema não apenas aprofundou o conhecimento científico, mas também promoveu uma reflexão crítica sobre diferentes formas de relação com o meio ambiente. Além disso, a vivência coletiva no programa estimula a cooperação, o respeito mútuo e o fortalecimento dos vínculos entre os participantes, o que contribui para um ambiente de aprendizagem colaborativo. Até o momento, a participação no PIBID tem se mostrado uma experiência profundamente enriquecedora, que vai além da simples aplicação de conteúdo. O programa tem se configurado como espaço de transformação acadêmica e pessoal, pois prepara os futuros professores para atuar de forma crítica, reflexiva e comprometida com a realidade social e cultural dos alunos. Ele cumpre seu papel de aproximar a formação universitária da prática escolar, contribuindo para que o processo educativo seja mais inclusivo, diversificado e conectado às necessidades da comunidade. Cada encontro, cada prática e cada experiência compartilhada tornam o grupo mais unido e preparado para os desafios da docência. O PIBID, assim, não apenas prepara profissionais para o mercado de trabalho, mas forma educadores conscientes de seu papel social, valorizando a diversidade cultural, promovendo a reflexão crítica e contribuindo para a construção de uma educação pública de qualidade.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Entre a Universidade e a Escola: Aprendizagens e Desafios no Pibid com Estudantes Indígenas. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120906. Acesso em: 14 maio. 2026.