ENGENHARIA E SOCIEDADE NA ROMA ANTIGA: INVESTIGANDO A URBE COM UM MODELO DIDÁTICO
Palavras-chave:
Urbanismo, Romano, Saneamento, Histórico, Espaço, PúblicoResumo
A análise da formação urbana de Roma Antiga, por meio da construção de modelos tridimensionais, constitui uma ferramenta pedagógica de alta relevância para estudantes do curso Técnico em Meio Ambiente, ao permitir a visualização das complexas interações entre uma sociedade pré-capitalista de alta densidade demográfica e seu ambiente construído. Este exercício didático, inserido no contexto da disciplina de Formação Urbana do Mundo Contemporâneo do curso Técnico em Meio Ambiente do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul), campus Bagé, explora a cidade romana não como uma relíquia histórica, mas como um laboratório primordial de gestão urbana em larga escala, cujos desafios relacionados à infraestrutura, saneamento, uso do solo e gestão de espaços públicos e privados ecoam em problemáticas urbanas contemporâneas. A compreensão da urbe romana, com sua notória capacidade de engenharia para gerir recursos hídricos e resíduos, mas também com sua documentada geração de poluição fluvial e atmosférica, oferece um estudo de caso fundamental sobre o metabolismo urbano e os primeiros impactos ambientais em escala metropolitana, alinhando-se diretamente às competências de análise de sistemas socioambientais. O processo de elaboração da maquete iniciou-se com uma fase de pesquisa iconográfica e cartográfica, investigando a planta de cidades romanas para identificar os elementos morfológicos essenciais: o traçado semi-ortogonal das vias, a centralidade do foro como coração cívico, a presença de edifícios monumentais para entretenimento e administração, e a organização das insulae (blocos residenciais). A confecção do modelo priorizou o uso de materiais de baixo custo e reaproveitados, como papelão corrugado e cartolina, em consonância com princípios de sustentabilidade. O papelão foi empregado em camadas para simular a alvenaria robusta de estruturas como o anfiteatro e as muralhas, enquanto a cartolina foi utilizada para edifícios de menor porte, como a basílica e as residências. A base foi texturizada e pintada para demarcar o sistema viário em tons terrosos e as áreas verdes, estabelecendo uma representação esquemática, mas funcional, da paisagem urbana. Este trabalho colaborativo foi guiado por critérios de fidelidade conceitual, buscando não a replicação exata, mas a representação da lógica espacial e hierárquica da cidade romana. O produto final materializa um recorte urbano coeso e analiticamente rico. A maquete evidencia uma clara distinção entre o espaço público monumental e o espaço privado residencial. No centro, um amplo espaço aberto representa o foro, flanqueado por uma basílica e outras edificações cívicas, simbolizando o poder político e jurídico. Destaca-se um grande anfiteatro de formato elíptico, demonstrando a importância do entretenimento de massa na coesão social. Os quarteirões residenciais, dispostos de forma compacta, sugerem a alta densidade populacional. Uma muralha circunda o núcleo, definindo o perímetro urbano e sua função defensiva. A representação da trama viária, embora simplificada, alude aos eixos estruturantes do cardo e decumanus. Como limitação, o modelo não consegue representar a complexa infraestrutura subterrânea, como a Cloaca Maxima, e a rede de aquedutos, elementos cruciais para a sustentabilidade e salubridade da cidade, o que se tornou um ponto de aprendizado sobre os desafios da representação em escala. A atividade de modelagem permitiu uma compreensão aprofundada da morfologia romana como expressão de uma ordem social, política e econômica. A síntese interpretativa revela o paradoxo da engenharia ambiental romana: a criação de sistemas tecnologicamente avançados de abastecimento de água e drenagem, que possibilitaram uma concentração populacional sem precedentes, não se traduziu necessariamente em melhorias na saúde pública, em parte devido à falta de conhecimento microbiológico e a práticas como o uso de banhos públicos sem renovação adequada da água. Este legado histórico serve como uma poderosa analogia para os desafios contemporâneos em urbanismo sustentável, onde soluções tecnológicas de grande escala podem gerar consequências ambientais não intencionais, como a poluição hídrica e a superexploração de recursos. A maquete, portanto, transcende sua função de objeto e se torna um catalisador para discussões sobre resiliência urbana, avaliação de impacto ambiental e a necessidade de uma abordagem sistêmica no planejamento de cidades, reforçando a pertinência do estudo histórico para a formação do técnico em meio ambiente.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
ENGENHARIA E SOCIEDADE NA ROMA ANTIGA: INVESTIGANDO A URBE COM UM MODELO DIDÁTICO. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120855. Acesso em: 15 maio. 2026.