Assistência de Enfermagem Diante da Crise Convulsiva no Cenário de Simulação Realística: Relato de Experiência

Autores

  • Aléxia Cardozo Scherer
  • Milene Leal de Cordeiro
  • Alessandra Ramires Gonçalves
  • Jessica Stragliotto Bazzan
  • Lisie Alende Prates

Palavras-chave:

Treinamento, Simulação, Convulsões, Educação, Enfermagem

Resumo

As crises convulsivas constituem a manifestação neurológica mais comum nos serviços de emergência, representando aproximadamente 1 a 5% dos atendimentos, quando se excluem os casos de trauma. Estima-se que cerca de 80% das crises agudas em crianças se resolvam antes da chegada ao hospital, dispensando o uso de anticonvulsivantes nesse contexto. Entretanto, episódios que se prolongam por mais de 5 minutos tendem a persistir por 20 a 30 minutos ou mais, aumentando o risco de danos ao sistema nervoso central e de complicações sistêmicas. Contudo a formação de enfermeiros demanda estratégias pedagógicas que favoreçam a integração entre teoria e prática, especialmente em situações de urgência e emergência que exijam preparo técnico, raciocínio clínico e tomada de decisão rápida. Nesse sentido, a simulação realística tem se consolidado como ferramenta essencial no processo de ensino-aprendizagem em saúde, por possibilitar que os discentes vivenciem situações imprevisíveis em ambiente controlado, exercitando o protagonismo e a capacidade de resposta diante de cenários críticos. Este trabalho tem como objetivo descrever a experiência discente no processo de aprendizagem com a metodologia de simulação realística diante da assistência de enfermagem à uma adolescente que apresenta um quadro de convulsão. Trata-se de um relato de experiência vivenciado em uma aula do componente curricular Gestão do Cuidado Materno-Neonatal e Pediátrico, no curso de Enfermagem da Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA), em agosto de 2025. A atividade teve como foco a assistência de enfermagem diante de uma crise convulsiva em uma paciente adolescente, utilizando a metodologia da simulação realística. Previamente foi enviado aos acadêmicos o caso clínico a ser estudado, o qual descrevia sobre uma jovem adolescente trazida ao pronto socorro com relato de testemunhas sobre uma crise convulsiva assistida na escola, provavelmente de origem epiléptica visto que tinha histórico familiar de epilepsia por parte materna. A atividade contou com a facilitação por parte da docente e da monitora. A turma foi organizada em dois grupos, sendo o primeiro composto por cinco discentes e o segundo por seis. Ao iniciar o cenário simulado, a paciente encontrava-se sonolenta com lapsos de memória sobre a primeira crise convulsiva, a monitora simulou uma crise convulsiva, desestabilizando o cenário previamente planejado e exigindo das discentes respostas imediatas quanto à condução da situação emergente. O objetivo principal da atividade foi avaliar a prontidão das discentes frente à crise convulsiva, além de disseminar conhecimentos sobre protocolos de atendimento a esse tipo de ocorrência. Durante a simulação, as discentes foram instigadas a aplicar condutas seguras, como posicionar a paciente em local protegido, garantir permeabilidade das vias aéreas, evitar contenções inadequadas e monitorar sinais vitais, reforçando a importância da atuação rápida e coordenada em emergências. O inesperado proporcionou maior realismo à atividade, mobilizando habilidades técnicas e emocionais, além de estimular a reflexão coletiva, durante o debriefing as alunas relataram inicialmente um susto diante da crise convulsiva simulada, pois apesar de já conhecerem o caso não contavam que a simulação seria tão expressiva e detalhada. Entretanto, reconheceram que essa surpresa foi fundamental para compreender a necessidade de agir mesmo em contextos de instabilidade. O fato de não esperar a situação trouxe maior autenticidade ao exercício, reforçando a noção de que na prática profissional, muitas emergências acontecem de forma abrupta e exigem preparo emocional e técnico para que o cuidado seja realizado de forma segura e eficaz. Conclui-se que a experiência proporcionou o desenvolvimento de confiança, segurança e senso crítico diante de eventos emergentes. Ainda, que a simulação realística no cenário de atendimento a crise convulsiva de uma adolescente, conduzida de forma inesperada, configurou-se como recurso pedagógico eficaz para aproximar a prática do cuidado da realidade profissional, fortalecendo a autonomia das futuras enfermeiras e evidenciando o potencial das metodologias ativas no ensino de Enfermagem.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Assistência de Enfermagem Diante da Crise Convulsiva no Cenário de Simulação Realística: Relato de Experiência. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120779. Acesso em: 15 maio. 2026.