Escuta ativa, metodologias de ensino e avaliação formativa no ensino de Matemática

Autores

  • Lisiane Pereira Baptista Silveira
  • Simôni Costa Monteiro Gervasio

Palavras-chave:

Palavras-chave, metodologia, ensino, método, tradicional, interação, professor–aluno, avaliação, formativa, autoavaliação, docente, adaptação, pedagógica, aprendizagem, significativa, prática, reflexiva, ambiente, acolhedor, Matemática

Resumo

A pesquisa desenvolvida buscou compreender como diferentes metodologias influenciam a participação e o desempenho dos alunos em Matemática, analisando o papel do professor na adaptação de estratégias pedagógicas conforme o perfil da turma. O estudo foi realizado em uma escola de ensino fundamental, no município de Bagé/RS, envolvendo turmas dos anos finais do Ensino Fundamental , com aproximadamente 40 a 50 estudantes. As observações foram feitas nas aulas de dois professores, ambos de Matemática, que possuem estilos semelhantes em alguns aspectos, mas também diferenças significativas em sua prática docente.De modo geral, verificou-se que o método tradicional permanece predominante, com aulas expositivas, uso do quadro e exercícios repetitivos como base. No entanto, ambos os docentes apresentaram aberturas que permitem ressignificar esse modelo. Ambos os professores se mostraram atentos à participação dos alunos, promovendo espaço para perguntas, incentivando dúvidas e criando um ambiente de escuta e acolhimento. Esse aspecto contribui para a construção de uma sala de aula menos passiva e mais interativa, aproximando-se de concepções de aprendizagem ativa defendidas por autores como Vygotsky (1984) e Freire (1996).As semelhanças observadas incluíram a preocupação em adaptar o ritmo das aulas de acordo com a compreensão da turma, o incentivo ao raciocínio lógico e à resolução de problemas, bem como a adoção de práticas de avaliação contínua. Em ambas as práticas, a avaliação formativa esteve presente, principalmente por meio de feedbacks imediatos, retomada de conteúdos e correções coletivas, o que reforça a ideia de acompanhamento constante do processo de aprendizagem, em oposição ao foco exclusivo em notas e provas.As diferenças, entretanto, revelam caminhos distintos. O primeiro professor, embora utilize o método tradicional, consegue romper com a passividade típica desse modelo, tornando suas aulas mais dialogadas e dinâmicas. Sua postura em sala mostra um esforço em manter a atenção da turma por meio do diálogo constante, especialmente em contextos de maior agitação. Já o segundo professor, mesmo mantendo a centralidade expositiva, demonstrou sensibilidade ao valorizar a escuta ativa e ampliar o olhar avaliativo. Sua prática destacou a importância da autoavaliação docente, refletindo criticamente sobre limitações estruturais, como o número elevado de alunos, o pouco tempo destinado às aulas e a pressão por resultados quantitativos. Essa postura se aproxima das concepções de Schön e Nóvoa sobre o professor reflexivo, que repensa e ajusta constantemente sua prática pedagógica.Outro ponto importante evidenciado pela pesquisa foi o ambiente acolhedor construído pelos docentes. O respeito ao tempo dos alunos, a paciência para retomar conteúdos quando necessário e o incentivo àparticipação criaram um espaço seguro para a aprendizagem. Esse aspecto demonstra que a afetividade é parte essencial do processo de ensino-aprendizagem, fortalecendo o vínculo entre professor e aluno e possibilitando uma maior abertura para a construção de conhecimento.Por outro lado, algumas dificuldades estruturais e contextuais se mostraram relevantes. Entre elas, destacaram-se as turmas numerosas, o tempo reduzido de aula, a burocracia do sistema escolar e a pressão por resultados mensuráveis. Esses fatores muitas vezes dificultam a implementação de metodologias mais investigativas e inovadoras, evidenciando a tensão entre a teoria pedagógica e as condições reais da escola pública.Em síntese, a análise das observações permitiu concluir que o ensino tradicional não precisa ser sinônimo de prática rígida e engessada. Quando associado à interação, ao diálogo, à escuta ativa e à avaliação formativa, pode se tornar mais significativo para os alunos. Além disso, a autoavaliação docente aparece como um elemento fundamental para o aprimoramento da prática pedagógica, ainda que enfrente barreiras estruturais.Assim, a pesquisa reforça a importância de práticas pedagógicas que valorizem a participação dos estudantes, a adaptação às diferentes realidades das turmas e a avaliação como processo contínuo de aprendizagem. A experiência observada mostra que, mesmo em contextos desafiadores, é possível construir um ensino de Matemática mais humano, reflexivo e significativo, aproximando-se das concepções de aprendizagem ativa e da perspectiva de avaliação mediadora.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Escuta ativa, metodologias de ensino e avaliação formativa no ensino de Matemática. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120831. Acesso em: 15 maio. 2026.