O saber/fazer/apreender da Saúde Coletiva na Formação em Medicina: Relato de Experiência Acadêmica

Autores

  • Joao Amaral
  • Bernardo Mafort Soares
  • Henrique de Moraes Ramiro
  • Vitória Cristina de Araújo
  • Elitiele Santos
  • Samuel Salvi Romero

Palavras-chave:

Educação, Graduação, Medicina, Meio, Ambiente, Preventiva, Saúde, Pública, Processo, Ensino-Aprendizagem

Resumo

O componente curricular de Saúde Coletiva I na formação em Medicina busca desenvolver aptidões e habilidades acerca da compreensão dos marcos históricos na transformação sanitária brasileira e mundial. O encadeamento da legislação com a identificação histórico/conceitual de cada espaço de desenvolvimento social, político, administrativo, financeiro e ambiental denota a relevância do estudo do tema no meio acadêmico, pois contribui para a formação médica básica. Assim, esse relato de experiência tem como objetivo descrever a experiência de aprendizagem de acadêmicos de medicina no componente curricular de saúde coletiva I, perfazendo um caminho de aprendizado e construção do conhecimento no âmbito teórico, prático e de extensão. A experiência ocorreu no período de agosto a setembro de 2025, em três encontros teóricos do componente curricular, envolvendo a participação de 29 estudantes e dois discentes. Inicialmente, a apresentação de plano de ensino do componente instigou os estudantes a pensarem sobre a história de construção da política pública do Brasil, da Reforma Sanitária e do Sistema Único de Saúde, assim como propôs aos estudantes a elaboração de agendas voltadas para o reconhecimento do território sanitário que permeia o município de abrangência da formação, articulando aspectos práticos ao aprendizado. Também direcionou os discentes à leitura prévia de uma bibliografia disponibilizada para aprofundamento das temáticas das políticas públicas para posterior discussão e reflexão. Através de uma abordagem motivadora e atraente, a turma foi dividida em pequenos grupos a fim de fortalecer o aprender a fazer, no tocante às metodologias ativas (predizendo uma encenação para a sala de aula invertida). Cada grupo, ficou responsável por discutir e aprofundar os conhecimentos em determinado período da história, desde o período colonial até o período da Nova República. O objetivo foi compreender a relação saúde/doença de cada período com o contexto político e socioeconômico vigente. Após a divisão, cada grupo discutiu entre si o conteúdo do determinado período histórico, executando uma encenação capaz de simular o cenário de saúde da época, frisando as incompletudes relacionadas ao tratamento médico. A inserção de conteúdos paradigmáticos nas primeiras semanas conduziu a alterações de cunho exploratório, criativo e epistemológico em cada participante, salientando a caminhada de cada aluno em suas comunidades e em seu entendimento do saber fazer em questão. A participação dos docentes promoveu a construção da crítica sob uma seara de investigação contínua em cujo elenco se notabiliza a participação e as construções reflexivas dos discentes. A operacionalização do componente curricular versa a composição teórica, mas também a busca pelo conhecimento territorial sob uma ótica de compreensão da lógica intersetorial na composição das redes de atenção à saúde, comumente discutidas em componentes subsequentes. A Saúde Coletiva I pode ser entendida como a abertura do processo de aprendizagem dos sistemas de saúde, do conceito ampliado de saúde e da construção das políticas públicas de saúde. Esta desnaturalização de processos, enquanto conjunto pedagógico a ser percorrido, pode subsidiar elucubrações potentes na formaçãomédica, favorecendo a compreensão da matriz curricular, dos planos político- pedagógicos, da distribuição dos componentes das práticas curriculares e da atenção às comunidades, aos territórios, às famílias, às populações e aos sujeitos/usuários. A inserção do discente em campo prático desde o primeiro semestre instiga não só a preocupação em significar os condicionantes e determinantes sociais da saúde, mas também a celebrar coletivamente a estruturação de recursos por meio da distribuição de conceitos e aparelhagens técnico-científicas nos processos de aprendizagem, da construção do conhecimento e do seu compartilhamento. Portanto, torna-se relevante ratificar a presença do campo de saberes e práticas vinculado à saúde coletiva na formação médica. As atividades implementadas no componente curricular imprimem um status de participação, engajamento, envolvimento, afetividade, humanização e sensibilização do processo de compreensão do fazer/saber/atuar médico. A gestão do processo pedagógico relacionado ao componente supracitado pode transferir corresponsabilização na construção de redes de conversação e vinculações mais próximas das realidades, sobretudo na intenção de percorrer caminhos do cuidado que se encontrem nas histórias de vida, nos processos de autonomização dos sujeitos e na diversificação no planejamento sanitário médico, assim como na operacionalização multiprofissional, com vistas à interdisciplinaridade.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

O saber/fazer/apreender” da Saúde Coletiva na Formação em Medicina: Relato de Experiência Acadêmica. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120774. Acesso em: 10 jun. 2026.