A Simulação Realística Como Estratégia Pedagógica na Formação em Enfermagem Materno-neonatal e Pediátrica
Palavras-chave:
Aprendizagem, ativa, Segurança, paciente, Humanização, cuidadoResumo
A formação em enfermagem exige metodologias pedagógicas que permitam articular teoria e prática de forma significativa, especialmente em áreas complexas como o cuidado materno-neonatal e pediátrico, nas quais a tomada de decisão rápida, a habilidade técnica e a comunicação humanizada são elementos fundamentais. Nas últimas décadas, a simulação realística tem se consolidado como estratégia inovadora para qualificar o ensino na saúde, ao possibilitar a vivência de cenários que reproduzem com fidedignidade situações clínicas reais, em ambiente seguro e controlado. Essa metodologia ativa permite aos acadêmicos exercitar competências cognitivas, técnicas, éticas e relacionais sem expor pacientes a riscos, favorecendo o protagonismo discente, o aprendizado colaborativo e a superação de inseguranças comuns no início da prática profissional. Estudos nacionais apontam altos índices de evasão e sentimentos de despreparo entre estudantes de enfermagem, o que reforça a relevância de abordagens pedagógicas capazes de promover motivação, engajamento e aprendizagem significativa. O presente trabalho constitui-se em um relato de experiência desenvolvido no componente curricular Gestão do Cuidado Materno-Neonatal e Pediátrico do curso de Enfermagem da Universidade Federal do Pampa, campus Uruguaiana, durante o primeiro semestre letivo de 2025. As atividades foram realizadas nos Laboratório de Enfermagem e Laboratório de Habilidades, em grupos organizados por turma, seguindo cronograma previamente estruturado no plano de ensino. Nos cenários de simulação foram utilizados manequins com respostas fisiológicas simuladas, materiais hospitalares, equipamentos audiovisuais e dramatizações conduzidas por docentes. Os roteiros clínicos abrangeram situações como admissão da gestante em ambiente hospitalar, assistência imediata ao recém-nascido em sala de parto, administração segura de medicamentos, realização de manobras de desengasgo, suporte básico de vida pediátrico e comunicação terapêutica com familiares. Cada cenário foi planejado com base em protocolos clínicos, nas diretrizes de segurança do paciente e na teoria das Necessidades Humanas Básicas de Wanda Horta. Durante as simulações, os estudantes alternaram papéis de liderança, execução e observação crítica, vivenciando momentos de experimentação, erro e reflexão. O processo avaliativo incluiu checklist estruturado que contemplava aspectos técnicos, éticos, comunicacionais e de segurança, além de autoavaliações discentes e registros reflexivos. Essa organização permitiu que cada acadêmico experimentasse diferentes perspectivas de atuação e desenvolvesse autonomia, responsabilidade compartilhada e espírito colaborativo. O laboratório foi transformado em espaço de aprendizagem interativo, seguro e estimulante, no qual o erro não era entendido como falha punitiva, mas como oportunidade de crescimento e consolidação de conhecimentos. Os resultados evidenciados ao longo do semestre apontaram melhorias expressivas na autoconfiança, na capacidade de análise crítica e no raciocínio clínico dos estudantes. Houve avanços perceptíveis na habilidade de comunicação entre pares e com pacientes, no manejo de situações de urgência e na aplicação sistemática do Processo de Enfermagem. As devolutivas espontâneas dos acadêmicos ressaltaram que a simulação favoreceu maior preparo para a atuação em cenários reais de prática, reduziu sentimentos de insegurança e motivou a permanência no curso, corroborando achados de pesquisas recentes na área. Observou-se também que a metodologia contribuiu para o fortalecimento da humanização e da ética no cuidado, ao colocar o discente diante de situações que exigiam empatia, respeito e tomada de decisão compartilhada. Os estudantes demonstraram entusiasmo e maior participação ativa nas atividades, o que evidencia o potencial da simulação como estratégia de enfrentamento à evasão e à desmotivação. Conclui-se que a simulação realística constitui uma ferramenta pedagógica potente para a formação em enfermagem, pois alia inovação tecnológica a uma perspectiva humanizada do cuidado, aproximando o estudante da realidade profissional de maneira segura e reflexiva. Ao promover a integração entre teoria e prática, estimular a aprendizagem colaborativa e valorizar a experiência do discente, a metodologia contribui para a formação de profissionais mais críticos, competentes e preparados para os desafios da atenção à saúde materno-neonatal e pediátrica. Nesse sentido, evidencia-se que a simulação não apenas qualifica o ensino, mas também representa uma estratégia institucional eficaz para promover a permanência e o sucesso acadêmico, reafirmando seu papel como recurso essencial para a consolidação de uma prática de enfermagem ética, segura, científica e socialmente comprometida.Downloads
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Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
A Simulação Realística Como Estratégia Pedagógica na Formação em Enfermagem Materno-neonatal e Pediátrica. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120776. Acesso em: 14 maio. 2026.