Educação Física e Ludicidade: relato de experiência nos Anos Iniciais em uma escola de periferia
Palavras-chave:
Atividades, lúdicas, educaçãoResumo
O presente trabalho apresenta um relato de experiência vivenciado no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), desenvolvido em uma escola pública estadual localizada na periferia de Uruguaiana/RS. O objetivo principal foi relatar as práticas realizadas nas aulas de Educação Física com turmas dos anos iniciais do Ensino Fundamental, tendo como foco a ludicidade, por meio de jogos e brincadeiras que favorecessem o desenvolvimento integral das crianças. A fundamentação teórica apoiou-se na BNCC (2017) e no Referencial Curricular Gaúcho (2018), que destacam a importância das brincadeiras e jogos como patrimônios culturais, além de autores como Kishimoto (2010), que aponta os jogos como instrumentos educativos, e Vygotsky (1979), que ressalta o papel do brincar no desenvolvimento cognitivo, social e emocional. Inspirados também em Freire (1995, 1996), buscou-se valorizar a participação, a cidadania e a construção coletiva do conhecimento. As intervenções tiveram início com atividades de reconhecimento da escola e observação das práticas existentes. A partir daí, foram propostas aulas com jogos cooperativos, que estimularam cooperação, concentração e interação entre os alunos. Utilizaram-se materiais simples, como tampas de garrafas e bambolês, evidenciando que o brincar não depende de recursos sofisticados, mas de criatividade e intencionalidade pedagógica. Em seguida, foi realizada uma saída de campo ao CRAS II, em parceria com o Grupo de Estudos em Esporte e Lazer (GEEL/Unipampa), com vivências como boliche, cabo de guerra, basquete, corda e futebol, ampliando a interação social e a diversidade de práticas corporais. Devido a questões climáticas e ambientais, algumas atividades foram realizadas na sala de Educação Física um espaço diferenciado na escola, construído por professores e residentes, que possibilitou manter a continuidade pedagógica mesmo em condições adversas. Esse ambiente reforçou a valorização da disciplina e garantiu maior diversidade de experiências. Durante o mês da Consciência Negra, as aulas incorporaram jogos de matriz africana, como Escravos de Jó, queimada, golfe adaptado e a amarelinha africana. Essa abordagem contribuiu para o desenvolvimento de uma educação antirracista, conforme previsto nas leis 10.639/03 e 11.645/08, além de dialogar com reflexões de Conceição Evaristo e Ailton Krenak (2019) sobre a valorização das culturas afro-brasileiras e indígenas. No encerramento do período letivo, realizou-se uma atividade de confraternização natalina, em que residentes e professores apadrinharam estudantes, fortalecendo vínculos afetivos e destacando o caráter humano da educação. Posteriormente, organizou-se uma Colônia de Férias, voltada às crianças da comunidade que não tinham acesso a práticas orientadas nesse período, reafirmando a importância da escola como espaço de convivência, lazer e cuidado. Como resultados, destacou-se que os jogos e brincadeiras favoreceram a aprendizagem de valores como cooperação, respeito às regras, resolução de conflitos, inclusão e valorização da diversidade cultural. Além disso, o trabalho mostrou que a ludicidade pode ser um caminho pedagógico potente para estimular uma educação crítica, cidadã e comprometida com a transformação social, em contraponto a uma educação meramente bancária (Freire, 2011). Em síntese, a experiência vivenciada no PIBID demonstrou a relevância do programa na formação inicial de professores, por possibilitar uma prática reflexiva e crítica em contextos reais de ensino. A ludicidade, integrada à Educação Física escolar, mostrou-se um recurso eficaz para promover não apenas o desenvolvimento motor, mas também o respeito, a solidariedade, a diversidade e a construção coletiva de saberes.Downloads
Os dados de download ainda não estão disponíveis.
Downloads
Publicado
2025-10-24
Edição
Seção
Artigos
Como Citar
Educação Física e Ludicidade: relato de experiência nos Anos Iniciais em uma escola de periferia. Anais do Salão Inovação, Ensino, Pesquisa e Extensão, [S. l.], v. 1, n. 17, 2025. Disponível em: https://periodicos.unipampa.edu.br/index.php/SIEPE/article/view/120768. Acesso em: 15 maio. 2026.