Materiais Manipuláveis em Sala de Aula: Um Relato de Experiência do Pibid

Autores

  • Amanda Teixeira Fagundes
  • Vitor Otaram Borin
  • William Ragagnin Pazinato
  • Sabrina Gonçalves Marques
  • Marcio Andre Rodrigues Martins

Palavras-chave:

Progressão, Aritmética, Gráficos, Ensino, Matemática

Resumo

O uso de materiais manipuláveis em sala de aula apresenta-se como uma estratégia pedagógica que busca promover engajamento dos alunos no processo de aprendizagem e compreensão de conteúdos matemáticos que, muitas vezes, são vistos pelos estudantes como de difícil entendimento. Em uma turma de segundo ano do ensino médio de uma escola pública de Caçapava do Sul RS, no âmbito das atividades desenvolvidas pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID), foi planejada e executada uma sequência didática orientada ao estudo de progressão aritmética, mais especificamente à construção e interpretação de gráficos. A proposta foi construída para atender a demanda do currículo escolar de abordagem das diferentes representações de sequências do tipo progressão aritmética. Ao considerar que alguns estudantes da turma apresentavam dificuldade em traçar e interpretar gráficos e levando em conta que o tempo destinado às aulas é limitado, buscou-se uma alternativa que pudesse facilitar a compreensão dos alunos e otimizar o uso do tempo em sala. Nesse contexto, foram confeccionados gráficos manipuláveis, impressos em folhas no formato A3 e colados sobre chapas de isopor do mesmo tamanho, com quadriculado pronto para o uso e pontos marcados por alfinetes, possibilitando que os estudantes construíssem retas com o auxílio de barbantes, sem a necessidade de desenhar manualmente todos os elementos. Com objetivo de otimizar os recursos materiais disponíveis, optou-se por realizar a atividade em grupos, sendo a turma dividida em três equipes, cada uma com aproximadamente cinco integrantes. Cada equipe recebeu um kit composto por um gráfico manipulável, uma lista de exercícios, papéis quadriculados para quem preferisse desenhar, alfinetes e barbantes. As atividades propostas incluíam desde a representação de diferentes progressões aritméticas no gráfico, até a representação de termos específicos e o encontro da fórmula geral de determinadas sequências. A realização da atividade foi antecedida por uma aula teórica, na qual foram apresentados conceitos fundamentais sobre gráficos de progressões aritméticas e estabelecidas relações com funções afins, conteúdo já estudado no ano anterior. Essa etapa introdutória foi importante para que os alunos percebessem as semelhanças entre os dois tipos de gráficos e compreendessem a dinâmica da atividade. Durante o desenvolvimento da prática, os bolsistas do PIBID acompanharam cada grupo, orientando, esclarecendo dúvidas e mobilizando a participação. Observou-se que os estudantes demonstraram interesse e envolvimento na atividade, participando das discussões e da manipulação do material, ainda que com diferentes níveis de autonomia. Pode-se considerar que a atividade contribuiu para uma aprendizagem significativa, pois uma das condições para essa ocorrência é que o aluno esteja ativamente envolvido no processo de aprendizagem. Entre as dificuldades recorrentes, destacou-se a confusão em identificar os eixos x e y, bem como o significado de determinados pontos no gráfico. No entanto, de forma geral, verificou-se que a utilização dos gráficos manipuláveis contribuiu significativamente para o processo de ensino-aprendizagem, proporcionando uma experiência diferenciada em relação às aulas convencionais, que costumam se restringir à exposição no quadro. Os materiais manipuláveis facilitam a conexão entre o real e o simbólico, promovendo a aprendizagem por meio da experimentação. A atividade permitiu que os estudantes operassem de maneira concreta, uma interface com conceitos abstratos, além de mobilizar o trabalho em equipe e a troca de ideias entre colegas. Conclui-se, portanto, que o uso de materiais manipuláveis potencializa o engajamento no processo de ensino-aprendizagem. Este engajamento ganha novos contornos quando articulada ao contexto da iniciação à docência proporcionado pelo PIBID, que busca aproximar futuros professores da realidade escolar e incentivar a construção de práticas inovadoras. Assim, a experiência vivenciada não apenas favoreceu o aprendizado dos estudantes, mas também contribuiu para a formação docente dos bolsistas envolvidos, ao possibilitar a reflexão sobre metodologias diferenciadas e seu impacto no processo educativo.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Materiais Manipuláveis em Sala de Aula: Um Relato de Experiência do Pibid. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120820. Acesso em: 15 maio. 2026.