A escola como agente de transformação: um olhar sobre a realidade

Autores

  • Antonia Bonorino Diatel Ribeiro
  • Cristiane Machado Farias
  • Sérgio Ricardo Gonçalves Figueredo
  • Diego Matos de Noronha
  • Mauren Araujo

Palavras-chave:

Contextualização, Realidade, escolar, Formação, docente

Resumo

Uma escola estadual de ensino médio, situada em um bairro periférico de Uruguaiana-RS, insere-se em um contexto marcado por desigualdades sociais, ambientais e econômicas que afetam diretamente a vida da comunidade escolar. A precariedade da infraestrutura urbana, a vulnerabilidade habitacional, a violência e a carência de serviços básicos influenciam o cotidiano dos estudantes, provocando evasão, desengajamento e distanciamento das famílias em relação à instituição. Essa realidade, caracterizada também pela ausência de espaços adequados para lazer e pela exposição constante a situações de vulnerabilidade social, reflete um quadro de desigualdade histórica que condiciona as oportunidades educacionais e de desenvolvimento integral dos jovens. Nesse cenário, o Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID) em Educação Física buscou desenvolver ações pedagógicas que dialogassem com a realidade local, promovendo aprendizagens significativas, fortalecimento cultural e valorização do espaço escolar. Este trabalho, portanto, tem como objetivo relatar a experiência fundamentada na perspectiva freireana de que a leitura crítica da realidade antecede a linguagem corporal, orientando práticas educativas comprometidas com a transformação social. Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, do tipo relato de experiência, no qual se priorizou a observação participante, o registro sistemático das observações, diálogos e experiências em diários de campo e a escuta da comunidade escolar, envolvendo estudantes do Ensino Fundamental e Médio, professores e bolsistas do PIBID. Essa organização didático-metodológica envolveu: observação, planejamento participativo, desenvolvimento das ações e avaliação. O mapeamento inicial possibilitou identificar categorias emergentes como desigualdade social, invisibilidade cultural e ausência de políticas públicas que assegurem condições básicas de ensino. Ao mesmo tempo, revelou a importância do engajamento coletivo e da valorização do capital humano existente na escola, aspectos que se mostraram centrais para o planejamento e execução das atividades pedagógicas. Destacam-se jogos e brincadeiras da cultura corporal afro-brasileira e indígena, como Corrida de Tora, Arranca Mandioca e Gaviões e Passarinhos, fundamentadas nas perspectivas pedagógicas críticas da Educação Física. Tais propostas buscaram promover o respeito à diversidade cultural, estimular a participação e cooperação entre os estudantes e favorecer a formação cidadã crítica, conectando o aprendizado às experiências concretas dos participantes. As intervenções no espaço escolar incluíram manutenção e revitalização do campo, pinturas de jogos no pátio e a implementação do Recreio em Movimento, que levou brincadeiras e jogos para os intervalos escolares, transformando-os em fortalecimento de vínculos e engajamento coletivo. Essas práticas, ao aliarem ludicidade e intervenção no ambiente físico, favoreceram a autoestima, os vínculos sociais e o sentimento de pertencimento, além de ampliarem as possibilidades de aprendizagem significativa. Os resultados obtidos evidenciam que a escola, quando percebida como território de cultura, socialização e cidadania, amplia seu papel formal de ensino e se consolida como espaço de possibilidades transformadoras. A experiência também demonstrou que, apesar das limitações estruturais e das condições adversas do entorno, a instituição conta com potencial pedagógico, força comunitária e capital humano capazes de impulsionar inéditos viáveis. A articulação entre universidade e escola básica, proporcionada pelo PIBID, mostrou-se essencial para que futuros professores compreendessem a complexidade da docência em contextos vulneráveis e desenvolvessem práticas mais sensíveis, éticas e transformadoras. Essa experiência permitiu ainda refletir sobre a necessidade de políticas públicas que garantam infraestrutura adequada, manutenção dos espaços escolares e oferta de recursos pedagógicos e culturais, elementos indispensáveis para a qualidade da educação. Assim, constatou-se que a transformação da realidade escolar exige mais do que iniciativas pontuais: requer compromisso ético, engajamento coletivo e planejamento pedagógico contextualizado, em diálogo constante com a realidade concreta dos sujeitos envolvidos e, sobretudo, reivindicação de investimento e compromisso público da gestão com a manutenção dos espaços escolares e condições de trabalho aos professores da educação básica. Conclui-se que a escola, enquanto agente de transformação social, pode potencializar aprendizagens significativas quando a comunidade escolar atua de forma integrada, crítica e participativa. Essas experiências reafirmam que a valorização cultural, a coletividade e a manutenção/revitalização do espaço escolar constituem estratégias eficazes para fortalecer a identidade comunitária, reduzir desigualdades educacionais e consolidar a escola como território de aprendizagens, cidadania e inclusão.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

A escola como agente de transformação: um olhar sobre a realidade. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120835. Acesso em: 15 maio. 2026.