Experiências com o Pibid/espanhol

Autores

  • Leticia Carneiro
  • Lisa Colman
  • Manuela Munhos
  • Moacir Lopes de Camargos

Palavras-chave:

língua, espanhola, aprendizagem, Pibid, América, Latina

Resumo

A partir de nossa experiência como professoras em formação de língua espanhola na condição de bolsistas vinculadas ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) , observamos que a maioria dos materiais didáticos disponíveis e utilizados em nosso contexto referentes a esta língua adicional apresentam, em geral, poucas referências de caráter linguístico e cultural relacionadas aos países latino-americanos. Esse aspecto nos chamou a atenção de forma significativa, sobretudo porque o Brasil compartilha fronteiras geográficas diretas com sete países cuja língua oficial é o espanhol, o que torna ainda mais evidente a necessidade de um ensino que contemple essa diversidade cultural e linguística. Em outras palavras, apesar de uma proximidade territorial tão expressiva, a presença da América Latina nos livros e nas práticas pedagógicas ainda aparece de modo bastante reduzido, quase sempre limitada a menções pontuais, o que empobrece a compreensão do espaço que habitamos. Dessa forma, o objetivo principal deste trabalho é analisar os conhecimentos que estudantes do primeiro ano do ensino médio possuem a respeito da América Latina, ao mesmo tempo em que buscamos compreender e discutir as percepções identitárias desses jovens em relação ao fato de se reconhecerem ou não como sujeitos latino-americanos. Os participantes da pesquisa foram estudantes de uma escola pública localizada em uma região central da cidade de Bagé, RS, cuja faixa etária variava entre 15 e 17 anos. Ressaltamos ainda que esse município apresenta uma localização estratégica, por estar situado a apenas 60 km da fronteira com o Uruguai, condição geográfica que, em tese, poderia favorecer um maior contato e uma maior identificação dos jovens com o universo hispano-falante. Para a realização da pesquisa e a consequente geração de dados, optamos pela aplicação de um questionário composto por um mapa da América Latina, acompanhado de treze perguntas abertas durante o 2º semestre de 2025. Essa estratégia nos pareceu pertinente porque possibilita ao estudante não apenas indicar elementos objetivos, como a localização geográfica, mas também elaborar suas próprias percepções, narrativas e interpretações sobre o tema. No que diz respeito aos procedimentos metodológicos, adotamos uma abordagem qualitativa de análise, já que nosso interesse não esteve voltado para a quantificação das respostas, mas sim para a compreensão do contexto sócio-histórico-cultural em que esses sujeitos estão inseridos. Essa escolha metodológica se justifica porque compreendemos que as identidades, inclusive a latino-americana, não são dadas de forma natural ou universal, mas construídas em meio a práticas sociais, discursos e experiências coletivas, o que reflete diretamente no modo como os alunos percebem suas realidades e constroem sentidos sobre si mesmos. A análise dos quinze questionários respondidos revelou alguns pontos importantes que merecem destaque. Em primeiro lugar, constatamos que os alunos, de modo geral, não demonstram conhecer a localização geográfica da maioria dos países vizinhos, com exceção do Uruguai, país cuja proximidade física é mais imediata. Esse desconhecimento vai além da simples dificuldade em identificar países no mapa: ele expressa uma ausência de familiaridade com o espaço latino-americano como um todo. Outro aspecto significativo observado é que os estudantes não se reconhecem como latino-americanos. Além disso, verificamos que os alunos apresentam pouco conhecimento cultural sobre a América Latina, especialmente no que se refere à literatura, à produção artística e a manifestações culturais diversas. Esse dado é particularmente relevante, pois a literatura, como forma de expressão e preservação de identidades, poderia desempenhar um papel fundamental no processo de aproximação entre os estudantes e a noção de pertencimento a um espaço maior, plural e partilhado. Todos esses elementos revelam, portanto, a necessidade de repensarmos as práticas pedagógicas e os conteúdos trabalhados em sala de aula. Acreditamos que cabe a nós, professores em formação, buscar estratégias que contribuam para inserir a América Latina de forma mais significativa nas disciplinas escolares. Isso pode ocorrer não apenas nas aulas de língua espanhola, que já oferecem um espaço privilegiado para essa discussão, mas também em outras áreas do conhecimento, como a história, a geografia e até mesmo a literatura em língua portuguesa, que frequentemente dialoga com produções de países vizinhos. Trabalhar a América Latina como lugar de pertencimento, de produção de conhecimento e de identidades plurais é, portanto, um passo essencial para formar sujeitos críticos, conscientes de sua realidade e capazes de valorizar a riqueza cultural e linguística que compõem nossa região.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Experiências com o Pibid/espanhol. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120882. Acesso em: 14 maio. 2026.