A Formação Docente Como Caminho para a Educação Antirracista

Autores

  • Everton Coelho de Matos
  • Sheila Teixeira Peres
  • Cristiane Ferreira Chagas
  • Taiane Acunha Escobar
  • Kelli Alessandra Guterres Brondani
  • Ronan Moura Franco

Palavras-chave:

Promover, Fortalecer, Educação, das, Relações, Étnico-Raciais

Resumo

A presente narrativa busca descrever a formação continuada de professores da área de Ciências Humanas da Secretaria Municipal de Educação de Uruguaiana, no estado do Rio Grande do Sul, com o objetivo de promover e fortalecer a implementação da Educação das Relações Étnico-Raciais nas escolas por meio do estudo dos povos originários, da cultura africana e afro-brasileira e da legislação vigente. A Secretaria Municipal de Educação promove formações em todas as áreas do conhecimento. No campo das Ciências Humanas, os encontros ocorrem na primeira e/ou segunda quinta-feira de cada mês, sob a Coordenação Pedagógica de um docente da área de História. Esses momentos constituem espaços valiosos de escuta ativa, troca de experiências e construção coletiva de saberes, fortalecendo o desenvolvimento profissional e o compromisso com uma educação de qualidade. Além disso, os professores contam com uma rede de apoio composta por coordenadores pedagógicos que incentivam a socialização de práticas exitosas nas escolas. Essa rede fortalece a ideia de que o ensino das relações étnico-raciais não deve ser responsabilidade de um único docente, mas compromisso de toda a comunidade escolar. A escuta e a partilha contribuem para ressignificar o currículo, tornando-o mais inclusivo, diverso e representativo da pluralidade cultural brasileira. Para a organização da formação, realizou-se um estudo bibliográfico e análise da legislação, em especial da Resolução do Conselho Municipal de Educação nº 001/202, alinhada às Leis Federais 10.639/03 e 11.645/08 e ao Estatuto da Igualdade Racial. O objetivo foi garantir práticas pedagógicas de valorização da diversidade étnico-racial. O espaço formativo foi ambientado com a simbologia do Baobá. Uma árvore de dois metros, construída com materiais recicláveis, foi o cenário, acompanhada de livros, jogos e fantoches sobre cultura africana e afro-brasileira. O Baobá foi utilizado como metáfora da ancestralidade. Os professores foram recepcionados com cartões explicativos e uma bala representando a semente da árvore, ao som de tambores africanos. Em seguida, leram lendas do Baobá, assistiram a um vídeo e dialogaram sobre ancestralidade, memória e resistência. Cada participante recebeu raízes, troncos, flores e frutos em papel pardo: nas raízes, escreveram memórias de vida; nos troncos, os desafios do ensino; nas flores e frutos, expectativas para a prática pedagógica. Esses elementos foram fixados na árvore, simbolizando a união das histórias pessoais e coletivas. Após a dinâmica, os professores foram divididos em grupos para responder ao questionamento: Como garantir que a implementação da Educação das Relações Étnico-Raciais aconteça de forma contínua e não pontual nas escolas?. Utilizaram materiais como as Diretrizes Curriculares Nacionais, as leis federais, o Estatuto da Igualdade Racial e a Resolução Municipal. O estudo foi registrado em mural digital no Padlet. O Baobá mostrou-se um símbolo potente de reflexão e pertencimento, reunindo experiências individuais e compromissos coletivos dos docentes em torno da luta por uma educação plural. As atividades sensibilizaram os professores para reconhecer suas próprias raízes e compreender o impacto positivo dessa valorização na vida dos estudantes. Foram elaborados esboços de projetos pedagógicos para consolidar a Educação das Relações Étnico-Raciais, envolvendo temas como herança cultural africana, luta e resistência negra, saberes africanos (música, culinária, oralidade, religiosidade) e personalidades negras locais, regionais e nacionais. Entre as sugestões de práticas, destacaram-se: palestras com pesquisadores e lideranças, pesquisas, documentários, músicas, poemas, oficinas de teatro, dança, artesanato, rodas de conversa e visitas guiadas a espaços históricos. Esses projetos serão desenvolvidos ao longo do ano letivo, culminando em uma Mostra Pedagógica em novembro, durante a Semana da Consciência Negra. A formação continuada revelou-se espaço essencial de diálogo, estudo e construção coletiva de saberes, reafirmando o compromisso da Secretaria Municipal de Educação de Uruguaiana com a efetiva implementação da Educação das Relações Étnico-Raciais. A lenda do Baobá trouxe sensibilidade e significado, fortalecendo reflexões sobre memória, ancestralidade e resistência, que se transformaram em práticas pedagógicas. O estudo das leis e diretrizes, associado à elaboração de projetos, demonstrou o papel dos professores como agentes de transformação social. A colaboração e os registros no mural digital evidenciam a integração entre teoria e prática. Conclui-se que a formação representa um caminho para consolidar uma escola justa, inclusiva e comprometida com a cidadania e a igualdade racial. Cada gesto educativo é compreendido como uma semente lançada, capaz de germinar e transformar realidades escolares e sociais.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

A Formação Docente Como Caminho para a Educação Antirracista. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120823. Acesso em: 9 jun. 2026.