Acolhimento com Classificação de Risco Como Estratégia de Acesso e Qualificação do Cuidado na Aps
Palavras-chave:
Acolhimento, Gestão, Saúde, Atenção, PrimáriaResumo
No Brasil, a reorientação da assistência à saúde com enfoque na qualificação e estruturação da Atenção Primária à Saúde (APS), teve como ponto de partida o desenvolvimento da Política Nacional de Humanização (PNH), instituída pelo Ministério da Saúde em 2003. Em suas diretrizes pressupõem uma postura política, ética e estética para o aprimoramento dos processos de trabalho e da produção de saúde. Neste sentido, o acolhimento se destaca como dispositivo da PNH, trazendo consigo a humanização aos processos de trabalho e como uma ferramenta de gestão do cuidado. Para a sua implementação, são necessárias mudanças na organização e relação das equipes multiprofissionais e no modo de cuidado. No cotidiano das Estratégias Saúde da Família (ESF), o acolhimento se apresenta como uma ferramenta de qualificação de acesso aos serviços de saúde e do cuidado ofertado, considerando a complexidade das demandas e as necessidades de saúde dos usuários. Para melhor avaliação dessas complexidades, pode-se adotar a Classificação de Risco como diretriz operacional de identificação de risco dos usuários, avaliando as dimensões biopsicossociais do processo de saúde e doença. Esta prática é responsabilidade do enfermeiro através de protocolos pré-estabelecidos e condizentes com as especificidades dos territórios de saúde. Portanto, o objetivo deste trabalho é analisar a implementação de um fluxograma de acolhimento com classificação de risco às enfermeiras da Estratégia Saúde da Família de um município da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul. Trata-se de um relato de experiência, de uma capacitação sobre a implementação de um fluxograma de Acolhimento com Classificação de Risco para enfermeiras atuantes nas 21 Estratégias Saúde da Família do município. A atividade contou com a participação de 27 enfermeiras, majoritariamente do sexo feminino (92,6%), com faixa etária de 40-49 anos (62,9%) e com tempo de vínculo no serviço de 1-5 anos (44,5%). A capacitação foi ministrada por uma residente graduada em enfermagem atuante no Programa de Residência Integrada Multiprofissional em Saúde Coletiva pela Universidade Federal do Pampa, com apoio da gestão da Atenção Básica do município e de um professor docente da Residência. A capacitação ocorreu presencialmente no Núcleo Municipal de Educação em Saúde Coletiva (NUMESC), no mês de agosto de 2024, contabilizando 4 horas de atividade. Para explanação do conteúdo foi utilizado o recurso audiovisual de um projetor multimídia. No primeiro momento, foi realizada a abordagem de tópicos relativos aos conceitos de APS e acolhimento, às diferenças conceituais e práticas entre triagem e o acolhimento, sua forma de implementação, os modelos de acolhimento e a classificação de risco de risco para a APS. No segundo momento foi apresentado o fluxograma de Acolhimento com Classificação de Risco conforme o Caderno de Atenção Básica nº 28, volume II do Acolhimento à demanda espontânea com adaptações de acordo com as necessidades das ESFs do município. Com relação às adaptações, essas foram construídas com base nas observações e diálogos da residente com profissionais de algumas ESFs e com a gestão da Atenção Básica do município. Pode-se destacar como adaptações, a definição das atividades a serem desenvolvidas na Sala de Triagem e na do Acolhimento com Classificação de Risco. Além disso, foi proposta a criação de uma escala de profissionais para o acolhimento de acordo com o quantitativo de enfermeiras nas ESFs, no intuito de incluir uma prática efetiva do acolhimento com classificação de risco na rotina dos serviços. Ao final da capacitação foi realizada a aplicação de um questionário de caracterização e avaliação da aprendizagem com escala Likert. O conteúdo da capacitação buscou auxiliar nas rotinas das enfermeiras e suas equipes e quanto a clareza e a compreensão do material didático apresentado. Quanto à avaliação da aprendizagem 55,6% das enfermeiras destacaram que o conteúdo da capacitação pode auxiliar nas rotinas das suas equipes de saúde, assim como avaliaram como excelente (59,3%) a qualidade do material didático apresentado. Logo, conclui-se que oportunizar espaços de construção e troca de saberes entre os profissionais são momentos valiosos para promover mudanças nas práticas de cuidado e qualificação do Acolhimento com Classificação de Risco na APS.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Downloads
Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Acolhimento com Classificação de Risco Como Estratégia de Acesso e Qualificação do Cuidado na Aps. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120773. Acesso em: 14 maio. 2026.