Maternidade e ensino: experiência de monitoria em Fisioterapia Cardiorrespiratória

Autores

  • Bibiana Amado
  • Giulia Alessandra Wiggers Peçanha

Palavras-chave:

permanência, estudantil, gestação, universidade, pública

Resumo

O ambiente acadêmico na graduação é desafiador, repleto de enfrentamentos, descobertas e adaptações, e marcado por realidades plurais, incluindo, de forma particular, a experiência da discência com a maternagem. Este, por ser um tema pouco discutido, torna-se inviabilizado perante a comunidade acadêmica e a gestão universitária. Os inúmeros desafios estruturais de permanência evidenciam uma verdadeira luta de conciliação das atividades acadêmicas, maternidade e gestão do tempo, tornando-se quase fisiológica a necessidade de encontrar apoio e acolhimento. Para que possamos falar do presente e impactar o futuro dessas mulheres, é preciso pontuar primeiramente as mulheres que vieram antes de nós e que abriram caminhos para que possamos hoje exercer nossos direitos de permanência. É nosso dever, portanto, dar voz e caminho para que outras também o possam percorrer. Em certos momentos, a carga emocional dessas estudantes transpassa pela delicada jornada de estar longe da própria família e enfrentar barreiras físicas, emocionais e sociais, ao passo de que com o tempo, a gestação torna-se mais e mais desafiadora fisiologicamente. Estes fatos impactam diretamente na qualidade e desempenho da trajetória acadêmica, pois estar grávida ou ser mãe durante a formação acadêmica é quase como assistir uma colisão entre dois mundos muito distintos, pois esse espaço, em grande parte, não foi projetado para acolher essa realidade. Nesse contexto, inúmeras são as ofertas de atividades formativas dentro do curso de fisioterapia, oportunidades essas de aprendizado e convivência estudantil, como a monitoria acadêmica. Por se tornar um espaço em que existam diálogo, as mães podem encontrar ali não só a possibilidade de rever e aprofundar conteúdos, participando também de atividades práticas, mas de fortalecer a comunicação com o restante das pessoas, desmistificando alguns mitos e contando suas histórias, permitindo que sejam vistas e ouvidas. Este trabalho relata a experiência de uma estudante do nono semestre do curso de Fisioterapia da Universidade Federal do Pampa, que durante o período gestacional atuou como monitora no componente curricular de Fisioterapia Cardiorrespiratória. Trata-se de uma descrição sistemática da vivência, contemplando a participação em aulas teóricas e práticas, apoio às atividades desenvolvidas durante a monitoria e a reflexão crítica sobre as demandas de gestar no ambiente acadêmico. Em primeiro lugar, pode-se analisar as potencialidades da monitoria como espaço formativo e até onde existe apoio para às mães dentro da instituição. Embora a monitoria tenha se tornado um espaço seguro e de acolhimento pelo docente responsável, TAES e colegas, as lacunas institucionais são significativas e impactantes. As barreiras enfrentadas vão além das dificuldades físicas, incluindo os aspectos fisiológicos emocionais, como a ansiedade, e sociais, como julgamentos e expectativas em torno do desempenho dessas estudante-mãe. Esses fatores exigem maior sensibilidade e preparo das instituições, onde faz-se necessário que a maternidade seja reconhecida como parte da diversidade estudantil e não como mais um obstáculo à formação. Embora existam na teoria políticas de permanência estudantil, limitam a participação plena e comprometem a aprendizagem em disciplinas com forte componente prático, como o caso do curso de Fisioterapia. Tal realidade evidência a urgência de elaborar políticas institucionais mais específicas, capazes de assegurar condições equitativas de permanência e de sucesso acadêmico para mães que apenas desejam estudar. Conclui-se que a monitoria, nesse contexto, representou não apenas uma estratégia pedagógica, mas um espaço para fortalecimento, resistência e reafirmação das mulheres no ensino superior. Mais do que um relato individual, o presente trabalho reflete a realidade de muitas estudantes, que, ao conciliar em gestação, maternidade e formação acadêmica, demonstram coragem, resiliência e compromisso com a ciência. Nesse sentido, a monitoria se mostrou um espaço de aprendizado, mas também da importância de seguir evidenciando essas experiências e contribuindo para que a permanência estudantil não seja só um número, mas um relato futuro de mães que puderam cursar o ensino superior de forma mais digna, assegurando a preservação de sua saúde mental e uma formação de qualidade para essas mulheres.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Maternidade e ensino: experiência de monitoria em Fisioterapia Cardiorrespiratória. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120901. Acesso em: 9 jun. 2026.