Estratégias Audiovisuais para o Ensino de Química: Estudo de Vídeos Ilustrados e Práticos no youtube
Palavras-chave:
ensino, química, audiovisual, educativo, YouTubeResumo
O uso de mídias digitais vem se consolidando como estratégia essencial no ensino de química, pois possibilita integrar explicações teóricas e demonstrações práticas em linguagens acessíveis e diversificadas. Nesse cenário, o canal Projeto AQuí, criado em 2017, constitui um espaço de experimentação audiovisual para fins educativos. Na fase inicial de produção, foram elaborados vídeos com alunos como protagonistas, responsáveis por apresentar e demonstrar o manuseio de equipamentos de laboratório, como centrífuga, bureta e pipetador, permitindo que o espectador acompanhasse situações próximas da prática real. A partir de 2023, o canal passou a adotar também um novo formato de produção, conhecido como mãos desenhando, em que os conteúdos são apresentados por meio de ilustrações que se constroem em tempo real, acompanhadas de narração. Essa mudança buscou atender à necessidade de abordar conteúdos mais conceituais, como segurança no laboratório, rotulagem de reagentes, preparo de soluções e descarte de resíduos, com maior dinamismo e clareza. O objetivo deste trabalho é comparar o desempenho dos dois estilos de vídeos a partir de métricas fornecidas pelo YouTube, considerando visualizações e taxas de retenção registradas no último ano. Para tanto, foram sistematizados dados de 15 vídeos no estilo mãos desenhando (capas brancas) e 19 vídeos tradicionais com atores reais (capas verdes), que juntos totalizam mais de 25 mil visualizações no período. Os resultados revelam que os vídeos de mãos desenhando se destacam em número de acessos, com destaque para Noções Básicas de Segurança no Laboratório (4.191 visualizações) e as partes da série sobre reagentes químicos, que ultrapassaram mil visualizações cada. O tempo médio de retenção nesse grupo oscilou entre 34% e 45%, com vídeos de duração intermediária (entre 6 e 10 minutos) mantendo aproximadamente 40% do público até a metade da exibição. Já entre os vídeos com atores reais, nota-se desempenho expressivo de produções mais curtas e objetivas: Ajuste de menisco em soluções (68% de retenção), Como retirar as luvas (63,8%) e Dessecador de vidro com sílica (66,5%), todos com menos de 1 minuto e 30 segundos, alcançaram taxas de permanência superiores a qualquer vídeo do estilo ilustrado. Em contrapartida, vídeos mais longos com atores reais, como Destilador de Nitrogênio (30% de retenção) e Forno Mufla (38,4%), tiveram menor capacidade de manter o público. Isso demonstra que a duração influencia fortemente o engajamento, independentemente do formato. Quando considerados os valores médios, os vídeos de mãos desenhando registraram 977 visualizações e 40% de retenção, enquanto os vídeos com atores reais apresentaram 913 visualizações e 48% de retenção. Esses dados indicam que o novo formato atrai maior audiência, mas o modelo tradicional mantém o espectador engajado por mais tempo. Outro aspecto relevante é a consistência: entre os vídeos de capa verde, a variação de retenção foi mais ampla, indo de 30% a 68%, ao passo que entre os de capa branca os índices se concentraram próximos da faixa de 40%, sugerindo maior estabilidade, ainda que sem picos de engajamento. Além disso, verificou-se que os vídeos ilustrados ocupam posições de destaque entre os mais visualizados do canal no período, enquanto os de atores reais predominam entre aqueles com maiores percentuais de fidelidade. Essa complementaridade mostra que cada estilo atende a finalidades distintas: enquanto os ilustrados fortalecem a compreensão conceitual e a divulgação ampla, os vídeos com demonstrações reais favorecem a aprendizagem prática e objetiva. Em síntese, a experiência do canal Projeto AQuí demonstra que a diversificação de formatos audiovisuais é um recurso pedagógico eficaz para o ensino de química, pois amplia o alcance, atende diferentes expectativas da audiência e valoriza tanto a dimensão conceitual quanto a prática. A análise dos dados evidencia que não se trata de substituir um modelo por outro, mas de articular diferentes linguagens conforme o tipo de conteúdo e a intenção educativa. Essa abordagem híbrida reforça o potencial do YouTube como ferramenta de apoio ao ensino, ao permitir que recursos narrativos e práticos convivam em benefício da aprendizagem científica.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Estratégias Audiovisuais para o Ensino de Química: Estudo de Vídeos Ilustrados e Práticos no youtube. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120809. Acesso em: 14 maio. 2026.