Ensino da Literatura Afro-brasileira no Pibid: Leitura de Vozes-mulheres e Formação Crítica Escolar
Palavras-chave:
Ensino, público, Identidade, Mulher, NegraResumo
A literatura afro-brasileira configura-se como um campo de resistência, memória e afirmação identitária, desempenhando papel essencial no combate ao racismo estrutural e na valorização da diversidade cultural brasileira. Inserida no contexto escolar, especialmente no ensino público, ela se revela um recurso pedagógico capaz de ampliar a consciência crítica dos estudantes, fortalecendo vínculos identitários e sociais. Como afirma Cosson (2014, p. 23), a literatura é um direito e, como tal, precisa ser garantida a todos os alunos, independentemente de sua origem social. Nesse cenário, o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) contribui significativamente para a inserção da literatura afro-brasileira no espaço escolar. Ao aproximar licenciandos da realidade da sala de aula, o programa favorece a criação de práticas inovadoras de ensino que dialogam diretamente com a realidade dos alunos da escola pública. Assim, o PIBID torna-se um elo entre teoria e prática, fortalecendo tanto a formação dos futuros professores quanto a aprendizagem dos estudantes. A proposta metodológica fundamenta-se no letramento literário crítico (COSSON, 2014) e na integração entre ensino, pesquisa e prática docente, princípios que orientam as ações do PIBID. No desenvolvimento da prática pedagógica realizada no Instituto Estadual de Educação Espírito Santo, com uma turma de 3º ano do ensino médio noturno, com alunas na faixa etária de idade entre 17 e 19 anos, foi trabalhada a leitura e análise do poema Vozes-Mulheres de Conceição Evaristo. O texto, que percorre gerações de mulheres negras e suas lutas, serviu como ponto de partida para discussões sobre identidade, memória e resistência. O poema traz versos como: A voz de minha bisavó ecoou criança nos porões do navio. A voz de minha avó ecoou obediência aos brancos-donos de tudo. A voz de minha mãe ecoou baixinho revolta no fundo das cozinhas alheias (EVARISTO, 2017, p. 45). Esses fragmentos foram debatidos em sala por meio de uma roda de conversa, na qual os alunos puderam relacionar o passado de opressão ao presente de luta por reconhecimento e protagonismo da mulher negra. Após a leitura e discussão coletiva, foi proposta a produção de um texto dissertativo-argumentativo com o seguinte tema: Produza um texto dissertativo-argumentativo em que você analise o papel da mulher negra na história e na sociedade brasileira, relacionando o passado de opressão e silêncio à sua luta atual por reconhecimento e protagonismo. Apresente propostas para ampliar a inclusão e a valorização das mulheres negras no Brasil contemporâneo. Essa atividade integrou leitura literária, reflexão crítica e prática de escrita, em consonância com as orientações da BNCC (BRASIL, 2018), que valoriza a produção textual como instrumento de formação cidadã. A prática realizada demonstrou resultados expressivos tanto no ensino de literatura quanto na formação crítica dos estudantes. Durante as rodas de conversa, percebeu-se o engajamento dos alunos, que compartilharam percepções sobre a presença da mulher negra em suas próprias famílias e comunidades. Além disso, na produção escrita, muitos destacaram a importância de reconhecer a luta das mulheres negras não apenas como herança histórica, mas como pauta urgente da sociedade contemporânea. O exercício de escrita dissertativo-argumentativa possibilitou que os estudantes desenvolvessem competências de análise, argumentação e proposição, alinhadas ao gênero exigido nos grandes exames nacionais, como o ENEM. Como ressalta Evaristo (2009, p. 29), a literatura negra é também um ato político, e essa prática evidenciou que o ensino literário pode dialogar diretamente com a formação crítica e cidadã dos alunos. Para os bolsistas do PIBID, a atividade significou a oportunidade de vivenciar o processo de ensino de forma prática e reflexiva, aprendendo a planejar e conduzir atividades que promovem tanto a valorização cultural quanto a formação acadêmica e social dos alunos. Conclui-se que a literatura afro-brasileira, ao ser trabalhada no ensino público com o suporte do PIBID, constitui um instrumento pedagógico potente de valorização cultural e transformação social. A experiência com a leitura de Vozes-Mulheres e a posterior produção de textos dissertativo-argumentativos demonstrou que o ensino literário pode formar leitores críticos e escritores conscientes, capazes de analisar a realidade e propor caminhos para a inclusão e a valorização das mulheres negras no Brasil. Como afirma Cosson (2014, p. 25), a leitura literária, na escola, deve ser uma prática de liberdade e não de submissão. Nesse sentido, o ensino da literatura afro-brasileira em escolas públicas reafirma o compromisso da educação com a construção de uma sociedade mais justa, plural e democrática.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Ensino da Literatura Afro-brasileira no Pibid: Leitura de Vozes-mulheres e Formação Crítica Escolar. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120884. Acesso em: 14 maio. 2026.