Revitalizar para Pertencer: Transformação no Espaço Escolar

Autores

  • Evelyn Recoba
  • Alessandra dos Santos Toledo
  • João Henrique Mendes
  • Mauren Araujo
  • Diego de Matos Noronha

Palavras-chave:

Educação, Física, Escolar, Pertencimento, Revitalização, Espaços

Resumo

Inserida em um bairro marcado por vulnerabilidades socioeconômicas, uma escola estadual de ensino médio tem se configurado como um espaço de acolhimento, afeto e possibilidades, assumindo papel essencial na vida de seus estudantes e no fortalecimento da comunidade escolar. Nesse contexto, licenciandos do curso de Educação Física da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), vinculados ao Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), vêm desenvolvendo ações de intervenção que buscam ressignificar o ambiente escolar e estreitar o vínculo dos alunos com a instituição, valorizando o protagonismo juvenil e o sentido de pertencimento. Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, do tipo relato de experiência. Dessa forma, o objetivo central deste trabalho é relatar uma experiência que se inspira em Paulo Freire, quando compreende que apenas a partir da leitura crítica do mundo é possível dar sentido à linguagem corporal, orientando práticas educativas que busquem a transformação da sociedade. Inspirados em uma perspectiva teórica que compreende a Educação Física como parte de um currículo que visa fortalecer um projeto de sociedade mais humano e justo, sob supervisão docente, o grupo de bolsistas sustentou suas ações em princípios como: diálogo, participação e humanização. Após o contato com a escola, a aproximação da universidade com o contexto escolar da escola, iniciou com a observação do cotidiano escolar, na escuta qualificada das demandas estudantis e no registro das experiências e diálogos em diários de campo, elementos que possibilitam compreender de forma mais profunda tanto as fragilidades quanto às potencialidades da realidade escolar. Nesta etapa percebemos a ausência de áreas recreativas bem estruturadas e acessíveis, como a pracinha interna danificada e o campo tomado pelo mato, evidenciou a necessidade de manutenção e transformação desses ambientes, esquecidos pelo poder público, mas fundamentais em seu potencial pedagógico, sociocultural e afetivo. A partir dessa leitura do cotidiano escolar, as primeiras ações foram desenvolvidas em horários distintos às aulas de Educação Física, realizadas de forma coletiva, envolvendo sete bolsistas e um supervisor, que atua como professor de Educação Física na escola. Essas ações concentraram-se na manutenção dos espaços potencialmente pedagógicos, desdobrando-se em: pintura de jogos de chão, como amarelinha e twister, empregando materiais acessíveis e obtidos por meio de doações, além do trabalho coletivo entre bolsistas, professores e comunidade escolar. Numa outra etapa, houve escuta e diálogo com os participantes, buscando elaboração de ações de forma coletiva. Como resultado inicial, observou-se a criação de um espaço mais atrativo, lúdico e convidativo, favorecendo a permanência dos estudantes no ambiente educativo e estimulando a participação ativa em atividades que unem movimento, convivência e protagonismo estudantil. Com base nas interações até o momento, as intervenções ainda que incipientes, têm se mostrado capazes de ampliar o sentimento de pertencimento dos estudantes, reforçando o caráter da escola como lugar de encontro, afeto e cuidado, o que impacta diretamente nas relações sociais e na valorização do espaço comum. Além disso, a proposta de continuidade prevê a expansão das ações de revitalização, incluindo limpeza, reorganização e aproveitamento pedagógico de diferentes áreas do terreno da escola, considerando as condições materiais disponíveis e com o engajamento coletivo como princípio orientador. Tais iniciativas revelam que a Educação Física pode mobilizar ações que complementam o ensino da cultura corporal, assumindo um papel social e político ao promover a integração comunitária, o fortalecimento de vínculos e a valorização do espaço escolar como ambiente formativo e sensível. Ao longo do processo de desenvolvimento das ações, coletaremos informações sobre a percepção dos participantes para compreender mais profundamente os efeitos deste envolvimento coletivo a partir da EF escolar. Em consonância com a reflexão de Freire (1996), compreende-se que uma educação enraizada na realidade dos sujeitos se transforma em ato de libertação, no qual os estudantes deixam de ser espectadores passivos para se tornarem agentes ativos da transformação do espaço em que vivem, assim como os professores em formação inicial também experienciam um processo de aprendizagem e reflexão crítica. Assim, as ações desenvolvidas no âmbito do PIBID de Educação Física reafirmam a potência da formação profissional crítica e comprometida com a realidade, demonstrando que a manutenção e a revitalização dos espaços escolares não é apenas uma questão estética, mas sobretudo um movimento de construção coletiva que valoriza a convivência, a ludicidade, a criatividade e o protagonismo estudantil como dimensões centrais do processo educativo e como possibilidades concretas de fortalecimento da escola pública.

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Publicado

2025-10-24

Como Citar

Revitalizar para Pertencer: Transformação no Espaço Escolar. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120772. Acesso em: 9 jun. 2026.